segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pincéis

Muitos leitores pediram um post sobre pincéis. Devido aos inúmeros pedidos acredito que esse será um post bem popular. Gostaria de lembrar que veremos nesse artigo somente pincéis úteis a pintura a óleo. Não me ative a muitas minúcias e procurei fornecer alguma consideração básica mas fundamental. 

Tamanhos
É interessante que o artista tenha primeiro em mente o tamanho da obra que pretende pintar para que possa então escolher os tamanhos de seus pincéis. O tamanho dos pincéis sempre dependerá do tamanho da tela ou painel que irá pintar, combinado com o tipo de técnica. Se sua técnica exige pinceladas pequenas para formar pequenos "blocos" de pincelada, pincéis menores devem ser ecolhidos. No entanto, para preencher grandes áreas de cor chapada, trinchas mais largas podem ser muito úteis. Se trabalhamos com uma pintura mais lisa e sem marcas, os pincéis menores serão usados somente para pequenos detalhes, pois nesse caso, um pincel muito pequeno pode marcar as áreas a serem pintadas. Os tamanhos dos pincéis são classificados através de números que vão desde o 001 (em algumas marcas) até geralmente o 20 ou 25, sendo esses últimos praticamente "pequenas" trinchas. Pintores miniaturistas ou que desejam acrescentar detalhes minúsculos certamente precisam de pincéis abaixo do número 0. Pintores muralistas, que criarão afrescos maiores do que 10 metros, certamente precisam de pincéis largos, acima do número 20 ou 30, assim como trinchas.

Um pincel de tamanho mediano, para uma pintura de proporções aproximadamente de 50 x 50 cm seria algo em torno do número 10 ou 12, enquanto os de número 25 ou 30 são pincéis consideravelmente grandes para uma pintura desse tamanho. É interessante lembrar que essa numeração não é exatamente universal.  Algumas empresas relacionam seus números de acordo com polegadas, outras com centímetros e outras usam números sem relação a sistemas métricos. Há marcas que possuem tamanhos e numerações compatíveis, geralmente as produzidas no mesmo país, enquanto existem marcas com boas diferenças de tamanho e numeração. É comum encontrar pincéis com um número particular, feito na alemanha, e outro pincel feito nos EUA com mesma numeração ser três vezes maior do que o primeiro. Portanto, é sempre útil levar seus pincéis velhos quando desejar adquirir novos pincéis e comparar os tamanhos.

Dimensão ou Largura do Ferrolho
O ferrolho é a cabeça, feita de metal, onde as cerdas ficam presas de um lado, e onde o cabo se encontra como base. A maioria dos pincéis possui ferrolhos feitos de metais leves e relativamente resistentes. Algumas ligas de metal costumam enferrujar, mas os pincéis profissionais são feitos com ferrolhos com variadas ligas que não enferrujam. A dimensão ou largura do ferrolho é importante, pois ela determina a quantidade de pêlos que o pincel carrega, ou sua grossura. Substantivamente, quanto maior a quantidade de cerdas ou a largura do ferrolho, mais grosso é o pincel e maior sua capacidade de absorção de tinta. Note como alguns pincéis podem ter o mesmo tamanho, mas a dimensão do ferrolho pode ser levemente diferente. O pincel com maior dimensão de ferrolho possívelmente dará pinceladas mais longas pois é capaz de reter maior quantidade de tinta. Por isso é sempre importante considerar, na hora da compra, não somente o tamanho do pincel, mas averiguar se outras marcas possuem pincéis de tamanhos similares com diferentes tamanhos de ferrolho.


Diferentes formas ou formatos

Formatos
Encontramos várias formas ou formatos de pincéis. A forma como as cerdas se ajeitam é fundamental para o efeito que se quer atingir, e em alguns casos fundamental para o comportamento do pincel de forma geral. Veremos agora os principais formatos disponíveis no mercado (somente pincéis úteis para pintura a óleo):

Redondo
O pincel clássico tem formato redondo, que geralmente deixa rastros da mesma espessura a não ser que se empregue mudança de pressão enquanto se aplica a tinta. As marcas deixadas pelos pincéis redondos quando tocam o suporte, isto é o "começo" da pincelada, tem a característica de ser, claro, arredondada. Mas eles podem ser "arrumados" para que fiquem com o "bico" ou ponta com uma protuberância muito fina e pontiaguda, útil para fazer linhas finas e pequenos detalhes. O mesmo pincel, pode ser "modelado" com a ponta dos dedos para "abrir" suas cerdas e adquirir uma forma mais bojuda (como na foto abaixo), ficando consideravelmente mais grosso e podendo assim dar pinceladas mais grossas, cobrindo uma faixa maior quando arrastado. Mas essa modelagem só é possível em alguns tipos de pêlos, que veremos adiante. Os pincéis redondos também são encontrados em versões longas e curtas em comprimento dos pêlos. Os mais longos dão uma sensação de serem mais macios do que os curtos, embora seja uma mera questão do comprimento das cerdas. Os muito longos são difíceis de controlar a tinta, e os mais curtos oferecem maior controle, apesar de resultar em efeitos mais duros.

Pincéis Redondos: Clássico

Chatos (Flats)
O pincel chato possui ferrolho achatado, para enfileirar as cerdas de forma que lembre uma pequena vassoura, com a "ponta" das cerdas arrumada perfeitamente de forma quadrada. É particularmente interessante pois as cerdas arrumadas nessa maneira cobrem uma área maior, sem necessariamente ter de usar uma quantidade grande de cerdas no pincel.

Pincéis Chatos

As formas e marcas dos pincéis chatos tendem a ser mais duras e geométricas do que dos pincéis redondos. Se um artista costuma dar pinceladas curtas e contidas, a forma do pincel chato é muito evidente. Isso pode contribuir para certos efeitos de pintura que não seriam atingidos usando um pincel redondo.

Pincéis Chatos longos.

Existem marcas que oferecem os pincéis chatos em vários comprimentos, desde muito curtos até muito longos. Assim como os redondos muito longos, os chatos muito longos tendem a "dançar" mais, e são mais difíceis de ser controlados, causando efeitos completamente diferentes dos curtos. Os pincéis chatos de cerdas curtas são chamados de "Brights" por algumas marcas nos EUA.

Pincéis "Brights" (Chato, bem curto).

