terça-feira, 30 de julho de 2013

A Importância da Escolha de Tintas de Qualidade

Apesar de ter comentado brevemente sobre esse tema em outros artigos presentes aqui, nunca escrevi de forma pormenorizada certos aspectos complexos do assunto. Conversando recentemente com alguns amigos pintores e lojistas de materiais artísticos, me parece que a questão ainda é vista de modo muito ingênuo pela maioria dos profissionais: qual a real diferença entre tintas de boa e má qualidade. Para abordar o assunto de forma correta e minuciosa, foi preciso abrir mão de um texto rápido e objetivo, portanto, aqueles que querem entender definitivamente as pormenores, terão que aguentar esse longo texto.

Noto que é comum encontrar pintores amadores e até mesmo profissionais de gabarito que usam tintas de má qualidade, até mesmo aqueles que angariam altos valores na venda de suas obras. O mesmo também ocorre entre leitores de nosso site, alunos que frequentam nosso ateliê (assim como nos ateliês de colegas), faculdades, escolas e grandes instituições de ensino.

É preciso que o pintor, seja ele um hobbista, profissional iniciante ou profissional de sucesso, entenda mais profundamente sobre o por que de se usar tinta de qualidade em suas obras. A grande verdade, que poucos ousam dizer, é que infelizmente a grande maioria prefere economizar levando sempre o que há de mais em conta, e o pretexto é quase sempre o mesmo: de que "tinta é tudo igual", ou de que o comprador de obras ou galeristas "nunca notarão a diferença". São pensamentos muito pobres que revelam grave falta de informação.

Focarei a atenção na principal ferramenta do pintor, a tinta. No entanto, vale lembrar que o mesmo se aplica a todos os outras substâncias ou ferramentas usadas na pintura: tecidos, papéis, suportes, pincéis, veículos, mediums e etc.

A extensão e densidade de informação do artigo é de teor um pouco mais extenso de tudo que se encontra disponível na internet. Sei que muitos leitores não tem paciência suficiente para seguir artigos longos, pois muitos já me escreveram pedindo textos mais "resumidos", mas a idéia é justamente oferecer um entendimento definitivo e profundo, revelando lógicas e fatos que ingênuamente a grande maioria das publicações deixam de lado.

Ética e Durabilidade
Em primeiro lugar, gostaria de expôr de maneira rápida, a questão ética. O comprador, o galerista ou qualquer pessoa que investe num quadro é nada mais nada menos do que um cliente. São raros os pintores que conseguem uma boa soma por suas obras, sorte daqueles que possuem muitos clientes num país como o nosso. Quando um cliente compra um produto ele espera que o produto dure. Não espere que linhas de tintas tipo estudante faça com que as cores durem cinquenta anos, pois as cores mais sucsetíveis a perecerem na ação da luz, como os violetas e vermelhos podem esmaecer ou sumir. Em outros casos, alguns pigmentos que formam filmes ou películas pouco elásticas podem craquelar a superfície pictórica. Não é totalmente ético comercializar pinturas feitas com material de qualidade duvidosa. 

Isso pode gerar enorme problemas futuros, como a devolução do valor pago pela obra ou ter de reproduzir a mesma obra novamente, o que no caso de pinturas complexas é complicado. Há também de se considerar, a vergonha pela qual o profissional passa por ter de devolver uma soma de dinheiro, pintar outra obra para substituir aquela que foi comprometida e até mesmo por ser ridicularizado por usar tintas de segunda categoria. É realmente triste quando adentramos um ateliê de um famoso pintor e flagramos o uso de tintas de nível escolar. Em primeiro lugar, é necessário ter respeito pelo cliente, em segundo, o artista deve lembrar de zelar por sua imagem profissional. A palavra "investir" é perfeita para descrever profissionais que usam somente materiais de primeira linha: ele se protege de todo o tipo de complicação futura e ainda investe em sua imagem como um profissional exigente.

Mesma Marca, Diferente "Linha"
Já discutimos isso em outros artigos, mas iremos re-capitular, a grosso modo, essa premissa. Algumas marcas de tintas oferecem três linhas distintas. Um dos exemplos é a Talens, que possui as seguintes linhas: uma linha estudante (Amsterdam), uma linha que denominam de "intermediária" (Van Gogh) e uma linha que denominam "extra fina" (Rembrandt). A Lukas, por sua vez, denomina sua linha 1862 como "Master", a linha Studio como "profissional" e a linha Terzia como linha "estudante". Outras oferecem somente duas linhas, geralmente classificadas como "estudante" e a outra "profissional".Poderíamos classificar essas linhas como o "target" ou "público alvo" de determinados produtos de uma empresa, em nosso caso, tintas. Portanto, uma marca específica muitas vezes oferece qualidades diferentes de tintas, cada uma dessas linhas voltadas para um público específico.


Van Gogh: Linha "Intermediária"

Outras marcas oferecem somente uma linha padrão, sem rotular sua linha com algum termo que denote sua qualidade ou público alvo, afinal, quanto mais amplo o público, melhor. Obviamente, se uma empresa tem um único produto, sendo esse de alta qualidade, não hesitará em chamá-lo de linha profissional. Por outro lado, se o produto não atinge o "padrão" profissional, e a linha possui padrão estudante, a empresa sensata pode discriminar essa qualidade em seu rótulo. A empresa nem tão sensata poderá ter a pretensão de chamá-la de "linha profissional" mesmo que o produto esteja fora dos padrões aceitáveis para uma linha suficientemente boa para ser denominada como tal. 

Portanto, é costume dos balconistas dizer que certas tintas são "profissionais" e outras são de linha "estudante", funcionando quase sempre quando essa informação vem escrita no rótulo, mas quando a informação não está presente, o balconista baseia-se naquilo que lhe dá algum outro tipo de pista: o preço.  


