quinta-feira, 14 de julho de 2011

Resinas Sintéticas

As resinas industriais modernas abriram um novo leque de possibilidades para a pintura a óleo. O produto não somente é empregado como medium, alterando o tempo de secagem e a elasticidade do filme quando misturados a tinta, mas como uma nova linha de tinta entubada que usa a resina como veículo, chamada de Alkyd ou Alquídica. Focaremos uma análise mais profunda sobre as resinas industriais servindo função de medium, isto é, como adição a tinta óleo comum.

A resina industrial comumente usada como medium para a tinta a óleo começou a ser popularmente usada cerca de quarenta anos atrás, chama-se resina Alquídica, e vem do termo inglês Alkyd, palavra criada a partir da junção de Álcool e Acido (Alcohol/Acid). Essa resina é uma variação do polyester modificado pela adição de álcool, ácidos graxos contidos no óleo de soja (as vezes linhaça) e agentes metálicos. O que a difere do polyester é a predominância de monoácidos (ácidos graxos). A resina alquídica é classificada como um polímero, isso quer dizer que é uma substância formada por uma síntese química que agrupa várias moléculas pequenas em uma molécula grande. Existem inúmeros meios industriais para sua produção, resultando em produtos muito similares mas com certas diferenças de força, viscosidade, cor e elasticidade, apesar de todos se comportarem de maneira similar. 



Liquin Impasto, W&N.

Características
Os mediums alquídicos costumam ser semi-transparentes, levemente turvos e invariavelmente possuem uma cor acastanhada levemente esbranquiçada quando dentro do tubo, mas tornam-se muito transparentes quando usados em pouco quantidade ou misturados a tinta. Sua adição a tinta torna-a mais líquida, podendo agradar os pintores que preferem uma tinta com grande mobilidade e alastramento.

Uma outra característica é a transparência que o produto confere a tinta. Quanto maior a quantidade de Liquin é adicionado a tinta, maior transparência é dado a mistura. Excelentes nuances transparentes são obtidos com essa adição, por outro lado, compromete-se a pigmentação da mistura e eleva-se a quantidade de veículo que pode escurecer com o tempo. Quanto mais veículo, maior as chances de escurecimento. Esse é um ponto importante a se pensar quando usamos esses produtos, mas é claro que tudo depende da quantidade usada, da técnica empregada e do resultado ao qual se quer chegar.



Neo-Megilp da Gamblin.


Durante a primeira hora ou duas, a adição do medium alquídico permanece a mesma, somente após isso, o medium começa agir de forma bem diferente. A resina começa a secar, a cada hora de forma mais potente, deixando a tinta extremamente pegajosa e tornando difícil o movimento do pincel. Enquanto para alguns pintores essa caraceterística pode ser indesejável, outros artistas podem usá-la em benefício próprio, é sempre uma questão de gosto e técnica. Os fabricantes costumam divulgar que ela confere mais elasticidade a película de pintura do que o uso exclusivo de óleo de linhaça ou outro óleo vegetal. Mas isso será discutido com mais detalhes ao final do artigo.

Mediums a Base de Resinas Alquídicas
De todos os produtos que levam resina alquídica, a família de mediums da Winsor & Newton que leva o nome de Liquin é o mais usado em todo o mundo, principalmente nos EUA e na Europa, e conta com uma gigantesca campanha de marketing. Durante os anos 80 acabou por se tornar muito popular, e hoje, um "clássico" moderno.

A W&N oferece uma linha da "família Liquin" com inúmeros produtos que apresentam diferentes consistências e efeitos finais. É possível encontrar o Liquin em sua versão original (Liquin Original) servindo somente como um secante, uma outra versão em gel que modifica levemente a consistência da tinta (Liquin Gel), uma outra versão para pinturas de impasto dando maior corpo a tinta (Liquin Impasto) e uma última variante para detalhes delicados com o uso de pincéis finos (Liquin Fine Detail). O preço no Brasil não é dos melhores, mas ainda assim, é um produto com boa saída nas lojas especializadas.



"Família" Liquin, da W&N.