Filbert (Língua de Gato)
Alguns pintores gostam muito dos Filberts pois são pincéis polivalentes. Eles podem fazer pinceladas que combinem as formas dos chatos e dos redondos num único pincel. Aplicando a tinta somente com a ponta temos um efeito de linha fina e com aplicação de maior pressão, temos marcas de um pincel chato. Essa interessante variação também pode surtir pinceladas que começem de maneira fina e terminam de maneira grossa, criando efeitos interessantes. Existem muitas variantes nas formas dos Filberts, mas a premissa é que seja um pincel chato com uma ponta ou "bico". Existem marcas que fazem pontas mais extensas enquanto outras fazem praticamente um pincel chato com uma leve extensão ao fim. Filberts também são encontrados em versões um pouco mais longas e versões um pouco mais curtas.

Pincéis "Filberts".


Pincel Leque (Fan Brush)
Embora esse tipo de pincel seja "famoso" nas escolas de pintura de paisagem para "criar folhagens", esse não é exatamente sua função, embora possa ser usado para isso. A principal função do pincel Leque é para "espanar" tinta, ou arrastá-la de forma sutil e delicada. Muitas vezes, dependendo da técnica, é necessário que a tinta seja delicademente arrastada ou espanada de forma a se espalhar na superfície criando uma finíssima camada de tinta. É praticamente uma velatura mais seca, onde ao contrário de se cobrir uma área com tinta de forma uniforme, a tinta é "empurrada" numa ação de espalhar de forma mais seca as partículas de pigmento. Esse pincel é util nesse caso, devido a sua pouca quantidade de cerdas, que permite encostar no suporte e espanar a tinta exercendo pouquíssima pressão.

Pincéis Leque

Trincha
As trinchas são pincéis chatos e muito largos, com generosa quantidade de cerdas. São geralmente aplicadas em obras grandes, onde se quer cobrir uma extensa área de maneira chapada. A principal característica das trinchas, além de seu tamanho, são os cabos robustos e pesados, para que a ação de espalhar grande quantidade de tinta sobre uma grande área seja mais confortável e com maior firmeza. É especialmente útil para aplicação de verniz, mas somente as trinchas de pêlos muito macios.

Trincha

Caligráficos (Liners)
Os pincéis caligráficos são usados exatamente para o que seu nome sugere: caligrafia. Muitas vezes é necessário escrever algo ou representar numa pintura letras de rótulo, pequenas letras cursivas, e trabalhos que necessitem muitas linhas retas. Os 'liners" podem ser encontrados em muitos comprimentos, sendo cada vez mais difícil controlá-los a maneira que seu comprimento fica maior. Os liners que não são extremamente longos são especialmente úteis para fazer extensas linhas retas (assim como sugere seu nome em inglês) e para detalhes finos e precisos. Não existem liners de pêlos duros, somente feitos com pêlos nobres e macios.

Caligráficos: "Liners".


Tamanho das Cerdas
É bom lembrar que pincéis de pêlos longos serão naturalmente mais macios do que pincéis com o mesmo tipo de pêlos porém curtos. Além disso, pêlos muito longos oferecem uma série de características que podem ser aproveitadas. Os pincéis de pêlo demasiadamente longos (sobretudo aqueles de cerdas moles e naturais) absorvem e carregam mais tinta, portanto, são capazes de oferecer pinceladas mais longas, que se alastram por mais tempo que os pincéis de pêlo curto ou médio. A sua segunda característica mais importante é que tendem a criar maior imprevisibilidade durante o trabalho, pois como as cerdas são demasiadamente compridas, a ponta do pincel tende a "dançar" ou ficar "solta" durante a pincelada, a área onde temos maior controle é na base das cerdas, próximo ao ferrolho. É essa área que melhor obedeçe a pressão. Por isso, temos menor controle e tendem a deixar marcas mais soltas. Muitos artistas gostam dessa imprevisibilidade em seu trabalho. Os pincéis de pêlos curtos oferecem maior precisão no controle do pincel e deixam marcas mais "mecânicas" e menos aleatórias, pois são mais fáceis de controlar do que os pincéis de pêlos longos.

Memória
É importante que se diga uma das características que está relacionada ao tipo de pêlo dos pincéis. Chamamos de "memória" a habilidade que o pêlo possui para voltar a seu estado original depois de dobrado, torcido ou pressionado. Não se trata exatamente de elasticidade, mas uma outra espécie de propriedade de resistência inerente a seu pêlo, chamada de "snap" nos EUA, a característica de deformar mas rapidamente voltar a sua forma original . Se um pincel é pressionado para exercer uma aplicação não pode continuar nesse estado deformado, precisa de memória suficiente para aguentar todo tipo de tarefa, durante longo prazo e voltar a sua forma original.  Os melhores pincéis possuem essa característica. Aqueles que deformam e demoram a re-adquirir suas características originais não são adequados para a pintura a óleo.

Tipos de Pêlos
É o tipo de pêlo que ajuda na tarefa de absorver a carga de tinta, na resistência que faz ao arrastar a tinta, no tipo de marca que deixa, o tipo de memória que possui e na forma como o pincel responde a pressão da mão. Muita gente tende a escolher seus pincéis pelo preço, ou pelo tipo de pêlo, mas sem realmente entender um ponto importante. O tipo de pelo a ser usado estará diretamente relacionado com a consistência da tinta que se faz uso.

Portanto, quando escolhemos um pincel para pintura a óleo, a primeira pergunta que devemos fazer é: "Qual a consistência de tinta que uso?". É simples: se sua tinta é bem líquida, voce precisa de um pincel que consiga absorver substância líquida de maneira adequada, além de arrastar delicadamente a substância. Se o pincel tiver muita força, ou muita resistência (dureza) dos pêlos, ele deixará marcas. Se voce usa tinta grossa, voce precisa de um pincel que faça considerável resistência, caso contrário, as cerdas não terão força para empurrar a substância. A premissa básica é essa.

Pêlos Naturais Duros
Os pêlos naturais mais comuns são produzidos com inúmeros tipos de pêlos de animais, sendo o mais comum (e o melhor) o pêlo de porco (Bristle), retirados das costas do animal. São produzidos nas mais diversas regiões, mas os melhores pêlos vem da china, com elasticidade e durabilidade muito superior aos outros. Mas isso não quer dizer que todo pincel chinês de cerda de porco seja feito com "os melhores", pois na verdade, as cerdas de porco de qualidade são todas vendidas aos EUA e aos europeus.

