quarta-feira, 15 de junho de 2011

Preparando Tinta a Óleo Artesanal II

No artigo Diferenças entre Tintas Artesanais e Industriais vimos informações básicas sobre esses materiais, analisando suas vantagens e desvantagens e inclusive discutindo a viabilidade ou utilidade de se produzir sua própria tinta nos dias de hoje. No artigo Preparando Tinta Óleo Artesanal, pudemos examinar como se dá sua fatura, mas não entramos em detalhes pontuais sobre o processo. Tenho recebido muitas perguntas sobre a fatura de tintas, portanto, esse post mostra de forma mais detalhada como fazê-lo. Sugiro que aqueles interessados em usar esse post como um guia prático leie primeiramente os artigos citados acima.




Quando preparamos a tinta óleo, precisamos de ferramentas e alguma matéria prima. Os seguintes items são essênciais em seu preparo. Discuto com mais detalhes cada um desses items.


MATERIAIS
1. Vidro temperado. Quanto maior a área do vidro melhor, pois é possível fazer uma quantidade maior de tinta. Sugiro que as dimensões sejam de pelo menos 60 X 60 cm. O vidro deve ser temperado, pois vidros finos e frágeis costumam trincar com a força que é exercida durante a dispersão da tinta. Também é possível usar uma peça de mármore ou granito, mas a peça deve ser perfeitamente lisa, sem nenhum tipo de "veio" que possua pequenas fendas, onde a tinta possa se alojar.

2. Moleta de vidro Borosilicato. Essa ferramenta é essencial para a dispersão, e pode ser encontrada nas lojas de restauração ou lojas especializadas de materiais artísticos. Existem diversos tamanhos, relacionados a quantidade de tinta que poderá dispersar. Pode ser susbstituido por uma peça de mármore (parecida com os pesos de papel de granito ou em formato de pilão), mas sua base deve ser mais larga do que o topo, que é usado para agarrar. Outro aspecto importante é que a base (parte de baixo que fica em contato com a mesa) deve ser perfeitamente reta e porosa, podendo ser lixada para ganhar porosidade.

3. Pigmentos. Use somente pigmentos de qualidade. As melhores marcas encontradas no Brasil são a Lukas e a Maimeri, como segunda opção, as marcas Sennelier e Mahler.

4. "Fillers". Em artigos anteriores, discutimos a função dos fillers, também chamados de extensores, adulterantes, estabilizantes ou enchimentos. Existem inúmeras opções, e cada uma possui uma função específica. O uso dessas substâncias é opcional, e é perfeitamente possível fazer tinta óleo que leve somente veículo e pigmento. Sugiro que o artista deixe o uso dessas substâncias quando já estiver um pouco de experiência no processo. Para começar, somente veículo e pigmento são mais do que suficientes, e conseguem produzir tintas excelentes.

5. Espátulas. Existem inúmeros formatos de espátulas. Sugiro usar aquelas que não tenham suas hastes (parte que sai do cabo, também chamado de pescoço) retas, e sim aquelas que possuem haste dobrada ou "torta", pois essas evitam que se esbarre com os dedos na tinta que está sendo manipulada. As espátulas bem pequenas são boas para encher o tubo de tinta, e as grandes são boas para manipular e recolher a tinta durante a fatura. Existem espátulas de aço mole, que são consideravelmente flexíveis, e outras de aço duro, que não podem ser flexionadas. Usaremos ambas.

6. Óleos secantes. Vimos em artigo anterior que uma das vantagens de fazer sua própria tinta é a opção de colocar absolutamente qualquer veículo desejado. Portanto, o tipo de veículo (óleo prensado a frio, alkalí, óleo de sol, stand oil, óleo de nozes, papoula, cártamo ou uma mistura de óleos) é completamente opcional. Veja em post anterior as diferenças entre esses óleos e opte por um deles.

7. Terebintina. O solvente é primordial para a limpeza dos materiais, principalmente para remover traços de pigmento e óleo do vidro e da moleta, mas também para promover a limpeza das espátulas.

8. Máscara de Gases. Alguns pigmentos são venenosos, como o Branco de Chumbo e os Cádmios. O principal risco de envenenamento é exatamente quando manipulados o pigmento, que é em forma de pó, pois as partículas podem flutuar no ar e serem aspiradas. A máscara de gases bloqueia as partículas e oferecem total segurança. Luvas descartáveis de silicone e óculos de segurança (transparentes) são peças que também devem ser usadas.