Assim como a W&N, a Gamblin é outra compania que oferece sua versão de medium alquídico em várias consistências, dentre eles o Galkyd Lite, uma versão de medium alquídico líquido e o Neo Megilp, medium alquídico em gel, entre outros. Quase todos os outros fabricantes de produtos artísticos investiram em suas versões de alquídicos, assim como a Acrilex no Brasil (Oil Gel Secante), basta uma rápida pesquisa na web para descobrir a vasta quantidade desses produtos.

O artista Craig Antrim faz uma demonstração da linha Liquin para a Winsor & Newton no video abaixo. O video é ótimo para se ter uma idéia da consistência e comportamento dos produtos, mas gostaria de ressaltar que não acho nem um pouco seguro a quantidade de Liquin usado nessa demonstração. É claro, temos de nos lembrar que essa é uma demonstração patrocinada pelo fabricante, e quanto maior a quantidade do produto usada pelo consumidor, melhor ao fabricante.





Sugiro que os leitores assistam o vídeo para entender mais sobre o comportamente dos produtos em questão, mas lembrem-se, assim como comentado em artigo anterior, sobre as quantidades seguras quanto ao uso de mediums. É importante que a relação pigmento e veículo não seja quebrada, principalmente quando usamos resinas, embora as resinas sintéticas teoricamente sejam mais seguras do que as naturais.

Resinas Alquídicas e a Conservação das Obras
Se lermos as recomendações de seus fabricantes, teremos a impressão de que temos em mãos o produto perfeito. Veremos as indicações de alguns desses produtos:

Medium de secagem rápida para cores a óleo ou alquídicas. Melhora fluidez e transparência, torna macio o trabalho do pincel. Boa resistência ao amarelamento.
Esse medium de gel macio dá uma sensação sedosa a tinta. Não contem resinas naturais, portanto não escurece ou se torna quebradiço.
Adicionado a tinta óleo melhora sua flexibilidade e alastramento, dando corte e transparência. Acelera o tempo de secagem, mantendo o brilho e a consistência da tinta.

Apesar das informações dos fabricantes garantindo uma boa elasticidade e amarelamento mínimo, é preciso entender os pontos a seguir.


O artista Luiz Antônio Morato, pintor experiente e aluno do Mestre uruguaio Pedro Alzaga, me presenteou com uma preciosidade: um dossiê que registra através de textos e fotos os procedimentos que usou em inúmeras obras, algumas, com mais de 30 anos de idade. Se todos os pintores escrevessem e registrassem metodicamente o "como" e "o que" usaram em suas pinturas, teriamos informação de sobra para tirar boas conclusões quanto a permanência dos materiais e procedimentos. Isso não é comum, esse artista faz parte de uma minoria metódica que felizmente encontramos de tempos em tempos, com provas tão interessantes como essa.

Há vinte anos atrás, esse artista fez uso de um produto a base de resina alquídica, como abordagem, pintou sua obra por "setores", de modo alla prima, cobrindo áreas que por vez pareciam-lhe necessitar de correções. Tive o prazer de examinar a obra em questão, e não consegui detectar nenhum tipo de escurecimento alarmante na cores. Analisando com mais cuidado as passagens mais claras, como os empastes de Branco de Titâneo, não pude constatar nenhum amarelecimento no filme, assim como rachaduras ou craqueluras, o filme mostrando-se claro e muito bem conservado. Perguntei a ele se havia notado através dos anos algum tipo de mudança nas cores, se ele se lembrava nítidamente das mesmas quando ainda estavam sendo pintadas, me afirmou que as cores não mudaram, e que a tela ainda apresenta o mesmo aspecto de 20 anos atrás.

Esse é um entre muitos relatos que podem ser encontrados sobre o uso das resinas alquídicas: sem nenhum escurecimento ou amarelamento. Durante correspondência com artistas norte americanos, também ouvi relatos parecidos, até mesmo sobre obras com mais de 40 anos de idade.



Oil Gel Secante da Acrilex: Medium Alquídico.

Testes de Conservação, Elasticidade e Permanência
Pedi ao artista Antônio Morato que executasse um teste simples em sua pintura feita com Liquin. Soltar um dos cantos da tela e observar, com alguns movimentos, se a película formada sofria algum tipo de dano ou deformação ao ser flexionada. O segundo teste, consistia em friccionar um cotonete embebido em álcool, terebentina e depois em thinner, na superfície pictórica, para observar se a película soltava pigmento. Como terceiro teste, raspar áreas previamente embebidas em óleo de lavanda e terebintina, com o auxílio de uma espátula de pintura.