Pincéis redondos "Bristles" alvejados

As cerdas desse tipo de pêlo são naturalmente "divididas" ou quebradas nas pontas, formando um cerda que possui várias terminações. Isso faz com que retenha mais tinta. Há pincéis de pêlo de porco de côr natural (branco levemente amarelado) e também os de pêlo de porco alvejados, resultando numa cerda perfeitamente branca. Os Bristles mais macios, as vezes são chamados de Camels, mas não possuem nenhuma familiaridade com os camelos, que possuem pêlos muito irregulares e sem memória.

São particularmente úteis para arrastar tinta óleo grossa, sem adição de medium, e também podem ser usados para tinta acrílica. É o pincel certo para arrastar tintas "teimosas", com pouca mobilidade, e para fazer block in de pinturas alla prima. Para os pintores que gostam de textura e que preferem deixar aparente as ranhuras do pincel, essas são as cerdas ideais, resultando em trabalhos soltos e repletos de textura. É muito mais difícil conseguir pinceladas rústicas e agressivas com pêlos macios. Mas é sempre com estar atento. Apesar das cerdas de porco serem geralmente duras, algumas cerdas naturais são mais macias do que outras, e não é raro encontrar cerdas de porco mais moles do que de costume.

Pêlos Naturais Macios
Os pincéis de pêlo macio mais úteis para a pintura a óleo são os de pêlo de boi. Geralmente extraídos da orelha do animal, os pêlos de boi são macios, embora grossos. Sua a grande vantagem é que são extremamente resistentes, e dificilmente se rompem ou ficam danificados. São muito polivalentes pois servem para trabalhos com tintas mais grossas (semi impastos) assim como para tintas líquidas com adição de medium e velaturas. Em compensação, apesar de aplicarem ambas consistências de tintas, não são exatamente perfeitos para tintas líquidas e velaturas, nem para impastes e tintas grossas, servindo melhor a técnicas de pintura alla prima, com tintas de linha estudante diretamente do tubo, talvez com pouca adição de medium. Não são pinceís comuns nos EUA, mas particularmente populares no Brasil e na China. São de cor marrom clara avermelhada, com diversas cerdas mais claras e outras mais escuras, com baixo custo.

Pêlo de Boi

O pêlo de esquilo é mais macio do que o pêlo de boi, possui certa variação de maciez devido a grande quantidade de diferentes espécies do animal e geralmente chegam perto da maciez dos pêlos nobres, ficando entre um pêlo macio e pêlo "quase" nobre, mas possuem menos memória do que esses. Por esse motivo, pincéis de pêlo de esquilo são geralmente melhores quando feitos com boa quantidade de pêlos, geralmente em pincéis de número alto (12 a 30) ou trinchas, pois a quantidade de pêlos somados exerce alguma força de sustentação ao todo, melhorando sua memória. O preço alcançado por alguns pincéis de pêlo de esquilo é próximo aos preços de pêlos nobres, valendo mais a pena em alguns casos, optar pelo segundo. São geralmente de cor escura, podendo variar os tons. São melhores para tintas mais líquidas de linha estudante, com uso de medium.

Pêlo de Esquilo.

Pêlos Naturais Nobres (Extremamente Macios)
Os pêlos nobres são provenientes das sub-espécies dos Mustelídeos, animais de pequeno porte geralmente de patas curtas, corpo alongado, rabo longo e seu habitat mais comum, mas não único, são as regiões frias. São animais mais comuns na região do leste europeu, embora o Canadá seja hoje um grande fornecedor de pêlos de mustelídeos. Algumas sub-espécies são o mink, vison, lontra, glutão, arminho, texugo, sable (marta), furão, fuínha, doninha, ariranha e o ferret, para citar alguns. O mustelídeo mais comum no Brasil é a ariranha, comum na bacia amazônica e no pantanal.

No caso dos animais europeus como os Sables (chamados de Marta no Brasil), os pêlos são os mais caros do mundo. Além se serem extremamente macios, poussem grande elasticidade, excelente memória e não deformam. A maioria dos pêlos nobres são geralmente retirados da ponta do rabo do animal, onde crescem em tamanho maior do que em qualquer outra parte do corpo. Os pêlos são geralmente retirados dos machos, durante o inverno. Muita gente acredita que a indústria retira os pêlos de animais ainda vivos, e que os mesmos continuam em cativeiro para que a pelagem volte a crescer, mantendo o animal vivo, mas é difícil comprovar o mesmo.


Pincéis redondos de pêlo macio: Sable.

A maioria dos produtores de pincéis se recusam a fornecer informações sobre o assunto, e somente uma das empresas estrangeiras consultadas admitiu extrair os pêlos das peles de animais mortos. Fica subentendido que a compra do material é feita por intermédio de profissionais que abatem os animais. O assunto é polêmico e cheio de tabus, não cabe aqui uma discussão sobre o tratamento dado a esses animais ou sobre esse processo de extração, que certamente tornaria-se um outro tipo de artigo.

O pêlo de Mongoose é mais adequado para tintas com mais corpo, pois tem maior resistência (mais duro) que os Sables, com estupenda memória, porém não são muito flexíveis. Mais indicados para tintas mais encorpadas ou com menos mobilidade corpórea, assim como tinta direta do tubo sem adição de medium.


Mongoose Amarelo

Os Sables (e suas inúmeras variantes: branco, preto, prata, azul, vermelho, etc) e o Kolynsky são ideais para tintas mais líquidas e menos pastosas, no emprego de velaturas e trabalhos extremamente delicados, para aplicações usando algum tipo de medium que deixe a tinta mais móvel, menos dura, assim como tintas a óleo artesanais. São de maciez incomparável, também usados para aquarela por causa dessa mesma característica. É comum escutar que, sendo o Sable o "melhor pêlo do mundo", é indicado a qualquer artista.


Sable comum do leste Europeu

Mas isso não é completamente verdade. Mais uma vez, uma "romantização" dos produtos excepcionalmente caros e a paixão pelo "exótico" controla os pintores que acreditam nisso. Os pelôs de Sable branco, negro, prata, azul, vermelho ou Kolinsky (Sables da península de Kola) possuem uma função muito específica: aplicação delicada de tinta que possua boa fluidez. Sendo assim, ele não é o "melhor pêlo do mundo" para aplicar impastos ou trabalhar com tintas mais densas. Se o seu trabalho não necessita de aplicações delicadas e sua tinta é pastosa ou com corpo denso, não há necessidade do uso desses pincéis.