1862: denominada como Linha "Master" pela Lukas

Mas qual a real diferença entre uma linha profissional e uma estudante? Na teoria, a tinta profissional, quando comparada as de linhas estudante deveriam apresentar:
  • Alta quantidade de pigmento (carga pigmentária)
  • Melhor qualidade de pigmento
  • Cores feitas com somente um pigmento (mono-pigmentárias)
  • Baixa quantidade de veículo 
  • Melhor qualidade de veículo (mais elásticos, mais claros, etc.)
  • Baixa quantidade de espessantes e enchimentos
  • Melhor dispersão (pastosidade adequada)
  • Deve passar por período de "descanso", antes de ser entubada
  • Informação de todas suas características e substâncias no rótulo

Portanto, se a Talens oferece três linhas distintas, uma será obviamente melhor do que a outra, assim como cada linha mencionada da Lukas terá consideravel diferença. Fato comumente conhecido pelos artistas, o que me leva a acreditar que não há muitas dúvidas quanto a esse ponto. E finalmente, a diferença de preço. Se as linhas de tintas tipo estudante oferecem menor qualidade de substâncias, é esperado que elas não custem o mesmo. As tintas profissionais custam substancialmente mais caro do que as de linha estudante. Compare a diferença de preço das linhas da marca Winsor & Newton: a Winton (estudante) e a Artist´s Oil (Profissional). Compare a diferença de preço das linhas da marca Lukas: Terzia (Estudante), da linha Studio (Profissional) e a 1862 ("Master").

Mistura de Vários Pigmentos para Simular Uma Cor
Muitas cores são produzidas usando somente um pigmento. Há maneiras de "simular" uma cor semelhante a essa mas fazendo uso de uma mistura de vários pigmentos. Dois, três, quatro ou até cinco pigmentos. Quanto maior quantidade de diferentes pigmentos numa tinta, menos "pura" é a cor resultante. Quando comparamos por exemplo um Amarelo Nápoles feito de somente um pigmento com outro feito com quatro pigmentos, notamos que as naturezas dessas cores podem ser completamente diferentes principalmente quando misturamos essas cores com matizes de outras famílias cromáticas. A tinta que possui inúmeros pigmentos em sua composição gerará misturas mais acinzentadas ou menos intensas, enquanto a tinta feita somente com um pigmento pode gerar uma mistura de maior conformidade com o que achamos que surtirá da mistura. No caso do uso dessas cores de forma isolada, isto é, sem que misture-se a mesma a outras cores, a problemática de tintas poli-pigmentárias não é tão preocupante. Portanto, dependendo do tipo de uso que o pintor faz de uma cor, a melhor opção são as tintas mono-pigmentárias.

Diferentes Marcas, Mesma "Linha"
Fabricar uma tinta estudante e chamá-la de profissional não é a melhor idéia para ganhar seus clientes, a grande maioria dos fabricantes não são tolos. Um pintor que possui uma produção constante e intimidade com suas cores notará rapidamente sua inferioridade quando comparada com outra tinta honesta que tem o hábito de manipular. Mas, o famoso "gato por lebre" existe, e está disponível por aí. Mas são raros casos, portanto, não é preocupante. A grande dificuldade no entanto não é distinguir uma tinta falsamente profissional de uma boa tinta óleo, mas identificar quais as melhores opções dentre tantas linhas profissionais disponíveis no mercado.

O artista se encontra numa loja de materiais artísticos nos EUA a procura de uma linha de tinta profissional. O lojista lhe atende sendo muito solícito e paciente, trazendo as mais populares. Se essa situação estivesse ocorrendo literalmente, e o balconista fosse paciente a ponto de lhe trazer as linhas mais populares, o artista enfrentaria o dilema de ter de escolher entre pelo menos 9 diferentes linhas profissionais. Todas são de excelente qualidade, mas quais delas é então a melhor? Afinal, no rótulo, todas descrevem claramente seu "público alvo", usam a palavra "superior" ou "de qualidade", além do preço salgado. 

Talens Rembrandt: Linha Profissional

Na teoria, toda tinta "profissional" deveria atingir certos padrões de qualidade que caracterizam as mesmas como tintas de excelência, fazendo uso de todos os itens mostrados na lista pontual mostrada anteriormente. A ASTM (American Society for Testing and Materials), orgão nos EUA que cuida dos padrões de materiais, serviços, produtos e sistemas, assim como a ACMI (Art & Creative Materials Institute) controlam os padrões de qualidade das tintas, mas somente obriga que certas informações pertinentes a toxidade, inflamabilidade e outras informações pertinentes a segurança sejam colocados de forma clara nos rótulos. Certificações que conferem selos de qualidade superior para tintas na verdade não existem.

Apesar de existir um certo "padrão" esperado das tintas profissionais, nem todos seguem essas características a risca, a empresa que possui maior comprometimento com qualidade oferecerá certamente o melhor produto. Portanto, a diferença entre tintas profissionais, reside no livre comprometimento de cada fabricante. A razão daqueles que investem em qualidade não é bondade, mas a esperança de que o cliente note essa diferença e pague caro por ela. Outras linhas profissionais acabam por economizar em certos pontos de sua produção, usando materiais nem tão sofisticados, baixando o custo de sua produção mas ainda mantendo os preços altos. Esse tipo de empresa oferecerá um produto de preço relativamente próximo das outras mas com qualidade inferior.

Entendemos então que a inexistência de um órgão regulador deixa os fabricantes razoavelmente livres para produzir as tintas do modo que bem entenderem, e classificá-las como quiserem.Por fim, a conclusão é que não há nenhum selo nos rótulos, nos catálogos ou no preço que nos indique qual a melhor. O melhor a fazer, é literalmente comprá-las e tirar conclusões através do uso.


Mussini: Linha Profissional da Schmincke

A maioria dos artistas iniciantes não dispoem de meios para comprar uma infinidade de marcas e testá-las. Perguntar a um colega mais "avançado" na prática nem sempre pode ajudar: comumente os colegas compram o que os lojistas lhe empurram como "a melhor que temos", que invariavelmente é a linha mais cara da loja. Nos piores casos os colegas ou julgam os produtos pelo preço, levando sempre o que há de mais caro, mais barato ou que ajusta-se perfeitamente a seu bolso. Outras vezes, os colegas recusam-se a admitir que não conheçem certas marcas e acabam inventando qualquer resposta.