O artista me relatou que nenhum dos testes apresentou expressiva alteração da camada pictórica, com exceção do cotonete embebido em thinner, que soltou pouco pigmento e a raspagem em área amolecida pelo óleo de lavanda.
Resultados que não surpreendem, e atestam a boa flexibilidade do filme gerado com tinta e resina alquídica.


Detalhe de impasto pintado com Liquin, obra de Luiz Antônio Morato.


Sendo que a tinta branca nos impastos dessa pintura não apresentam quaisquer sinais de amarelamento, descolamento ou craquelê, e que os testes de dissolvimento e elasticidade do suporte mostram que o filme continua elástico e flexível. Ao meu ver, o uso em parcimônia do material é um procedimento sadio.

Opiniões Contrárias
No entanto, há quem relate experiências desagradáveis com as resinas alquídicas. Por experiência própria, pintei um painel com adição de um medium alquídico, usando de um método de camadas para pintar. A obra final mostrou um fenômeno diferente do craquelê, uma espécie de "estriamento" das últimas camadas, como se as primeiras camadas tivessem se movimentado, fazendo as camadas subsequentes mostrar um "caminho" estriado, mas sem rachaduras. Provavelmente, consequência da desobediência do tempo de secagem. Também observei após alguns meses, uma opacidade em demasia na obra final. Infelizmente a obra não foi arquivada e não posso mostrar imagens.

Não é difícil encontrar pintores norte americanos que tenham tido algum tipo de revés quanto ao uso dessas resinas. Queixas de amarelamento, craquelês, topografias indesejadas e estriamentos. Noto que na maioria dos casos, é resultado de um processo em camadas onde houve, mais uma vez, desobediência no tempo de secagem entre as camadas ou uso excessivo de medium.

As opiniões parecem divididas, mas de alguma forma, os desastres parecem estar relacionados com a forma de procedimento do artista.

Estudos Científicos
Ainda existem poucos estudos de campo sobre como esse material envelhece, e os estudos mais recentes compreendem as tintas alquídicas, e não as resinas alquídicas misturadas a tinta óleo. De quaqluer forma, para um parecer mais confiável, devemos nos respaldar num artigo científico que use essa mistura como objeto de estudo. No entanto, pela falta do mesmo, podemos nos guiar pelo estudo das tintas alquídicas, sendo que a única diferença é a quantidade de ácidos não saturados encontrados no óleo vegetal, encontrado em maior quantidade na tinta a óleo. Sendo assim, podemos entender que, os efeitos de envelhecimento das resinas alquídicas certamente serão diminuídos misturadas a tinta óleo. Um estudo italiano de 2009 nos dá o seguinte parecer

Análises térmicas, especificamente, scaneamento diferencial calorimetrico (DSC) e Análise Termogravimétrica (TGA), foram usados nesse trabalho de estudo das propiedades de filmes de tinta artística alquídicas envelhecidos. Ambas as técnicas revelaram mudanças nas propriedades térmicas conforme o filme envelhece. ... ...A investigação de filmes naturalmente envelhecidos, alguns com mais de 28 anos, revelaram um aumento na transição de temperatura vítrea com o passar dos anos. Estudos de TGA de filmes naturalmente envelhecidos indicam um aumento na densidade do filme com o passar dos anos, provavelmente por conta primeramente do cross-links e mais tarde pela possível formação de produtos degradáveis da oxidação pelo tempo, como os sais de carboxilato.

Esse estudo confirma a mudança molecular de filmes com mais de 28 anos, embora não descreva exatamente as implicações desse "aumento de densidade" e quais os efeitos causados pela formação de "produtos degradáveis". De qualquer forma, o estudo nos mostra que embora tenhamos um filme flexível, ele certamente muda com o tempo. Sendo assim, se em 28 anos temos mudanças detectáveis, como podemos prever o que acontecerá em 100 ou 200 anos? Será a resina alquídica mais elástica do que um filme formado somente por óleo vegetal e pigmento? As obras feitas com resina alquídica durarão com a mesma saúde das obras renascentistas pintadas a óleo? São respostas que somente o tempo nos dirá, ou artigos científicos que nos mostrem testes de envelhecimentos mais eficazes e direcionados a mistura dessas resinas com a tinta óleo.