Um bom exemplo, são artistas que trabalham com as marcas de tintas Williamsburg, Old Holland, Vasari ou Michael Harding´s, que devida a alta carga pigmentária, possuem textura arenosa quando usadas diretamente do tubo sem adição de medium. Nesse caso, comprar pincéis de pêlo Kolinsky, sobretudo quando se usa pintura indireta, não vale a pena. Se o artista gosta da sensação só alcançada com pêlos macios, o Mongoose pode ser mais adequado para esse tipo de tinta. Os Sables estão diretamente relacionados com a pintura em camadas que faz uso abundante de velaturas finíssimas. É por esse motivo que também é um grande favorito pelos aquarelistas, que usam tinta extremamente líquida.


Sable Vermelho (Red Sable).

No Brasil, a Tigre produz pincéis artísticos feitos com pêlos de "Marta Tropical". Sempre achei o nome um paradoxo, sendo que as "Martas" (Sables) são animais de regiões frias. Os pincéis de Marta Tropical são na verdade um blend de vários tipos de pêlos naturais, criado para simular a maciez do pêlo de Marta original. É um pincel muito bom, com execelente custo benefício, cumprindo o que promete. Possui menos "memória" do que os pincéis Sables originais, mas a maciez é muito próxima. A Tigre não disponibiliza maiores informações sobre o tipo de pêlos usados nesse blend.


Marta Tropical, da Tigre.

Mistos
Os pincéis de pêlos mistos são feitos da combinação de diversos tipos de pêlos naturais, combinando as diferentes características dos pêlos para resultar em maciez, memória, retenção de tinta e durabilidade customizados. É comum por exemplo, a venda de pincéis com um blend de Sable e esquilo, servindo para baratear o custo do pincel. O pincel de Marta Tropical, da Tigre, é um exemplo de pêlo misto.

Sintéticos
Geralmente uma parte dos produtos oferecidos em cerdas sintéticas, que promotem imitar as cerdas naturais, não cumprem o que prometem, e são duros demais. Mas hoje, alguns simulam os naturais quase perfeitamente. Uma das teóricas vantagens dos sintéticos, são a de que seriam mais duradouros. Minha única experiência, é a de comparação do Mongoose natural com o sintético. Em termos de conservação e durabilidade, o sintético é certamente mais duradouro, mas no entanto, é um pouco mais duro, e tende a conservar resíduos de secantes e resinas. Os sintéticos deveriam baratear a oferta de pincéis macios e nobres no mercado, no entanto, vejo que em alguns casos, isso não ocorre. Algumas variantes sintéticas possuem praticamente o mesmo preço do material natural. Uma observação importante, é que os sintéticos são opções interessantes aos pintores que preferem boicotar a indústria que faz uso de pêlo animal.

Tamanho do Cabo
O tamanho do cabo está relacionado ao modo como se pinta. Se voce precisa de pincéis para fazer pequenos detalhes minuciosos, é bom que o cabo seja curto, para não atrapalhar a atividade. Se voce pinta em "blocos" de cores, de modo solto e expressivo, é melhor que consiga pintar esses blocos de maneira que consiga vê-los de longe, enquanto pinta, portanto, cabos longos são ideais.

Durabilidade
Não existem pincéis que durem toda uma vida. O que determinará a vida útil de um pincel é a qualidade das cerdas, o sistema empregado para fixar as cerdas no ferrolho, a técnica de pintura usada com os pincéis, a frequência com a qual esse pincel é usado e a maneira e produtos empregados em sua limpeza. Para conservar as cerdas, deixar o pincel descansando em óleo vegetal não é uma pratica incomum, mas destrói o sistema de fixação de cerdas no ferrolho.

Apesar da limpeza ser fundamental para que o pincel esteja sempre em boas condições de uso e não seja corroído e desgastado pelos produtos de pintura (terebentina, partículas de pigmento, solventes, secantes, etc), é importante que saibamos que a própria ação de limpeza desgasta os pincéis. Principalmente as limpezas profundas e agressivas. O melhor, é sempre aplicar o processo de limpeza de forma delicada e com produtos de baixa agressividade. Para artistas que produzem constantemente, de modo diário, limpar os pincéis pode significar perdê-los em pouco tempo. Lavando-os profundamente, em uma base diária, agride a fixação no ferrolho e também deforma e quebra suas cerdas.

Para a limpeza, não é necessário nenhum tipo de produto especial. Retire o excesso de tinta com um pano ou papel toalha. Em seguida, faça uma lavagem inicial agitando o pincel em pouco de terebintina bi-destilada e limpe o excesso num pano. Para limpá-los mais profundamente, aqueça um pouco de água, suficiente para deixá-la morna, e esfregue delicadamente um pouco de sabão de côco neutro nas cerdas, manipulando com os dedos as cerdas, embebidas na água morna. É possível deixá-los algum tempo de molho na água morna, mas isso não é muito bom para o ferrolho e para o sistema de amarras com cola que segura as cerdas no ferrolho. Caso opte por essa lavagem mais profunda, deixe que o pincel seque de cabeça para baixo, para que a água escorra na direção oposta do ferrolho. Seque bem as cerdas modelando-as para que adquiram novamente sua forma original.

Marcas
Hoje, falar sobre marcas e modelos de pincéis é complicado, pois o mercado oferece um número gigantesco de marcas. O leque de opções é tão grande e as marcas possuem padrões de qualidades tão similares que sugerir uma boa marca ou modelo de pincel se baseia muito mais numa questão de gosto pessoal do que em qualidade de fato. Um outro ponto interessante a se observar, é que a maioria das marcas trabalham com linhas diferentes de pincéis. Assim como as tintas, existem linhas profissionais, medianas e de estudante. O problema é que nem sempre o produtor indica qual o nível de qualidade de seus produtos e linhas, deixando para que o artista julgue por ele mesmo. Portanto, é importante que na hora da compra voce examine detalhadamente o pincel, e de preferência, compre alguns para testá-los.