9. Medidores. É sempre interessante seguir medidas quando fazemos uma receita. Desse modo, as quantidades podem ser anotadas e reproduzidas mais adiante, assim como pode-se corrigir e detectar problemas de uma fatura que porventura não seja bem sucedida. Os melhores medidores são de aço inoxidável, mas é possível empregar medidores de plástico.

10. Bisnagas de Alumínio. Reservar tinta óleo em frascos de vidro pode ser frustrante, pois a medida em que a tinta vai sendo usada, o frasco conserva ar em seu interior, oxidando a tinta. O ideal é o uso das bisnagas feitas de alumínio. Elas podem ser encontradas em vários tamanhos e medidas, assim como em diferentes tipos de acabamento.

11. Pano de Limpeza. Prefira tecidos que não soltem pêlos.

12. Caderno de Anotações. Essencial para que o artista possa anotar suas operações para futura referência.



O Processo
Após organizar todos os items numa mesa limpa e confortável, siga os passos abaixo. Tenha certeza de colocar seus items de segurança (máscara, luvas, óculos) e ter os materiais de limpeza por perto.


1. Pigmento sobre vidro temperado


1. Usando uma colher medidora, despeje o pigmento diretamente sobre o vidro (ou mármore) que será usado como "mesa de dispersão", formando uma pequena "montanha" de pigmento. Um frasco de 100 ml (a maioria dos frascos costuma indicar quantidade em ml.) pode acomodar diferentes pesos de pigmento dependendo de sua natureza. Um frasco de 100 ml. de Azul Ultramar pode conter 60 gr. de pigmento, assim como outro frasco de 100 ml. de Cádmio pode conter 100 gr. de pigmento.

A quantidade de pigmento, assim como sua natureza, dita a quantidade resultante de tinta que será produzida. Alguns pigmentos possuem particulas maiores do que outros, aglomerando-se de forma diferente dentro do frasco e resultando em maior ou menor quantidade em peso e volume. Outra variante que deve ser levada em conta são as diferentes capacidades de absorção de óleo. Alguns pigmentos tendem a absorver mais facilmente óleo do que outros, essa diferença também pode influir na quantidade de tinta, portanto, não se surpreenda se dois frascos de pigmentos diferentes contendo a mesmo quantidade de pó resultarem em quantidades distintas de tinta.

Como regra geral, tenha em mente que o uso de um frasco de 100 ml. de pigmento (entre 60 a 120 gr.) costuma encher inteiramente uma bisnaga de 60 ml., e talvez ainda completar mais 1/4 de uma segunda bisnaga, mas isso dependerá do pigmento e da quantidade de veículo usado. Alguns pigmentos resultam em menos tinta do que isso. Como as variantes são grandes, é sempre bom anotar como se deu o processo, para futura referência e como meio de entender a relação entre quantidade de pigmento e volume de tinta resultante.



2. "Buraco" aberto com espátula


2. Com uma espátula, abra um buraco no centro do montante de pigmento.


3. Pequena quantidade de óleo secante


3. Despeje, em ínfima quantidade, o veículo a ser usado. use uma colher medidora. O óleo deve acomodar-se dentro do buraco aberto com a espátula. É comum ter a impressão de que é preciso pelo menos a mesma quantidade de veículo do que de pigmento, mas no caso da tinta óleo é necessário muito menos do que se imagina. Se despejamos muito veículo, a tinta será excessivamente oleosa e líquida, e deve-se adicionar mais pigmento para balancear a mistura. Despeje somente o suficiente para preencher a fenda no meio do montante de pigmento, sem que transborde ou escorra pelas lateriais.




Cadmium Red Deep: Saturação praticamente
da mesma cor do pigmento seco.


4. Início da mistura com espátula


4. Com uma espátula mole, começe a virar o pigmento ao redor do montante e a jogá-lo por cima do óleo. Numa ação que retira pigmento das bordas do montante e joga-o ao centro, onde se encontra o óleo. A maioria dos pigmentos adquirem uma cor mais escura quando entra em contato com o óleo, pois o óleo satura o pigmento. No entanto, assim como o caso dos Cádmios, nem todo pigmento torna-se mais escuro quando saturado.