Como então, detectar uma marca de qualidade sem ter que necessariamente testar uma infinidade de produtos? A solução pode incomodar os imediatistas: é necessário que o pintor saiba ler os rótulos a procura dos elementos usados na tinta e é claro ter em mente as propriedades de cada pigmento, veículo, etc. O problema é que não há mágica ou método prático para avaliar qualidade sem testá-las. É necessário agir da seguinte forma: acumular informações pertinente aos produtos usados na tinta e testar diversas cores de diferentes marcas. Isso significa produzir testes, gastando tempo e dinheiro. É uma vasta quantidade de informação, trabalho e dinheiro, mas aqueles que se interessam verdadeiramente por qualidade, em todos os sentidos, naturalmente acabam por desenvolver um extenso banco de dados em sua memória para identificar e distinguir os componentes desejáveis e indesejáveis em um produto e testar sempre que possível diversas marcas.

Conformidade entre Cores de uma Mesma Marca
A grosso modo, cada marca de tinta deveria possuir um certo "padrão de qualidade" ou comprometimento com todas as suas cores em sua tabela. É claro: se o artista quer usar tintas profissionais, todas as cores da tabela de uma linha profissional deveriam ser de durabilidade e intensidades máximas. Se a empresa se compromete a fazer tintas profissionais, há geralmente um comprometimento padrão em todas as cores de sua linha profissional. Todas devem ser de qualidade máxima em todos os quesitos: intensidade, pastosidade, aderência, permanência, brilho, etc. Todas as cores devem receber atenção particular e oferecer o mesmo nível de excelência, conformidade.

Mas, o que poucos artistas compreendem é um pedaço desse quebra-cabeça que não está registrado em nenhum livro de pintura e que não é geralmente exposto em cursos ou instituições de ensino. Explicaremos a seguir.

Não Conformidade entre Cores de uma Mesma Marca
Já entendemos que algumas marcas de tintas possuem um padrão de qualidade entre todas suas cores. Mas, todas elas cometem deslizes (e acertos) em uma cor ou outra, o que pode gerar cores que estão "fora" desse padrão "geral" de sua linha de tinta. 

Uma famosa marca nacional possui em sua tabela algumas (somente algumas) cores que são feitas exatamente do mesmo pigmento usado em cores similares de outra famosa marca estrangeira classificada como profissional. A diferença entre tintas não se dá somente pela procedência ou natureza do pigmento usado na tinta, mas esqueçeremos isso por um instante e tomaremos como parâmetro de que essas duas marcas usam em certa cor específica exatamente o mesmo pigmento tornando-as completamente iguais nessa qualidade específica (cor). Isso é real, e aconteçe no mercado. São exatamente os mesmos pigmentos. No entanto, uma custa dez vezes mais do que a outra. Isso faz da marca barata (nacional) melhor ou pior do que a marca cara (estrangeira)?

Nesse cenário, um pintor que fez uso de uma tinta barata terá a mesma cor que outro pintor que por sua vez fez uso de uma tinta estrangeira de preço elevado. Absolutamente ninguem, naõ importa o quão experiente, poderia detectar que trata-se de marcas ou qualidades diferentes de tintas. Portanto a informação de que a linha de tinta barata é pior do que a cara não pode ser exatamente aplicada. Mas note aqui, o que confunde a todos: estamos tratando de UMA COR específica usada por duas marcas que possuem tabelas de cores que atingem entre 70 e 130 cores. Não podemos então julgar que uma marca que dispoem de 130 cores em sua paleta é melhor ou pior do que outra marca simplesmente por termos julgado UMA COR. É necessário que uma avaliação seja feita com outras cores de ambas as marcas.

É necessário entender que certos pigmentos apesar de possuírem a praticamente a mesma cor possuem variações de melhor ou pior qualidade mesmo sendo fundamentalmente feitos da mesma substância. Tomemos os cádmios por exemplo: alguns são mais intensos e mais duradouros do que outros, tudo dependerá do modo de produção ou procedência do mesmo. Apesar de absolutamente todos os cádmios serem muito duradouros e de cor intensa, é possível encontrar cádmios mais intensos e mais duradouros do que outros. Portanto, somente por que no rótulo temos a informação de que se trata de um cádmio amarelo, não quer dizer que podemos concluir de que a cor e a qualidade do pigmento é exatamente a mesma de outro cádmio amarelo de diferente marca. 



Maimeri Rinascimento: Profissional

O Branco de Titâneo pode ser usado como segundo exemplo. Existem grandes produtores de Branco de Titâneo, entre os mais famosos, a Dupont e inúmeros chineses. Alguns Brancos de Titâneo produzidos na China possuem menor poder de cobertura e intensidade levemente mais baixa, mas todos eles são fundamentalmente feitos de maneira parecida e com as mesmas substâncias. O que determina sua qualidade são pequenas mudanças na produção que geram pigmentos melhores ou piores. Dessa forma, duas marcas de tinta que levam o mesmo índice de cor em seus pigmentos irão mostrar-se diferentes em diversos graus. 

Um fenômeno mercadológico benéfico ao pintor também pode ocorrer: como o pigmento branco é um dos mais baratos do mercado, não sai muito caro para uma linha de tinta barata investir no mesmo pigmento do que a empresa de tintas profissionais, portanto, em termos de qualidade de pigmento, ambas podem ser exatamente iguais. O que pode mudar, é a qualidade do veículo, a dispersão e outros fatores que também devem ser considerados como diferenças. 

É possível traçar um paralelo da tinta a óleo com o vinho: determinada vinícula é famosa por um de seus vinhos tintos. No entanto, uma série de fatores delicados podem alterar o produto. A qualidade de uma safra de uva dependerá dos fatores climáticos, assim como o modo como o vinho é produzido também altera o gosto, mesmo se aquela safra for excelente. Ele sai de uma conformidade, de seu "padrão" tradicional. Determinado vinho poderá ser melhor ou pior dependendo da safra e do modo como foi feito. Na tinta, temos exatamente o mesmo princípio. 