Baseado em algumas predileções de mercado, sugiro algumas marcas e modelos de excelentes pincéis, que podem ser encontrados nas melhores casas de materiais de São Paulo, ou podem ser adquiridos via internet, através do site de lojas estrangeiras. Obviamente, esses não são todas as opções encontradas no mercado, e os artistas poderão encontrar uma infinidade de outras marcas e linhas tão boas quanto as sugeridas abaixo. Todos os pincéis escolhidos são de execelente custo benefício, nenhuma dessas linhas é extremamente cara.

Linha Estudante




Azanta Black (Bristles), Winsor & Newton.
As cerdas sintéticas duras desse Bristle de linha estudante são melhores do que as cerdas usadas nos pincéis nacionais, mas não são completamente perfeitas. O pincel costuma soltar e deformar cerdas com menor frequência do que o aceitável. Os cabos são sedosos e sólidos e os ferrolhos muito resistentes. É um excelente opção de custo benefício. Chatos, redondos, Filberts, em versões curtas e longas.




Linha Vermelha, Condor. 
Essa série de marca nacional é um bom pincel polivalente de pintura óleo. Os pêlos de orelha de boi avermelhados são de maciez mediana, tornando essas cerdas ideais para todo o tipo de tinta, com ou sem adição de medium. As cerdas são de excelente resistência, desgastam em médio prazo. Os ferrolhos são um pouco finos, não muito resistentes. Os cabos poderiam ser mais longos e com um verniz menos acetinado, pois tendem a grudar um pouco nas mãos. No entanto, tem um sensacional custo benefício. Chatos e redondos, em versões curtas e muito curtas (Brights).

É possível obter efeitos de velaturas com pincéis macios não necessariamente "nobres". Por esse motivo, minha sugestão de pincéis de estudante não inclui pincéis macios fora os de orelha de boi. Acredito que o alto preço dos pincéis de pêlo nobre descartam esses produtos como boas opções para os iniciantes, estudantes e hobbistas.

Linha Profissional




Monarch, Winsor & Newton
Essa linha oferece pelos sintéticos de Mongoose, com maciez média, de excelente durabilidade. As cerdas dificilmente soltam-se. Os cabos são longos, com um excelente verniz que não derrapa e não gruda nas mãos. O acabamento do pincel é perfeito, com ferrolhos muito atraentes (poderiam ser mais duros) assim como o cuidado em sua aparência. É uma excelente opção para quem usa tintas direta do tubo, sem adição de medium, e sem secantes. Especialmente excelente para tintas com alta carga pigmentária como a Old Holland, Blue Ridge, Vasari, Williamsburg e Maimeri Puro. Para tintas mais líquidas, como Rembrandt, Mussini e tintas artesanais, as cerdas do Monarch podem ser um pouco duras. O produto é sensível ao uso de secantes e resinas, tende a reter o resíduo deixando as cerdas coladas e diminuindo sua durabilidade. Não use a linha de tintas Mussini com esse pincel se quiser conservá-lo por mais tempo. Chatos, redondos e Filberts em versões longas e curtas.




Maestro, Da Vinci
A linha Maestro, da marca alemã Da Vinci, é um dos melhores pincéis de pêlo de porco do mercado. As cerdas são menos duras do que a maioria dos Bristles de outras marcas, muito flexíveis, com grande memória, não deformam ou se soltam facilmente. O acabamento é primoroso, com ferrolho resistente e muito bem niquelado, madeira nobre. É um excelente pincel para pintura alla prima, com bom custo benefício, um pincel duradouro.




Pinctore Linha 316, Tigre
De longe, o melhor pincel nacional de pêlo macio, a série 316 é excelente em todos os aspectos. Boa qualidade e quantidade de pêlos de Red Sable, ferrolho excelente, não solta os pêlos, cabo com bom acabamento, verniz excelente, bom comprimento de cabo. É um pincel que costuma sumir das prateleiras, e quase nunca possui disponível os números que voce precisa. O ponto negativo do produto é o preço, que é alto, mas trata-se de um pincel duradouro.




Langnickel 5590, Royal
Os pêlos muito longos, qualidade e capacidade de absorção de tinta dessa série de pincéis norte americanos tornaram-o um blockbuster nos EUA entre os profissionais. O 5590 da Royal possui um blend misto de vários tipos de pêlos naturais, resultando numa maciez média para alta, uma ferramenta polivalente tanto para tintas diretamente do tubo quanto para tintas mais líquidas com adição de medium. Soltam pêlos em demasia e não são muito duráveis, mas em compensação são pincéis baratos e ótimos para pintar. Chatos e redondos em versões muito longas e curtas.






Series 279, Rosemary's
A Rosemary´s (Inglaterra) fez uma versão sintética de Mongoose muito similar ao Langnickel 5590, conseguindo eliminar os problemas inerentes ao pincel concorrente. Os pêlos dificilmente se soltam, a qualidade da madeira, ferrolho e do acabemento em geral é superior aos da linha da Royal, e os pêlos são muito similares, mesmo sendo uma versão sintética. É uma grande escolha de pincel polivalente de bom custo benefício.










1105-R Series, Kolonok
Uma série de pincéis produzida na Rússia, mas vendido no Canadá e nos EUA. A série 1105-R é de pincéis redondos, feitos com o mais macio pêlo de cauda Kolinsky legítimo. Os cabos não são primorosos como das grandes empresas de materiais, como a Da Vinci, são em madeira natural com acabamento simples mas satisfatório. A qualidade (e quantidade) dos pêlos é fenomenal. Esses pincéis são uma verdadeira barganha quando comparado aos preços dos Kolinskys da W&N e das grandes marcas. Se voce tem o hábito de pintar somente em camadas, com velaturas, vale a pena o investimento.




BIBLIOGRAFIA
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
WARD; James; History and Methods of Ancient & Modern Painting; 1919.
GOTTSEGEN, Mark David; The Painter´s Handbook; Watson Guptill; 1993.