Depois de algum tempo, podemos ter a impressão que há veículo insuficiente, e que deveríamos adicionar mais. Mas continue misturando o veículo com o pó sem adicionar mais óleo. A certa altura, ele irá se tornar uma massa empelotada, onde parte do pigmento não irá mais se misturar ao óleo. Para que isso aconteça, teremos que usar, no próximo passo, uma espátula dura.


5. Pré-dispersão ou "maceragem"


5. Com o uso de uma espátula dura, continue misturando a massa, fazendo força para baixo e espalhando ou "abrindo" a massa no vidro, praticamente como se estivesse "pilando", ou macerando. Aproxime as partes secas de pigmento da massa já saturada com óleo e macere-os. Se depois de alguns minutos a massa não estiver mais escura (saturada de óleo) por inteiro, adicione somente algumas gotas extra de veículo. Tenha certeza de que são somente algumas gotas. Não há necessidade do uso excessivo de óleo. Uma boa dica é mergulhar a ponta de uma espátula limpa no óleo e deixar que pingue duas ou três gotas sobre a massa. Macere até que todo o pigmento seco e claro esteja saturado.

6. "Abrindo" a tinta


6. Para preparar a tinta para a próxima etapa (7), é mais fácil "abrir" ou espalhar a massa com a espátula dura, formando uma área que cubra grande parte do vidro. Estique a tinta forçando a espátula dura para baixo, comprimindo a massa e forçando para que a mesma deslize e se espalhe pela área de trabalho. Procure formar um círculo com a massa. Quanto mais fina em espessura puder esticá-la, melhor.

7. Dispersão


7. A dispersão é a parte mais cansativa do processo, porém, uma das mais importantes. Chamamos de dispersão pois o trabalho da moleta é dispersar o pigmento no óleo, e não esmagar o pigmento como muitos imaginam. Com a  moleta, faça movimentos em forma de 8 com a tinta por pelo menos 5 minutos. Não é necessário aplicar força em demasia, lembre-se que a chave para uma boa dispersão é a quantidade de movimento e não a força empregada.





8. Raspagem da moleta


8. Retire a moleta cuidadosamente de cima do vidro de dispersão. A tinta, a essa altura, começa a tomar corpo, e ela tende a agarrar fortemente a moleta quando tentamos retirá-la do vidro, portanto é importante que se retire a moleta vagarosamente, segurando o vidro com a outra mão, pois do contrário ela pode levantar o vidro ou o mármore da mesa, tal é a força de adesão da massa. A moleta começa a acumular tinta nas lateriais vagarosamente. Essa tinta deve ser retirada da ferramenta e reservada, usando uma espátula mole, retire toda a tinta para deixar a moleta livre de excesso de tinta.

9. Recolhendo a  tinta


9. Coloque a tinta que foi removida da moleta novamente ao centro do vidro, e retire todo o resto de tinta que está na superfície do vidro, juntando todo o conteúdo de tinta ao centro. 

10. Abrindo novamente a tinta


10. A tinta deve ser aberta novamente, com uma espátula, para que volte a ser dispersada com a moleta, mais uma vez.

11. Dispersão em "8"


11. Novamente, disperse a tinta com a moleta em movimentos parecidos com o número 8, por pelo menos 5 minutos. Os passos 9, 10 e 11 devem ser repetidos pelo menos 4 ou 5 vezes. Quanto mais tempo a tinta puder ser dispersada melhor será o resultado. Algo em torno de 20 minutos é suficiente para adquirir uma dispersão adequada.



12. Adicionando agentes inertes extras


12. Em alguns casos, artistas gostam de adicionar espessantes ou adulterantes. Esses agentes inertes servem inúmeras funções. O mais usado é o Silicato de Alúminia, que impede que o pigmento separe do óleo, e é amplamente usado pela indústria para que as tintas tenham longa vida nas prateleiras das lojas. Na antiguidade a cera de abelha teve a mesma função e pode ser usada, embora o Silicato funcione melhor.

Muitos artistas preferem fazer suas tintas sem nenhum tipo de adição extra além de óleo e pigmento. A tinta industrial costuma reter o óleo justamente por causa dessas substâncias. A tinta artesanal costuma separar mais facilmente devida a ausência do Silicato, principalmente se armazenada por longo período de tempo. Não se assuste caso uma pequena quantidade de óleo vazar do tubo quando for aberto caso seu tubo passe por um longo período na gaveta. Para remediar esse problema, limpe o óleo da superfície (paleta) e exprema o tubo até que todo o óleo escorra.