Um exemplo de não conformidade. Um marca de tinta não usa sempre o mesmo fornecedor de pigmento. Determinado pigmento pode sofrer um grande aumento de preço, nessa situação, há duas soluções possíveis: descontinuar aquela cor ou encontrar um pigmento similar com outro fornecedor. No caso da segunda, ao procurar um novo fornecedor para um pigmento específico, como por exemplo um PB29 (Azul Ultramar), há sempre a chance de que a cor de um outro fornecedor não seja exatamente a mesma, significando uma mudança ou não confomidade. Esse compreendendo o melhor dos casos. No pior, determinada cor de uma marca específica que o artista estava habituado a usar, muda substancialmente de cor, textura ou até permanência.

Todos os fabricantes possuem um engenheiro químico responsável pela compra de pigmentos, pela pesquisa de durabilidade, pelo processo de fatura entre outras funções muito importantes. Quando um engenheiro sai de cena e um novo ingressa na empresa, muitas mudanças podem acontecer, e o que era uma coisa há dez anos pode deixar de ser no próximo. Assim como o vinho, as tintas possuem "safras" por inúmeros motivos, pois as variantes são muitas. Administrativos, logísticos, procura de materia prima, mudança no quadro de funcionários e obviamente pelo maior de todos eles: econômico. Afinal, as empresas existem para obter lucro. Essas mudanças podem afetar a qualidade padrão de alguma cor específica. Em certos casos, a mudança na cor pode ser drástica, em outros, imperceptível. Lembre-se então, que cada cor de uma linha de tintas é um produto completamente diferente e mudam com o passar do tempo. Determinada cor de uma marca específica sofre mudanças radicais ou sutil dependendo do ano de fabricação. 


Blockx: Profissional de Primeira Linha

Portanto, não há marca ou linha de tintas perfeita, assim como até as linhas de tintas conhecidas pela sua má fama podem oferecer algumas cores que se salvem e tenham qualidade próxima a uma linha profissional em algum nível de qualidade. Precisamos lembrar que é necessário avaliar as cores isoladamente, pois cada caso é um caso e de tempos em tempos tudo pode mudar. Daí a dificuldade de se dizer: tal marca é boa, tal marca é péssima. 
Sempre me perguntam com frequência: tal marca é uma tinta de qualidade? Minha resposta é sempre a mesma. De maneira geral, sim, é uma boa marca, mas de qual cor dessa linha estamos falando? Certa marca é mundialmente conhecida por ser usada por artistas muito exigentes, mas há quatro ou cinco cores em sua linha profissional que não estão em conformidade com outras cores excelentes de sua tabela. Portanto, se estamos julgando essas cores especificamente, minha resposta seria diferente. Talvez, para essas cores, seria melhor adquirir uma outra marca, substituindo por pigmentos superior a esses.

O correto, novamente, é analisar cada cor em particular e sempre dar novas oportunidades em diferentes épocas para velhas marcas, até mesmo aquelas que não possuem grandiosa fama. No entanto, lembre-se que a maioria das marcas possui um certo "padrão de qualidade" ou comprometimento que só mudará com mudanças radicais na empresa que nesse caso pode até compensar mudar o nome do produto e começar do zero. 

Tintas "Premium" ou de Excelência Absoluta
Há, dentro do círculo de tintas profissionais, aquelas que se destacam enormemente entre outras. As diferenças não estão somente na qualidade das substâncias usadas mas no modo como são produzidas, na quantidade de cores disponíveis em sua paleta, no uso de pigmentos que geram cores "exclusivas", no uso de veículos mais que especiais e na maneira praticamente artesanal de como são feitas. Essas tintas, que poderiam ser chamadas de tintas "premium", são obviamente um produto somente para aqueles que exigem o máximo de qualidade e estão bem a frente de outras tintas profissionais de natureza mais industrial. São itens de luxo, mas que também devem ser observadas com cuidado, pois isso não quer dizer que toda sua linha esteja em conformidade. Lembre-se, cada cor é um caso a parte, não importa a marca ou sua fama.


Old Holland: Profissional de Primeira Linha

Definindo "Diferença"
Quando alguem nos pergunta se essas diferenças das cores entre diferentes marcas podem significar grande ou pequenas mudanças na qualidade de suas obras, fico sempre relutante em responder pois eu nunca poderia fazê-lo. Dependendo das cores e dos fabricantes em questão, há diferenças notáveis ou pequenas diferenças. Quando tratamos de "grande diferenças" qualquer um pode entender e ver que a diferença é obviamente clara.

Mas quando as diferenças são pequenas, são nesses casos que tudo se complica. Quem pode medir o que significa uma "pequena" diferença cromática num trabalho artístico? Tudo é completamente relativo e pessoal. Essa é a questão que muitos não entendem, chave para solucionar todas as nossas problemáticas: uma "pequena" diferença de cor poder ser imperceptível para determinado pintor, enquanto para outro, pode ser sufocantemente gigante, inaceitável. Essa é uma pergunta que cada artista deve responder, pois cada um tem um trabalho diferente, uma visão e conhecimento de cor e também seus próprios padrões de qualidade pertinentes a uma série de questões materiais e poéticas.

Materiais Importados Vs. Nacionais
Apesar de movimentarmos uma enorme soma anual de materiais artísticos o Brasil ainda engatinha na área quando comparado a europa e principalmente aos EUA. Isso é parte de um reflexo econômico e parte de um reflexo cultural. Em primeiro lugar, no Brasil a demanda de atividades culturais, como a atividade de pintura artística, é baixa pois não há demanda. Num país onde a pobreza assola grande parte de nosso território o cidadão ou despreza as atividades culturais por não ter cultura ou por falta de verba para praticá-la. Os europeus e norte americanos, com séculos de economia mais forte obviamente possuem maior oferta e procura, movimentando a industria de materiais artísticos com quantidade e níveis de qualidade muito diferentes dos nossos.