47 comentários:

  1. olá, marcio! realmente, um belo presente de natal, como me disse! excelente post, como sempre. gostaria de fazer algumas observações: quando você fala dos pincéis de pelo sintético, tenho percebido que eles se deformam muito rapidamente com o uso do solvente (terebintina ou aguarrás mineral). quando você se refere ao pincel da tigre 316, não quis se referir ao kolinski 319? nunca vi esta série 316...
    gostaria também de lhe perguntar algo que, creio, só será útil para meu trabalho, mas vamos lá: sempre quis saber como os pintores que se dedicaram a pintar barcos a vela pintavam aquela infinidade de linhas nos mastros. já fiz algumas obras assim e tive muita dificuldade com isso. se entendi bem, deveria usar um pincel redondo pelo muito longo. mas se ele tem comportamento de difícil controle para linhas que devem ser retas ou levemente curvas, o que me sugere?
    abraço e desculpe pelo longo comentário, rs...
    paulo de carvalho

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  2. E a cada vez a formiguinha se impressiona com gigante! Você é demais! Que maravilha! Pelo amor de Deus! Escreve logo esse livro criatura! vai ser
    blockbuster também! Adorei! Gasto um monte com pinceis e os mais finos então ufa perdem a forma muito rápido.Quando cuido deles para dar uma forma,moldo com sabão e quardo, mantem um tempo a forma mas com o uso volta a se desfazer,sair da forma.
    Parabens!
    AH! Esqueça não que quero uma dedicatória no Livro!

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  3. Olá Paulo, fico contente que tenha gostado! O Pincel da tigre é da série 316 mesmo, de Red Sable e não 319 Kolinsky. Tenho três pincéis da série 316 e dois da série 319, considero o primeiro, um píncel superior, por isso sugeri no artigo.

    Imagino que um pincel em formato caligráfico (Liner) possa ser uma boa opção. Faça um teste e não deixe de avisar qual sua experiência. Um abraço!

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  4. Ancerg meu amigo! O livro está nos planos sim, e já há uma editora interessada, não posso revelar o nome ainda. Mas vai ficar mais para frente, pois pretendo terminar primeiro o Mestrado. Os pincéis mais finos são sempre os primeiros a deformar mesmo! Mas pelo menos não são os maiores, sempre mais caros! Como voce disse, quando o pincel perde a forma, não tem muito jeito, o melhor é comprar outro para usar no lugar. Mas os pincéis velhos são sempre úteis para outras tarefas, voce sabe disso! Não vale a pena jogar fora. Um abração!

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  5. Paulo, tenho somente dois tipos de pincéis sintéticos, vários pincéis da Monarch e cinco pincéis Rosemary´s 279. O Monarch é um Mongoose sintético e o 279 é um sintético que imita o blend natural do Langnickel 5590. Nenhuma das duas linhas soltam pêlos ou deformam, e já uso ambos há mais de três anos. O Monarch em particular é muito forte e tem um pêlo de memória excessiva. Talvez a terebentina seja um problema... eu não costumo usar terebentina nas minhas pinturas, mas essa é uma ótima sugestão para eu fazer um teste. Seria interessante também testá-los com outros tipos de solventes, como o Óleo de Lavanda (Oil of Spike). Um abraço!

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  6. Gostaria de fazer uma observação quanto as linhas que perguntaram aqui,além dos pincéis é preciso firmeza e ai o tento ajuda.Outra forma é "vazar" a madeira,peque um pedaço de eucatex no formato de uma régua grande e faça um corte no comprimento dentro.Dai você vai deslizando o pincel.Também pode ser feito previamente,desenhando mesmo com reguas,dai você faz a imprimatura e sela e cobre com pincel Liner.

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  7. Boa dica do "tento" Ancerg, obrigado por ter lembrado e contribuido com a discussão! Abraço!

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  8. olá marcio e ancerg! gostei da idéia do molde vazado. só que imagino que em linhas levemente curvas fica um pouco difícil, teria que trabalhar com diversos moldes. às vezes uso a curva francesa, que ajuda um pouco. já ouvi falar também em cobrir uma linha de costura ou barbante fino com tinta e, com leve pressão, calcá-la sobre a tela (como um professor de geometria que tive fazia com giz sobre o quadro negro: lá funcionava!). mas creio que, acima de tudo, é necessário mão firme, rs... mas a informação do liner foi muito útil.
    agora, quanto à deformação do pincel por solvente, podem acreditar, é fato! quando isto acontece uso estes pincéis para pintar moitas e copas de árvores: funciona muitíssimo bem!
    na torcida pelo livro, deixo um abraço!
    paulo de carvalho

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  9. Paulo, não dúvido que realmente seus pincéis sintéticos deformem com solvente. Minha questão é entender ´se TODAS, ou ao menos, com QUAIS tipos de fibras sintéticas isso ocorre. Abraço!

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  10. ótimo! se chegar a uma conclusão a respeito, divida conosco, pois já perdi a conta dos pincéis que vi se deformarem assim!
    duas dicas:1. mesmo o kolinski em pouco tempo se deforma com o uso de toluol (que não mais uso).
    2.tenho um cotman da w&n 666 que está resistindo melhor ao aguarrás, embora já esteja perdendo a forma.
    abraço, paulo.

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  11. Toluol e Agua-Ráz? Você tem usado água-ráz nos sintéticos? Recomendo que leia o artigo "pintando sem solvente"...

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  12. sim e não, rs... explicando: usei toluol décadas atrás (rs...) quando trabalhava na restauração de pintura e usava um paraloid solvente em toluol para os retoques. os pincéis eram rapidamente "detonados".
    aguarrás mineral, uso apenas para limpeza dos pincéis durante e depois da pintura. já a terebintina, uso-a na diluição das tintas seguindo os preceitos recomendados pelo Cozinha (terebintina+óleo de linhaça). sou um discípulo atento e obediente, rs...
    outra coisa: comprovando o que disse a respeito de pincéis mais "duros" e mais "macios", outro dia achei que minha tinta estava com problema, pois não conseguia espalhá-la na tela. mal sabia eu que deveria usar outros pincéis que não os macios que normalmente uso. nada como um manual prático sempre disponível para a consulta. o Cozinha deveria ser "de utilidade pública", rs...
    parabéns, novamente, por disponibilizar tanta informação prá quem anda sempre dando cabeçadas!
    paulo

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  13. Paulo, não use mais água-ráz nem toluol. Faz algum sentido pagar R$90,00 num pincel Kolinsky número zero e tentar fazer economia num solvente usado na indústria da construção (água-ráz)? Gaste um pouco a mais comprando SOMENTE terebintina bi-destilada, ou melhor: NÃO use solvente algum! Seus pincéis vão agradecer, você sabe disso! Um abração meu amigo, e obrigado pelos elogios exagerados!

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  14. PS: O próximo post será sobre solventes...