Conclusões
Em primeiro lugar, é necessário lembrar que existem diferentes métodos industriais de produção e adulteração de resina alquídica, podendo haver traços de inúmeras outras substâncias, como formaldeido, metanal, silicone, sílica entre outros. Portanto diferentes marcas podem se comportar de maneira substancialmente diferente. Sujiro que diferentes marcas do produto sejam testadas e avaliadas pelo artista.

Quanto a sua permanência ou durabilidade sem afetar a pintura original, tenho ciência de que há inúmeros relatos do uso do produto com extremo sucesso, tanto nos quesitos de elasticidade quanto em escurecimento, mas também há relatos de desastres em curto espaço de tempo. Penso que os artistas que pintam alla prima podem se preocupar menos do que aqueles que empregam uma abordagem indireta, em camadas.

Minha sugestão é que usem os mediums baseados em resina alquídica com moderação, nunca ultrapassando os 20%, pois até mesmo a pouca adição do produto é o bastante para acelerar a secagem ou modificar o modo como a tinta se comporta. Em segundo lugar, que respeitem fielmente os intervalos de secagem entre as camadas da pintura. Um outro cuidado é dar preferência aos painéis rijos como suportes. Uma última sugestão, é que não se use o medium alquídico como exclusivo meio de dar transparência a tinta. Quando o artista precisar de velaturas transparentes, recorra a pigmentos transparentes, ou, no caso do uso de um pigmento opaco, faça uso da rega dos 20% de medium, mas use a tinta de forma mais arrastada, "abrindo" seu corpo para forçar a transparência.

Se o artista obedecer esses cuidados poderá diminuir futuros resultados indesejados de modo muito seguro. Num curto espaço de tempo, digamos 40 ou 50 anos, o material em questão parece ser satisfatório quando aliamos as sugestões mencionadas acima, mas a longo prazo, por enquanto, não há garantias.

Uma última questão, já abordada em
artigo anterior, é a real necessidade de uma secagem rápida. O artista deve ponderar se realmente necessita de uma resina alquídica pra acelerar a secagem de sua obra. Muitos artistas não necessitam acelerar a secagem de suas pinturas, principalmente se voce não possui um prazo de entrega. Acelerar a secagem nesse caso, faz do uso de um medium alquídico algo sem propósito. A principal característica da pintura a óleo é sua lentidão natural, mudar essa velocidade é algo não natural, que vai de encontro a sua natureza. A aquarela, o gouache e a tinta acrílica são mais recomendados aqueles que desejam um meio mais dinâmico em termos de secagem.

Em todo o caso, é importante que o artista esteja atento a futuros artigos que porventura possam avaliar de maneira mais satisfatória como se dá o envelhecimento dos materiais de pintura baseados em resinas alquídicas.





BIBLIOGRAFIA
PLOEGER, Rebecca; SCALARONE, Dominique; CHIANTORE, Oscar. Thermal analytical study of the oxidative stability of artists' alkyd paints; Department of I.P.M. Chemistry and NIS (Nanostructured Surfaces and Interfaces) Center of Excellence, University of Torino; 2009.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2011.



Agradecimentos ao artista Luiz Antônio Morato.

20 comentários:

  1. Gostei muito desse post Marcio, ampliou bastante o meu conhecimento sobre essas resinas! Gosto delas especialmente para as encomendas, devido a urgência de alguns clientes, geralmente em função de alguma data comemorativa. Outra utilização que me agrada muito é na geração de impastos, basta poucas gotas no branco de titaneo que após um tempo ele ficará muito "firme" e "moldável".
    O seu post tbm me tranquiliza quanto a quantidade que venho utilizando, com certeza as duas/tres gotas que adiciono no branco de titaneio estão MUITO abaixo da margem dos 20%.
    Como sempre, excelente Post!
    Abraço

    ResponderExcluir
  2. Olá Leo! Voce usa o Oil Gel Secante da Corfix certo? Os alquídicos em forma de Gel conseguem dar mais "firmeza" mesmo as tintas, mas alguns são MAIS moles que outros, como o Neo-Megilp. Nesse caso, voce teria que colocar um pouco de gel na paleta e esperar até que ele fique menos líquido para usá-lo do modo como voce descreve. É um material interessante sim. Obrigado por sua excelente contribuição!