Mas, o mercado de tintas artísticas no Brasil vem lentamente (muito, mas muito lentamente) mudando. O número de cores de nossas marcas veem aumentando a todo ano. Algumas já oferecem bons substitutos para cores fugitivas ou impermanentes. A Corfix, como exemplo, oferece informações sobre seus pigmentos nos rótulos, e não estou falando somente sobre transparência ou durabilidade, mas o índice de cor dos pigmentos, informações que deveriam ser obrigatórias em todas as marcas e que vergonhosamente apenas essa marca se dispôs a incluí-la. Isso não é um mérito, mas obrigação das empresas sérias de tintas artísticas. O Brasil ainda não tem uma linha de tinta voltada a pintores extremamente exigentes, uma linha de tinta "premium", de calibre profissional indiscutível, e sinceramente, não consigo visualizar isso acontecendo num futuro próximo. O único meio é importar via correio ou nas lojas especializadasa por preços astronômicos devido as obscenas taxas de importação de nosso país.


Williamsburg: Profissional de Primeira Linha

Quase todos os professores de pintura, lojistas e hobbistas dizem o mesmo: as tintas nacionais são de baixa qualidade e as tintas importadas são superiores. Não podemos esquecer que o número de tintas importadas é vastamente maior do que as opções nacionais já tornando de antemão uma comparação injusta. Considerar qualquer tinta que não seja feita no Brasil como superior é um exagero, pois existem inúmeras marcas estrangeiras de baixíssima qualidade. Indianas, francesas, italianas, inglesas e americanas. Todos os países também produzem tintas de baixa qualidade.

Por outro lado, a realidade é esmagadora: a grande maioria das tintas estrangeiras possuem tintas de melhor qualidade do que as nacionais. É uma triste verdade. E as tintas mais prestigiadas do mundo, de qualidade absoluta, os verdadeiros "tops", sequer possuem um representante que não européias e norte americanas. 

Conclusão
É muito provavel que mesmo depois de ler esse artigo, a maioria continuará com os mesmos hábitos: comprar a mais barata, nunca pesquisar sobre pigmentos e perguntar qual é a melhor para o balconista. O pintor que pensa estar economizando por comprar todas suas cores de uma mesma marca de tinta (a mais barata do mercado) está na verdade se enganando. O mesmo acontece com aquele que pensa estar usando a melhor tinta do mundo simplesmente por comprar todas as suas cores da linha de tinta mais cara do mundo. Deve-se na verdade, procurar entender sobre os pigmentos usados na industria e tentar identificar quais são as linhas de tintas que primam em todo o processo de fatura. Nenhuma linha ou marca lhe oferecerá isso com todas as suas cores. Nenhum artista que de fato entenda sobre as propriedades dos pigmentos usará cegamente sempre a mesma marca de tinta para todas as cores que usa. A experiência, o conhecimento, a pesquisa e a tentativa e erro lhe indicará, com o tempo, quais são as cores boas de determinada marca quando comparada a outras.

Há entretanto uma certa constante em algumas marcas tradicionais, aquelas que costumam primar por sua linha como um todo, fazendo-as marcas mais confiáveis. Mas como vimos antes, isto não quer dizer que todas suas cores sejam superiores. Outras marcas, mais preocupadas com um lucro fácil, acabam por escolher fornecedores que supram seu estoque de materia prima com por exemplo, cádmios de segunda linha. Ao invés de comprar uma imitação de cádmio, a empresa poderá escrever em seu rótulo que se trata de um cádmio genuíno, no entanto, é um legítimo cádmio de segunda linha. Isso quer dizer que não se pode confiar inteiramente na fama de uma empresa, somente ao testar determinada linha comparando-se com outras, poderemos entender qual de fato se mostra como a melhor. Compare, teste, analise, essas são as maiores ferramentas a seu dispor na busca por maior qualidade.

É pertinente lembrar que isso não deve criar pânico nos pintores: apesar dessas diferenças existirem, em alguns casos podem significar pouca diferença para seu trabalho. Mas os leitores devem saber que elas existem e somente a atenção e o cuidado podem detectá-las. O profissional deve decidir sempre pesando as relações entre diferença de preço e o grau de diferença entre as cores. Muitas vezes viável em termos de custo vs. qualidade enquanto em outras situações sem expressão suficiente para efetuar a substituição da marca usada em sua paleta.

Vale a pena ter que ler tanto sobre pigmentos, marcas, modos de produção para muitas vezes ter uma leve mudança de qualidade? Em primeiro, como já vimos, essa mudança nem sempre é pequena, em outros pode ser grande. Nesse caso, sim, vale muito a pena. Em segundo, existem pintores que se preocupam simplesmente em pintar e outros se preocupam não somente em evoluir técnicamente mas em todos os níveis possíveis de qualidade a seu alcançe. Conhecimento nunca é demais. Voce é o único que pode decidir que tipo de pintor deseja se tornar. 


BIBLIOGRAFIA
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
GOTTSENGEN, Mark David; Painters Handbook; Watson-Guptill; 2006.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2013.
ACMI; Art & Creative Materials Institute; 2013.


43 comentários:

  1. Excelente artigo! Parabéns!
    Realmente a escolha dos materiais é complexa e demanda, mais do que tempo e dinheiro, conhecimento e interesse.
    Se sairmos da pintura, e pensarmos em materiais de outras modalidades artísticas, o quadro é ainda mais precário, pois temos ainda menos oferta de materiais importados e praticamente nenhuma alternativa nacional.

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  2. Caro Renato, é totalmente verdade. Infelizmente, os pintores são os menos prejudicados. Mas, as coisas estão mudando... devagar, mas mudando! Grande abraço!

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  3. Excelente post, marcio! Muito do que vc escreveu ai vc já tinha falado no workshop que vc deu aqui em Salvador. E foi ótimo relembrar muita coisa e ter mais detalhes de todo este complexo mundo das tintas. Eu como ainda sou estudante, fico nas mais baratas(corfix, winsor etc), pois nao terei minhas telas negociadas, sao apenas estudos. Mas, sabe o que eu tenho feito? eu compro uma cor ou outra profissional pra ficar exatamente testando. Vendo a diferença da a textura, a pigmentação a forma como ela se espalha etc. faço pequenos testes pra ir sentindo a diferença, mas obvio economizando bastante. Quando eu comecar a pintar profissionalmente, já estarei mais apto pra entender o que é melhor pra mim. Excelente post!