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  15. hehe...como eu leio o blog do Cozinha, já comprei a terebintina bi-destilada!
    paulo

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  16. Estou preparando um post sobre solventes, já era hora de algo mais completo. Voce entenderá bem as diferenças e as armadilhas de cada produto. A terebentina bi-destilada é a melhor opção com bom custo benefício disponível no Brasil.

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  17. Marcio! Parabéns! Será um grande sucesso!
    Aproveito para perguntar se você vai abordar técnicas em seus famosos posts elaborados. Técnicas de pintura, como o uso da camara obscura e a camera lucida.Eu desenho o modelo,transfiro para tela com um papel preparado com óleo,em várias cores(menos preto)e vou pintando ponto a ponto.Sabe o pintor Boris Vallejo? na técnica dele ele faz um esboço e a imprimatura em acrílico e termina com óleo.
    Muito Sucesso,para você e neste Natal Todas as Felcidades...OPA! Ainda vou escrevrer mais!
    Olha,coloquei um passo a passo de pinturas ,minhas no blog para quem quiser ver!
    Sinceramente
    Ancerg

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  18. Obrigado Ancerg! Sim, pretendo fazer posts sobre técnicas, mas no entanto, mais voltado a técnicas de camadas, e não alla prima. Conheço o Boris sim, etive o prazer de visitá-lo em seu ateliê em Bethlehem, Pennsylvannia em 1999, ocasião onde também conheci sua esposa, Julie Bell (Vallejo), também pintora de talento surpreendente.

    Também desejo um Feliz Natal a voce meu amigo. E escreva mais sim! Estarei esperando!

    Sensacional sua iniciativa de colocar os passos a passos, deveriamos ter mais Blogs como o seu de artistas brasileiros. Irei ler e comentarei com todo o prazer. Um abraço!

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  19. muito bom o post! Ajuda bastante na trabalhosa tarefa de escolher e comprar pincéis, assim não gastamos dinheiro à toa, comprando o pincel que melhor nos servirá.
    Só senti falta de um pincel bem despretensioso e barato que também pode ser interessante especialmente para quem gosta da textura forte das cerdas: a linha "amarela" da tigre.
    Para quem quer um pincel "rústico" que custa barato, vale a pena experimentar!

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  20. Olá Renato! Vale a pena gastar um pouquinho mais e pegar a linha Azanta da Winsor & Newton, que dura um bocado a mais, por isso não coloquei a linha amarela da tigre. Obrigado pela participação! Um abraço!

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  21. Oi encontrei algo sobre as linhas, que Paulo de Carvalho perguntou, bom, encontrei algo interessante veja esse vídeo de Vermeer - The Art of Painting (3/5)
    http://www.youtube.com/watch?v=sRvmv0IYH4I
    Abraço!
    J.E. de Ancerg

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  22. Agradeço,recebo muitos pedidos para dar aulas, mas aula para mim tinha que ser um nível como o seu, e ao menos me reservo a postar as pinturas pois assim como você faz aqui, é uma forma de repartir,mesmo que eu não tenha tanta erudição quanto você.Tenho Certeza que o livro vai ser um sucesso.Ah! Você não tem Twitter?procurei deu erro o que achei.Ah!...vc documentou um pouquinho a visita ao boris? se ...podia partilhar?
    Sinceramente
    Ancerg

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  23. Ancerg! "Erudito" é muita bondade sua... rsrsrsrs. A Cozinha tinha Twitter e Facebook... mas fiquei "rede sociofóbico" algumas semanas atrás e deletei todas as minhas contas! As vezes, confesso que desanimo, tanto trabalho (ter um monte de contas em redes sociais e comunicativos)pra tão pouco retorno. Infelizmente, a grande verdade é que as pessoas não leem nada... por pura preguiça. Não documentei nada no Boris... estava de passeio, e não quis estragar a noite dele, que era um momento de descontração, e não de serviço. Mas conversei por pelo menos 30 minutos sobre pintura e materiais, e vi várias pinturas originais dele e da esposa. Mando fotos se voce quiser. Um abraço!

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  24. Meu amigo,vou lhe falar de todo meu coração agora e ao menos sei que vai ler.rsrsr
    O Ser humano, é as vezes de difícil leitura e ingrato entendimento.Parece ter mais gente para azucrinar seu infortúnio esperançoso que para te estender a mão.Mas, eu sou do tipo daqueles que vêem sinais nas coisas,não sou do tipo que vai a igrejas,mas sou do tipo que aprendeu que esperança é algo que só emerge e se multiplica se a gente teimar com ela.O que você faz aqui, é o que sempre fiz minha vida inteira e ainda faço" Repartir". Veja! OLhe! Foi partilhando que percebi você não foi? e tantos aqui! Lemos sim senhor,mesmo que alguns não...mas é que somos todos nós "Artistas" "Alquimistas do sentimento!" E sendo profissionais,chegamos num ponto que armasenamos tanto conhecimento nessa busca por entender que tem gente que olha de longe e não entende...as vezes temos que aparecer rsrsrsr como aqui.Nos abrir...que não sejam poesias,mas que seja conhecimento! e ler suas palavras tão bem cuidadas e elaboradas é como falar com uma matemático e elaborar uma equação que chama emocionado de "Elegante!".
    Essa sua Pagina é um milagre, é uma resposta a todos os artistas que querer algo mais das suas tintas, ele fazem e que você deve sempre fazer...Perguntar para si mesmo "Por que isto é assim?" E lhe garanto, que não lhe ver apenas aqui ou levando solavancos dos abraços emocionados no lançamento do seu livro, tera algo além de tudo isso que lhe peço reative todas as suas contas...por que aqui há colegas agradecidos e que lhe tem respeito assim como em cada palavra meticulosamente cuidada,pesquisada...compreendida.Estão aqui aqueles que lhe dizem
    Muito Obrigado
    Um grande abraço dessas palavras que tenho certeza que não são apenas minhas.
    J.Evaristo de Ancerg
    PS:Pelo amor de Deus....Manda as fotos do Boris pro meu email de presente de Natal! ancergg@yahoo.com.br

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  25. Ancerg meu amigo, obrigado pelas palavras e pelo apoio. Agradeço de coração! Mandarei uma foto especial pro seu e-mail... abraço!

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  26. Marcio, esse seu post de pincéis está excepcionalmente esclarecedor! Parabéns!