    ResponderExcluir
  3. Olá Marcio!

    Este é mais um artigo que ficará sempre à mão para consultas... excelente abordagem!

    Abraços

    Luciana

    ResponderExcluir
  4. Oi Luciana! O que me frustra é não poder saber com certeza como acontecerá o envelhecimento desses jovens materiais a longo prazo. Sei que muita gente não dá a menor importância pra isso. A maioria dos artistas não pensa a longo prazo, principalmente aqueles que não acham que suas obras são "obras primas". Pessoalmente, é uma questçao importante a minha pesquisa. Portanto, terminei esse breve artigo com aquela sensação de "inconclusão"... Obrigado pelo seu comentário! Abraço!

    ResponderExcluir
  5. Olá Márcio,parabéns pelo .com !

    Acontece o mesmo se não controlar as camadas de veladuras com o oléo de linhaça,tive uma pintura que tenho como controle(6 anos) que na verdade tenho três pinturas que não vendo e as submeti a város intempéries uma de (16 anos e outra de 8 anos tecido e lona de Nylon-está coloquei no sol por 6 meses)coloco estas no limite para saber o que fazer e como suportam o tempo, acontece que uma delas tem uma camada que tem óleo demais nas valaduras,virou uma especie de cola com o tempo (6 anos).A resposta para mim foi controlar as primeiras camadas,usos cobalto com cuidado diluido a 50% e ainda assim funciona,crio as primeiras camadas com ele o que dá uma camada estremamente dura,mas maleável.Mas se coloco cobalto com o oleo como mistura ele reagem velosmente e cria essa camada tipo cola,não uso cobalto nas veladuras seca naturalmente. Mas isso foi o tempo que ensinou e por isso uso oléo e terebentina(embora que use agora eco solve).Nunca quis me arriscar a outros meios de secagem, ou é natural ou dessa forma, que faz que a tinta seque a cada 8 a 16 horas, se usar secante puro sem diluir(que não uso) seca entre 3 a 4 horas,o que é péssimo pois fica dificil de controlar as camadas e ai você acaba se perdendo e acontece de rachar.
    Bom é isso

    ResponderExcluir
  6. Olá Ancerg! Faz tempo que não te vejo por aqui! Interessante poder ler sobre seu procedimento. Agradeço!

    Muita gente tem apostado nos alquídicos como uma opção mais segura do que o cobalto. Mas o ideal mesmo, é que a tinta seque de forma natural, claro! Um abraço!

    ResponderExcluir
  7. Sim, o ideal é que seque de forma natural.No entanto,para mim é uma questão de programação, necessidade por causa das encomendas.Uma tela 50 x 60 concluo no prazo de um mês,considerando que crio muita coisa junto com o modelo na pintura e a secagem, 16 horas é um tempo que cheguei a conclusão médio ou ideal para o que seria duas semanas.E vou eliminando o cobalto num processo de regreção até que não use mais nada,tipo vou diminuindo a mistura e mesmo em etapas que uso apenas a tinta sem solvente,o que mostra que a pintura"fala" diz o que é preciso,cada etapa é uma realidade e "chama" o que é preciso para ela,não é apenas uma maneira ludica mas é pensar na pintura em etapas,como a casca da arvore na pintura da "Primeira dama" se não pensar seja em detalhar como uma escultura não funciona,é como uma coisa física que recebe a luz,as transparências da veladura precisam ser colocadas tendo feito todo detalhamento.Eita...será que expliquei direito ou deixei todo mundo doidinho?Mas, pintar é isso mesmo, uma poesia confusa que encontra a harmonia no final.Concluindo,como você disse tem que pensar a longo prazo,Eu penso assim,seja em como se comporta a tinta ao longo dos anos,suportes,meios de pintar...AH! lembra do tento? "Maulstick" (tem noticiais desde antes 1646) é como se chama nos estados Unidos,mas a origem é Holandesa,maalstok (Pau,ou madeira de pintor!)os mais celebres usuários eram Peter Paul Rubens e Johannes Vermeer(sabia que ele tinha 14 filhos? Jesus Amado! E ainda falam das sogras pois ele só tinha Sossêgo pois a mesma cuidava para ele ter Paz era uma santa!além é claro de ficar de olho na grana que dava. Mas eu mesmo uso vários e um que em forma de "T" se apoia na tela e vou pintando por seções. Rapaz!Merecia uma postagem,pois o "Tento" é uma ferramenta simples,uma necessidade que todo pintor acaba descobrindo sem ninguém fale,pois o corpo pede apoio mesmo,as mãos pedem firmeza e detalhes mínimos e firmes só é possível apoiando mesmo!
    Bom,obrigado por responder
    Ancerg