Tinta pronta para ser entubada


A tinta artesanal, quando preparada com boa proporção entre óleo e pigmento é extremamente mais leve (no sentido de leveza na manipulação do pincel) do que a tinta industrial, as tintas industriais possuem um corpo mais rijo, como se ela tivesse "cera" em sua formulação. A tinta artesanal é muito parecida com a consistência da manteiga artesanal fresca, leve e cremosa, a consistência da tinta industrial se parece mais com a margarina industrial, mais seca e "imóvel", necessário maior pressão e força dos intrumentos para movê-la. A analogia da manteiga com a margarina é um pensamento consideravelmente próximo se considerarmos que ambas (tinta óleo e manteiga) são um tipo de emulsão gorda. Mesmo sendo mais líquida e leve, a tinta artesanal retêm os "desenhos" e texturas que formam quando movimentada.



13. Entubando tinta


13. Para entubar a tinta, as bisnagas devem ser carregadas pela parte de trás, que são abertas justamente para essa finalidade. É sempre aconselhável que se use uma espátula pequena, para que a mesma possa entrar na abertura da parte de trás da bisnaga, tornando o processo mais fácil. Durante esse procedimento, é comum que muita tinta fique presa nas paredes do tubo, e não caia no fundo da bisnaga. Para que a tinta se desprenda e desça até o fundo, segure o tubo como na foto, e gentilmente bata o bico da bisnaga em uma mesa ou superfície sólida. Ao repetir várias vezes o processo, a tinta deslizará para o fundo. 


14. Removendo o ar do tubo


14. Com um objeto longo, como o cabo de um pincel, amasse cuidadosamente o tubo no "limite" da tinta, tomando cuidado para que não prenda bolhas de ar. Passe o objeto até o fim do tubo, para que a parte de trás da bisnaga fique completamente plano. A operação costuma fazer com que boa quantidade de tinta saia pelos fundos da bisnaga, é sempre bom manter panos de limpeza por perto.


15. Fechando o tubo.


15. Para fechar a bisnaga, é possível empregar uma variedade grande de ferramentas. Morsas, alicates e uma infinidade de outras ferramentas podem ser usadas. Uma maneira fácil e prática é o uso de uma alicate para esticar telas.




16. Rótulo.


16. Finalmente, chega o momento de colocar o rótulo e escrever dados importantes como o nome da cor, fabricante do pigmento, veículo usado, proporção de ingredientes, data de fatura e quaisquer outras informações pertinentes a seu processo.

Sem querer entrar no mérito do "por que produzir sua própria tinta", comentado em post anterior, gostaria de salientar que a produção artesanal de tinta a óleo é razoavelmente trabalhosa e consome tempo considerável, mas compreende uma prática que enriqueçe o conhecimento do artista de modo pleno sobre as características de comportamento de seus materiais. Não penso ser uma prática necessária a todos os artistas, nem tenho a opinião de que toda paleta deveria ser composta de tinta artesanal, mas acho muito interessante que o artista inclinado a se comprometer profundamente com a pintura possa experimentar ao menos uma vez esse processo que hoje, é mais familiar a indústria do que aos artistas.




Gostaria de lembrar os leitores que o Cozinha da Pintura NÃO comercializa tintas artesanais ou industriais. As tintas apresentadas aqui são feitas em função de uma pesquisa acadêmica em Artes Visuais.


MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
UEBELLE, L. Charles; Paint Making and Color Grinding; London, 1913.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting of the Great Schools and Masters; Dover; 1847.
LAURIE; A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2011.