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  27. Oi Celso! Pincél não é exatamente minha especialidade, ainda mais hoje, quando tantas opções excelentes se encontram no mercado. Mas a premissa básica deve ser sempre o principal guia a ser lembrado: tinta que flui com facilidade exige pincel macio, tinta grossa exige pincéis duros. Gostei de ver seu comentário meu amigo, faz tempo que não nos falamos, ainda mais agora que saí do Facebook. Um abração!

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  28. Então somos dois que largaram o FACEBOOK. Deletei um perfil com 2.500 adicionados e voltar pra lá só se algumas regras mudarem. No blog me sinto em casa...Forte abraço e Feliz Natal!

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  29. Parece então que estamos na mesma sintonia sobre o serviço! Celso, obrigado, e um Feliz Natal e um ótimo 2012 para voce, com muita tinta!!! Um forte abraço!

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  30. Ótimo website para venda de pincéis de todos os tipos e formatos de pêlos, recomendado pelo blog UNDERPAINTING. Vale conferir:
    https://www.rosemaryandco.com

    Feliz Natal pra ti tbm..."Restaurando vidas"

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  31. Oi Celso, esse site que voce passou é do site oficial da Rosemary´s, marca que cito como penúltimo pincel nesse artigo.

    Um FELIZ NATAL para voce também meu amigo! Um abração!

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  32. Testei aqui oa linha estudande da Winsor, de pelo de porcos...não gostei. Apenas no curto prazo de uso, ele se deforma com facilidade, se desgastam com facilidade e soltam pelo. Não é muito superior as marcas nacionais, talvez em termos de maciez sim, mas em durabilidade são um pouco melhores
    Adorei o Monark e o Galeria(este ultimo para traços finos) e ambos sintéticos, testei a curto prazo e eles são ultraresistentes aos solventes de limpeza, nao se deformam e não se desgastam a curto prazo. Não fiz o teste a longo prazo ainda. Outro pincel muito bom é o Marta tropical da tigre 142 chato. Pretendo mais pra frente investir na linha vermelha da Condor. Valeu aí galera

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  33. Rovenzo, obrigado por compartilhar suas opiniões sobre os pincéis que testou! Essa linha "estudante" de pincéis da W&N que testou é o Azanta Black? Se sim, tive sorte, pois os meus são bem resistentes... as cerdas não quebram ou soltam como dos nacionais. O Monarch é muito bom. Grande abraço!

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  34. Sim, é o Azanta Black, aqui o maior inimigo deles foram os dentes da tela, já que uso eles para bater mesmo, E NÃO OS SOLVENTES(eu reparei também que quanto maior um pincel , ele menos se desgasta, mas acho que isso tem haver com "Menos uso" deles . Provavelmente voce tem mais cuidado do que eu com os pinceis :) Eu tenho muito pouco problema com os solventes, embora , a maioria dos pinceis Tigres sintéticos se usados com solventes já se deformam na primeira semana de uso, com excessão de alguns, o 452 é bem resistente aos solventes. E como eu disse só são opiniões, baseados em testes empíricos por um amador em pintura. Um grande abraço :)

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  35. Muito bacana poder entender sua experiência com essas pincéis. Agradeço por compartilhar aqui! Um forte abraço!

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  36. Eu queria comprar o Da Vinci de pelo de porco para testes. To fazendo testes para evitar grandes gastos futuros :)))) Se bem que os testes que faço são as proprias pinturas que realizo. se souber onde posso achar o Da Vinci(pelo de porco, do artigo) me informe. Grande abraço e grande Blog este :)

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  37. Os pincéis Da Vinci eram vendidos na Casa do Artista. Não tenho certeza se ainda possuem em estoque!

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  38. Marcio
    Boa tarde
    Parabéns por mais este artigo, muito bom, como todos os outros.
    Gostaria de saber se você conhece alguma loja no Brasil que venda pela internet, os langnickel 5590 ou os rosemary 279.
    Obrigado. Um abraço.
    Cássio

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  39. Olá Cássio! Obrigado pelas palavras! No Brasil não há importadores dessas marcas. Uma maneira fácil de adquirí-los é através da compra com cartão de crédito internacional direto com os fabricantes ou através da loja norte americana Dick Blick: http://www.dickblick.com/

    Um grande abraço!
    Marcio

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  40. Olá Márcio
    Muito obrigado pela resposta. Me desculpe por não ter lhe agradecido antes, eu pensei que seria notificado por e-mail como da outra vez que postei uma dúvida aqui.
    Sendo assim como você diz, vou optar por outros, como o Azanta black que eu achei pela internet aqui no Brasil e já encomendei alguns para experimentar.
    Quero também aproveitar para lhe agradecer pelos artigos sobre solventes, que me foram muito utéis. Sendo meu conhecimento e estudos, quase todo adquirido por meio de livros ( já pesquisei várias coleções/edições como a serie da Abril e Iniciação a Pintura de Edson Motta, entre outros), não encontrei em nenhum deles, o aprofundamento e esclarecimento sobre o assunto, que encontrei aqui, fruto de sua competência e generosidade. Assunto que é uma pedra no caminho da maioria que se inicia a pintar.

    Um abraço
    Que Deus lhe abençõe.

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  41. Cássio, agradeço novamente por sua generosidade em suas palavras! Fico contente em ajudar! Grande abraço!

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  42. Márcio,

    Se você tiver oportunidade, dê uma conferida nos pincéis da Trekell. F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O-S!

    Experimentei os pincéis da Rosemary e são bons, mas não se comparam aos da Trekell.

    Adriano (lembra de mim?)

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  43. Oi Adriano (Brasília, certo?), claro que me lembro!!!! Voce me disse que estaria em SP há um tempo atrás... está por aqui ainda? Tenho UM pincel da Trekkel mas de pêlo de porco. Gostaria de experimentar os Kolinsky´s dessa marca. Rosemary´s só tenho alguns, os que mencionei no artigo! Fiquei contente com sua mensagem!!! Mande me um e-mail com as novidades! Grande abraço!!!

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  44. Eu iria a SP, mas acabei não indo.

    Os pincéis de pelo de porco da Trekell são os melhores que eu já usei. Kolinsky eu não tenho, mas tenho alguns sintéticos imitação de Mongoose que são muito bons também. Vou te mandar um email pra gente poder conversar.

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  45. Adriano, é uma pena que não esteja em SP! Mande um e-mail sim, estou aguardando! Grande abraço!

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