    ResponderExcluir
  8. Olá Ancerg meu amigo! Obrigado por todas as informações! Farei o post do tento quando tiver tempo, prometo! Um abração!

    ResponderExcluir
  9. Eu prefiro mil vezes me arriscar na alquídica do que usar o secante de cobalto, sempre tive péssimos resultados com o cobalto, e o bom que sou bem metódico tambem, com a tinta a oleo e com a pintura digital dá pra anotar tudo oque a gente faz entre uma pincelada e outra.
    Mas acho que isso que vc sempre frisa ser ressaltado, a tinta a oleo não é para trabalhos rápidos e de prazos curtos, acho que os artistas se acostumarão por ser mais comum pintar a oleo, tem gente que consegue ótimos resultados com acrílica.

    Como sempre excelente post! De volta a ativa! Grande abraço Marcio!

    ResponderExcluir
  10. Olá Júlio! É uma bom hábito esse de anotar tudo o que se faz numa pintura. E confiar mais na alquídica (sempre em pouca quantidade) parece mais saudável do que o cobalto sim. Um abração Júlio!

    ResponderExcluir
  11. marcio, sou "cria" da turma do edson motta e, como você deve saber, ele tinha horror a estas misturebas e pinturas mistas com resina. fico meio preocupado, mesmo tendo lido que as resinas de hoje são mais confiáveis. realmente elas são muito atraentes. pelo que entendi, poderia usá-las para adiantar a secagem (já a faço colocando sempre uma gotinha de cobalto no branco, para dar pasta à tinta (não preciso disto) e para fazer deslisar mais o pincel (acharia ótimo!). será que compensa o risco de usá-la?
    abraço,
    paulo de carvalho

    ResponderExcluir
  12. Olá Paulo! Na verdade, a resina alquídica, de forma genérica, reduz o tempo de secagem e teoricamente dá mais elasticidade ao filme depois de seco. Mas NEM toda resina alquídica melhora alastramento, principalmente quando começam a secar.

    Quanto ao risco, é como escrevi no artigo: o tempo dirá! O problema é achar que está tudo bem a curto prazo. 50 ou 100 anos não é NADA comparado aos outros materiais usados na antiguidade que perduram 700, 900 e até 2000 anos...

    Mas sempre teremos duas opiniões: a daqueles que não se importam o que acontecerá daqui 50 anos, e a daqueles que querem ter certeza de usar o material mais duradouro. Quem está certo ou errado? Não cabe a mim julgar!

    Abraço!

    ResponderExcluir
  13. marcio, ficou boa a nova dinâmica que você deu no blog. ficou bem atraente...
    parabéns!
    paulo de carvalho

    ResponderExcluir
  14. Obrigado Paulo! O Blogger tem algumas ferramentas interessantes, dá pra fazer bastante coisa. De tempos em tempos é sempre bom colocar uma novidade. Mas o que eu gostaria MESMO é de ter tempo pra fazer um post novo por dia! Abraço!

    ResponderExcluir
  15. Oi, Marcio. Tenho usado o médium alquídico da Daler Rowney, sem maiores tropeços. Alguns amigos, no entanto - você sabe como é nossa vida de pintor - gostariam de ter uma alternativa nacional, e eu estive olhando o Gel Secante Alquídico da Acrilex. O problema é que em suas especificações, eles dizem que, apesar de ser baseada em resina alquídica (60/70%) e solventes (20/30%) ela também vem com "secantes em solução" (2/3%). Mais o que serão estes secantes secretos aí? Cobalto, alguma outra coisa? Como é que posso indicar este gel sem saber direito do que ele é composto?
    Volto a dizer que a experiência com o alkyd da Daler Rowney tem sido fantástico, além do uso da Griffin, quando quero estar com minhas miniaturas estejam com o pre painting já pronto no dia seguinte. Um abração e podemos nos ver em sampa no domingo, 9 de fevereiro para o almoço, talvez com o Rocco e o Montalvo? Dê noticias!!