    Hiram

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  4. Caro Hiram, voce é um dos leitores mais fiéis do Blog, nos acompanhando praticamente desde o início. Sou muito grato por isso, e foi pensando em artistas exatamente como voce, interessados e aplicados, que resolvi criar a Cozinha.

    A prática que me relatou e seu comentário é fundamental para que voce se familiarize-se e crie intimidade para aproveitar melhor sua decisão de compra e seleção de pigmentos de qualidade. Está no caminho certo. Um forte abraço a voce e a todos meus amigos em Salvador!

    Seu amigo,
    Marcio Alessandri

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  5. Não há nenhum livro publicado com a qualidade de informações impressionantes que você escreve em seu Blog. A Cozinha da Pintura é hoje uma formadora de opiniões, um "livro virtual" de cabeçeira. Parabéns novamente, pelo artigo fabuloso!

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  6. Gostaria muito mesmo que todos os meus alunos lessem este artigo maravilhoso antes de chegar no meu atelier com tintas da Gato ou da Acrilex e me disessem que é tudo a mesma coisa!
    Marcio seu trabalho é divino e nos alenta a continuar produzindo mesmo com tantas dificuldades!!! Parabéns!!

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  7. Cara Katharina, agradeço pelas palavras gentis. As tintas estudantes não são inúteis. São boas para treinar, para fazer estudos rápidos, portanto, devem ser usadas sim. Mas, se o artista tem CONDIÇÕES de gastar mais, comprando tintas de qualidade mesmo para ESTUDOS, ele deve fazê-lo. Canso de ver alunos e colegas que usam roupas de marca, tênnis caros, carros de luxo mas que não investem em materiais. Não faz muito sentido. Forte abraço e obrigado por sempre acompanhar do Blog!

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  8. Dear Marcio, your knowledge is amazing. Im lucky to have you as my friend on the forum. Google translator does a pretty good job translating your website. You´re what we call a real "colourman". Kudos!

    Your friend,
    George Zimmermann

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  9. George, first of all, thanks a lot for your kindness, really appreciated. What can I say? You´re too much! We had some real fun on the forum, eh? Those were good times indeed. I appreciate for taking the time on writing a few words here. I hope you´re still practicing and confronting the canvases everyday. Please, send my best regards to all the guys!

    Best!

    PS: Please, tell Murray that the last few batches of that test are ready, but I didnt went to all the trouble having scanned yet. Will do in some weeks I hope.

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  10. Fascinante. Já havia visto o anúncio na Casa do Artista mas nunca havia passado aqui pra dar uma olhada. Parabéns pelo trabalho! Manuel Vaz

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  11. Grande Márcio, como sempre seu conhecimento nos faz despertar para o quão complexo e importante é o conhecimento sobre tudo o que envolve o mundo da pintura. Como você mesmo disse, acredito que um dos principais fatores para o "descaso" com a qualidade do material utilizado no Brasil é o amadorismo com que a arte é tratada por aqui. No fundo, a maioria das pessoas que trabalha com arte, mesmo que quase profissionalmente ( tem excessões claro...)tem uma cultura preconceituosa a respeito desse assunto, daí o fato de "taxar" que tinta e material é tudo igual!
    Muito obrigado mais uma vez!

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  12. Matéria fantástica! Marcio eu particularmente gosto sempre dos textos detalhados principalmente vindo da Cozinha da Pintura! Vamos ser sinceros o blog é único no Brasil e faz parte do meu dia dia e de muitos!
    Quanto mais eu pratico mais tenho a necessidade de uma tinta melhor...o tal do sufocamento gigante! Pra mim são vários itens negativos que me apavoram, entre eles a baixa carga pigmentária ao adicionar o branco perdendo muito rápido a cor (matiz), a falta de padrão na textura acredito que seja o espessante, o aglutinante, os enchimentos, o descanso antes de ser entubada e o que me deixa louco é quando estou estudando uma vídeo aula e ao tentar chegar a cor desejada usando a mesma cor mas só que composta de dois, três, quatro pigmentos, chego a um quase cinza, bom pra pintar o Dragão-de-komodo.
    Essa matéria veio em boa hora para reforçar meu desejo maior em usar tintas profissionais e Marcio uma das tintas da linha profissional mas em conta seria a Winsor & Newton Artists' Oil Colors e seria interessante pois venho estudando o método do pintor e ilustrador Morgan Weistling e tem uma série de cores "exclusivas" como Permanent Mauve, Terra Rosa, Transparent Brown Oxide, fora que o mesmo Viridian, Cadmium Yellow ou qualquer outra cor da W&W difere de outra marca e vice e versa trazendo um resultado diferente.Fora a dickblick você conhece outra e no Brasil quem trabalha com a Winsor & Newton Artists' Oil Colors sob encomenda?
    Eu usei muito a pébéo XL studio e a huile studio que acredito ter sido a linha estudante no passado e não me lembro de ter sido citada no blog como boa opção ou não na linha estudante. Pra mim a linha estudante que eu melhor me adaptei foram a Van Gogh (eu meio que considero estudante) Winton (tenho um tubo da W&W Winton de 200ml cadmium Red Deep Hue de 1998 e parece de melhor qualidade o pigmento ao atual, pode ser um exemplo de não conformidade?), Pébéo XL Studio e a Corfix.

    Abraço!
    Luciano Reston.

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  13. Caro Raphael, muito grato por sua mensagem! Grande abraço!

    Caro Luciano, voce pode encomendar as cores que precisa da Artist´s (W&N) na Casa do Artista. O Cadmium Red Deep Hue é uma imitação de cádmio, portanto, nunca terá a mesma intensidade cromática de um cádmio verdadeiro. Procure comprar o Cadmium Red Deep que NÃO SEJA o "hue" (imitação). Fico muito grato com suas palavras generosas! Um abraço!

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  14. Maravilhoso e instigante, me orgulho muito de ter lido esse texto, não sou bajulador, sou um artista que quer compreender como se chega onde quer. Muito obrigado.

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  15. Caro Anônimo, fico muito contente. Esse é o caminho! Um grande abraço!

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  16. jurandir alves de oliveira15 de abril de 2014 11:15

    bom dia
    sou pintor há alguns anos, mas sempre um aprendiz... e aprendi muito com seu artigo... encomendei, via internet, várias tintas da marca Williamsburg e estou aguardando ansiosamente a chegada...
    Será que não poderíamos fazer algo sobre as altas taxas de importação quanto aos materiais de pintura? Recentemente, importei um cavalete francês e, mesmo com a taxa de importação valeu a pena... Imagine se as taxas fossem mais baixas!

    abç

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  17. caros amigos da cozinha da pintura,a tinta a oleo artist da maimeri é uma tinta profissional ou intermediaria? grande abraço.

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  18. Caro Anônimo: A Maimeri possue hoje três linhas principais e duas linhas "especiais". As principais são a Linha Puro: profissional, a linha Artisti: intermediária e a linha Clássico: estudante. As linhas "especiais" são: Restauro e a Rinascimento, que podem ser consideradas profissionais. Grande abraço!

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  19. sempre leio bastante os post do cozinha da pintura antes de comprar tintas,estava lendo sobre o sombra queimada, na matéria teste de pigmentação,onde um leitor fala sobre o sombra queimada da corfix e depois que ele usou o sombra queimada da (WeN)não parou mais pois disse que era brilhoso e intenso,antes de comprar recordei o que você disse a outro leitor em outra matéria,onde você fala que se for comprar uma determinada tinta entre wen e schmincke, se esta estiver disponível na mussini como nono pigmentada levaria a mussine no ato, foi o que fiz e estou satisfeito com a tinta, é ótima como você mesmo citou 100% feita de terras naturais uma ótima opção de compra, um grande resultado nos trabalhos, como você fala sempre, eu gosto da concistência da mussini e não da pasta amanteigada. José Carlos

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  20. Estou conhecendo a nobre arte da pintura. Os comentários e artigos são magníficos.

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  21. caro amigos da cozinha da pintura, nem sempre a gente tem dinheiro suficiente para comprar tintas com valor muito alto, mas também não quer comprar tinta nacionais ou estudantes, devido ter começado a pouco tempo fico um meio perdido entre as tintas profissionais com tantas ofertas via internet, gostaria de saber se não for incomodo é claro sobre a linha artist da maimeri, ela seria comparável a lukas 1862 a artist oil da WeN lefranc norma. grande abraço.

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  22. Caro colega, Lefranc é a marca e não a linha. A Norma não é a linha profissional da Schmincke e sim a Mussini. Apesar da 1862 (Lukas), Artist´s Oil (W&N) e Artisti (Maimeri), Mussini (Schmincke) serem todas profissionais, todas possuem alguma diferença entre sí. É complicado. Respondendo objetivamente sua dúvida, essas linhas são "correspondentes", de forma geral, em qualidade, mas algumas cores podem mostrar maior ou menor diferença de qualidade dependendo da marca. Recomendo que compre algumas poucas cores de uma marca e teste-as. Depois que se habituar com a mesma, teste as mesmas cores de uma marca diferença. O processo de um entendimento mais profundo entre as diferenças de marcas profissionais de fato leva algum tempo. Grande abraço!

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  23. obrigado marcio, fiquei muito satisfeito com sua resposta a minha dúvida,vou testar algumas marcas por ums tempos e ver o que vou apurar no final, a pergunta sobre lefranc, é que a casa do artista vende uma tinta da lefranc, apenas com esse nome eles não especifica a linha, nunca comprei pois afinal nem sei se é profissional ou estudante, grande abraço.

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  24. Caro colega, a Lefranc possui duas linhas: a Artist´s Oil (profissional) e a Louvre (estudante). Se eles não especificaram a linha é provavelmente a primeira (Artist´s), linha profissional. A cor dos tubos é de um tom metálico claro. Os tubos da Louvre são brancos. Grande abraço!

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  25. Olá Marcio, por coincidência estava comentando sobre a qualidade de tinta hoje no Ateliê Dias, aqui em Salvador, e encontro este artigo aqui. Sou pintor amador, em busca de crescimento teórico e prático, e só tenho a agradecer a sua generosidade e doação para divulgar seus conhecimentos aqui no blog. Parabéns e obrigado!

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  26. Caro Beto, obrigado por suas palavras! ande um forte abraço aos meus grandes amigos de Salvador, especialmente ao Gil, Flávio e Evaldo!!! Grande abraço a todos!

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  27. Gostaria muito de lhe parabenizar não só pelo artigo mas por todo o site (estou lendo artigo por artigo). Eu ressalto que muita gente não tem dinheiro mesmo para investir em material. Alguns colegas da UnB às vezes não tem dinheiro pro almoço. É uma dura realidade e são verdadeiros exemplos de esforço para se manter nos estudos de arte.
    Em compensação acho imperdoável que quem pode, não se informe e aprenda e saia dizendo que é tudo a mesma coisa. Eu também sou uma pesquisadora, desenvolvi um material para gravação que não se vende no Brasil mas ainda tenho muito que melhorar. Muito obrigada por tanta informação e "atalho" para nós que queremos fazer uso do melhor.

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  28. parabéns pelo artigo esta ótimo e esclarecedor,estava olhando todos os artigos da cozinha e pesquisando alguns sites iternacionais e acabei concluindo, que pintar não é exatamente uma tarefa fácil quando se quer trabalhar com materiais de boa qualidade,não so pelo fato do preço de tintas profissionais serem bem caros quando o artista realmente quer marcas tops,( williamsburg old holland blockx vasari mussini etc...)mas também pelo cuidado ao trabalhar com essas tintas os sites brasileiros não costumam colocar os selos nas cores, mas no site da dick blick é possivel identificar quais tintas são toxicas e quais não são,pedem rigorosamente um cuidado com o branco de chumbo e esquecem dos cádmios os cobaltos, todos com selo CL e algums com selo 65 do estado da california, por conter produtos que causam câncer,o branco de zinco da (WeN) leva selo CLe 65 uma tinta aparentemente atoxica,para pessoas descuidadas ou que não conseguem pintar sem se sujar de tintas talvez seja até melhor usarem tintas com menor cargas de pigmentos. grande abraço

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  29. Excelente artigo, mas poderia então ter indicado algumas marcas e modelos profissionais.