    ResponderExcluir
  16. Olá Oswaldo, obrigado por ter escrito! A única solução nacional alquídica é de fato o Gel Secante Alquídico da Acrilex. Esse "secante em solução" é provavelmente cobalto, mas não se preocupe, pois a maioria dos outros secantes alquídicos estrengeiros TAMBÉM possuem uma parte de secante metálico, como o Cobalto ou Octoato de Zirconium. Temos usado no ateliê já faz um bom tempo e é um bom substituto bem mais em conta aos estrangeiros. Mas, podendo gastar um pouco mais, sugiro que use qualquer um dos secantes da família Liquin da W&N. Além de mais claros, permitem maior tempo de fusão de gradientes, de todos os secantes que testamos, de base alquídica, é sem sombra de dúvida o melhor. A Gamblin oferece, em minha opinião a segunda melhor linha de secantes alquídicos, como o Neo-Megilp (em gel) e o Galkyd, em versões Light e normal. Vale a pena testar.

    Podemos combinar o almoço sim. Peça para o Rocco me ligar alguns dias antes, ou na véspera, e combinaremos, ele tem meu telefone. Será um grande prazer conhecer voces e rever o Rocco.

    Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  17. Oi, Marcio!
    Recebi hoje um email da Acrilex onde eles afirmam que "Neste produto os componente utilizados são completamente isento de metais pesados, onde não confere risco ao pintor que o utiliza" (sic). Mas no telefonema a seguir, o Everton Puhis que me disse ser o químico responsável, não quis dizer nem que sim nem que não a respeito da presença do componente de cobalto. Os secantes, segundo ele "são segredo". Abraços!

    ResponderExcluir
  18. Caro Oswaldo, confiaria mais em seu amigo do que no primeiro atendente, por motivos óbvios. Ainda assim, há sempre inúmeras razões até mesmo para um químico responsável não dizer tudo o que há num produto, há de se entender. O que sei, é que há produtos nos EUA que possuem uma "mínima taxa" de metal pesado em seu componente mas que se tornam magicamente "sem componentes tóxicos" na hora de fazer o rótulo. Tudo é política, tudo é interesse, tudo é contornável na indústria. É complicado. A grande maioria dos secantes alquídicos norte americanos possuem uma pequena carga de cobalto sim, mas é até possível que no secante da Acrilex seja usado SOMENTE a resina sintética. A grande verdade é que muitos fabricantes tentam imitar o Liquin e o mesmo POSSUI cobalto. No entanto, volto a afirmar: o produto da W&N tem algumas vantagens: entre elas propriedades de maior fluidez e é mais claro. Mas veja bem Oswaldo, o suposto secante de cobalto no produto nacional não é nenhum grande problema. Basta usá-lo com parcimônia, como explico no artigo, e sempre com bom senso, higiene e organização. Uso o Liquin há mais de 8 anos e nunca tive problema... muitos alunos aqui no ateliê também usam o secante alquídico da Acrilex e a quantidade é tão pouca quando usamos que em nenhum momento há contato com a pele ou sentimos o odor do produto. Grande abraço!

    ResponderExcluir
  19. Olá, Márcio!
    Suas matérias são demais. Gostaria de saber depois de quanto tempo posso utilizar o verniz em uma pintura feita com alquímicas. Tenho que esperar pelo menos seis meses como aguardaria em uma pintada com óleo de linhaça?
    Muito obrigado,
    Stöfel.

    ResponderExcluir
  20. Obrigado pelas palavras. Dois a três meses para pinturas alquídicas, seis meses para pinturas a óleo com camadas finas, um ano para camadas grossas. Há também o verniz de retoque, que pode ser aplicado antes do que o verniz comum. Abraço.

    ResponderExcluir

ATENÇÃO: Devido a grande número diário de mensagens, limitamos o número de publicação de perguntas e respostas: sua pergunta poderá não ser publicada. Contamos com sua compreensão, obrigado!