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  30. Caro Ssemr, favor ler o artigo "TOP 5 Tintas Premium", acessível na barra lateral a esquerda do site. Abraço.

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  31. Boa noite. Sou novo aqui no cozinha da pintura, mas já li todos os artigos e quero parabenizá-los pela excelente qualidade das informações. As minhas dúvidas são sobre as novas tintas a óleo solúveis em água. A Royal Talens, por exemplo tem a linha Cobra artist e study. Será que a qualidade da linha artística solúvel em água (que custa a metade) é a mesma da rembrandt? Acho chato usar aqueles solventes com cheiro desagradável, seria melhor usar as tintas convencionais e um solvente sem cheiro como ecosolv e outros? Quais os solventes de odor reduzido conseguem manter uma pintura de excelente qualidade? Desde já agradeço.

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  32. Caro Márdio,

    Minha pesquisa é focada em materiais tradicionais, portanto, o óleo miscível em água não faz parte do recorte no qual me dediquei nos últimos anos. Não me arriscaria a lhe responder com cem por cento de certeza, nunca usei esse material e francamente, não me vejo fazendo uso do mesmo nos próximos anos. Os materiais tradicionais já me ocupam de modo intenso.

    Mas, o que posso lhe dizer é que: voce não precisa usar solventes para pintar. Recomendo que leia o artigo disponível aqui chamado "Pintando sem solventes". Um grande abraço!

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  33. Como sempre, um artigo escrito por um profissional! Parabéns, Márcio, por este blog que acompanho de perto há alguns anos e onde busco sempre sanar minhas dúvidas! Um pouco do conhecimento que tenho hoje sobre o assunto devo também a você! Parte da minha pratica com pintura também é dedicada a esses estudos, pois não há como ser um pintor completo sem um grande conhecimento dos materiais que usamos. Da minha parte, não uso marcas que não sejam de boa qualidade, mesmo na linha estudante. Abraço!

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  34. Muito obrigado pelas palavras gentis Mazé! Um grande abraço!

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  35. Amei o artigo. E o blog todo. Muito obrigada!

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  36. Márcio, como sempre, excelente artigo.
    Sempre aprendendo comos artigos publicados na Cozinha da Pintura.
    Parabéns!

    Ultimamente tenho usado as tintas Lukas 1862 (depois de ler o artigo da Cozinha) e tenho gostado bastante, principalmente o Cadmium Yellow (gr3), burnt siena, ultramar, cobalt (gr4) e Ivory black. Não acertei os verdes e nem os vermelhos. Usei Maimeri puro (primary yellow e primary red) mas achei muito transparente apesar da forte pigmentação.
    Como os preços das tintas estão lá em cima não dá para fazer as experimentações...

    Pra tentar baratear os custos vou pedir para trazerem do Miami.
    Você teria alguma indicação da lojas de tintas em Miami ou sites de lá?

    Grande abraço,

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  37. Meu caro Nobuo,

    A aposta mais certa em disponibilidade de marcas e preço, nos EUA é o site ou as lojas da Dick Blick.

    www.dickblick.com

    Um grande abraço!
    Marcio

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  38. Prezado Márcio,
    Ciente de sua preocupação em oferecer informações úteis e pertinentes, permita-me fazer uma ressalva quanto à marca Talens. A linha Amsterdam refere-se às tintas acrílicas, e dividem-se também em estudante e profissional. A linha estudante é denominada de Standard e a profissional, Expert. Veja o link:
    https://www.royaltalens.com/information/colour-charts-and-brochures/brochures/

    Esta loja é a representante da Talens no Reino Unido. Eles enviam para o Brasil:
    http://iartsupplies.co.uk/art-painting-supplies/uk-acrylic-paint.html
    Abraços,
    Silvia Tessuto

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  39. Cara Sílvia, não. A linha Amsterdam de ÓLEO é um produto amplamente conhecido pelos artistas, muito popular e antiga, anterior a linha acrílica.

    Uma das linhas Acrílicas é que recebeu posteriormente o nome Amsterdam. Procure no google pelas palavras chave "Talens Amsterdam Paint" ou "Talens Amsterdam Oil" e veja as fotos do produto.

    Não citei as linhas acrílicas por que o artigo era de fato mais voltado para a tinta óleo.

    A revendedora oficial da Talens no Brasil é a Casa do Artista, desde os anos 80.

    Abraço

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  40. olá marcio, se não for incômodo gostaria de saber qual é a sigla do pigmento mais usado pelas marcas profissionais para a cor verde vessie,pois comprei um tubo da linha williamsburg é feito com tres pigmentos, apesar do forte poder de cobertura eu não gostei muito, como compro via internet não tem como saber se feita com um pigmento ou com varios. abraços!

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  41. Anônimo, o Verde Vessie original é raramente usado hoje, pois é um pigmento vegetal impermanente, possuindo índice NG2 ou PG2. Os substitutos monopigmentários mais usados são os PG7, PG8 e PG36. Grande abraço!

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  42. valeu Marcio muito obrigado,vou ligar para as lojas antes de fazer o pedido e perguntar com qual ou quais pgmentos são feitos a tinta verde vessiê, de determinada linha ou qualquer outra tinta que eu queira comprar, acho que o caminho mais viavel seja esse! grande abraço.

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  43. Eu usei por muito tempo as tintas nacionais de fundo e terminava com as tintas importadas. Pena ter achado seu blog só agora. Estou amando ler todos os comentários. Estou determinada a mudar. Parabéns Alexandre, está fazendo um trabalho com muita sabedoria, sua ajuda para mim está sendo essencial.

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