28 comentários:

  1. O que dizer??? Bem, eu achava que a quantidade de óleo dentro de um tubo dizia sobre a sua qualidade ou não. Vi que não é bem assim. Noto que algumas marcas importadas não contém quase óleo e precisa de um esforço para extraí-la do tubo ao contrário de tintas como Corfix que sai muito óleo depois a tinta.Noto que um tubo de Winsor & Newton é muito mais pesado do que um da Corfix tendo eles quase os mesmos "ml". Seria pela adição de outros materiais?? Então supõe-se que se a Corfix pesa menos deveria ser melhor por ter menos adição e não é.Ficou pra mim meio confuso isso que eu pensava.
    SEu post foi muito bom no esclarecimento e organização da didática. Um forte abraço

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  2. Celso quando a tinta é mais "pesada" é um indício de maior quantidade de pigmento, e é claro, menos óleo. Quanto MAIS pigmento, mais pesado. No entanto, estamos falando de uma mesma cor em marcas diferentes é claro. Mas a separação do óleo não tem relação com isso (claro, a menos que seja uma proporção ABSURDAMENTE exagerada).

    Quanto a separação do óleo, é comum que aconteça principalmente com tintas que estão MUITO tempo fechadas, ou tintas velhas, principalmente quando há pouca quantidade de Silicato. Se voce abre um tubo e o óleo escorre, isso NÃO está diretamente relacionado com a quantidade de óleo usado, mas com a eficácia dos aditivos e o tempo que a tinta foi feita. Tintas novas dificilmente separam, enquanto as velhas quase sempre apresentam escorrimento. É por isso que voce deve comprar tintas sempre numa loja onde o movimento seja grande, onde as tintas não estão enterradas num balcão há anos...

    Quando compro cores da Corfix, noto que alguns tubos escorrem enquanto outros são perfeitos. O mesmo TAMBÉM acontece com marcas estrangeiras. Comprei um Indian Red da Artist´s Oil (W&N) que demorou alguns MINUTOS escorrendo óleo, apresentando forte separação e escorrimento.

    A diferença de quantidade de óleo entre as tintas estudante e das tintas profissionais é razoável, mas os estabilizantes costumam compensar essa diferença, portanto, não acredito que o escorrimento da Corfix e de outras tintas linha estudante sejam por causa da quantidade de óleo, pode ser que os estabilizantes usados pela Corfix sejam menos eficazes do que aqueles usados pela Winsor.

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  3. De longe o post que mais me impressionou até agora; talvez pela minuciosa documentação visual...parabens Marcião!

    Obs: Rapaz, o Cadmium Red Deep ficou lindo hein?

    Abraços.

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  4. Wesley meu amigo, obrigado! Não tem nada demais o post... nada que voce não poderia aprender sozinho... mas obrigado. O Cadmium Red Deep ficou MELHOR ainda ao vivo, nas fotos a cor é um pouco distorcida... A surpresa foi notar o quão grossa são as particulas desse pigmento, de longe, o mais denso que dispersei. Abraço!

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  5. Mais um post de qualidade! Parabéns.
    Tenho muita vontade, e quem sabe um dia eu produzo algumas tintas usando o que você tem ensinado.

    Abraço.

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  6. Olá

    É a primeira vez que posto um comentário por aqui. Considero o conteúdo de muita importancia visto que a maioria que se ve na internet está em ingês e para o iniciante isso pode vir a ser um problema. Sou professor de pintura e desenho na Universidade Rural do Rio de Janeiro e um aluno me indicou o seu link. Vejo que ele tinha razão em relação à qualidade do conteúdo.

    Em relação a esse post, gostaria de acrescentar uma observação que não contraria nada que você falou: caso não se encontre esses tubos (aqui no Rio nunca vi) se pode usar, contanto que bem lavado, tubos de pasta de dente revestido internamente com estanho (pois o óleo ressecaria o plástico). É só preenche-lo pelo fundo também e fecha-lo com ferro de solda. Menos prático sem dúvida, mas quebra um galho.

    Vou divulgar seu site, com certeza. Abraço

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  7. PARA QUEM DESEJA SER UM ARTISTA, COMO EU, POREM RECIDE EM CIDADES NOS CONFINZ DA TERRA (RECIDO EM URUGUAIANA-RS), ONDE ENCONTRAR COISAS BASICAS, COMO UMA TINTA CORFIX, E ALGO IMPOSSIVEL, MUITO MENOS ENCONTRAR BIBLIOGRAFIA NA MATERIA PINTURA; PARA ESTES SEU BLOG E UMA GRANDE LUZ DE CONHECIMENTO, QUE ABRE OS OLHOS PARA OS MAIS DIVERSOS TIPOS DE INFORMAÇOES ERRONEAS PASSADAS POR FALSOS PROFISSIONAIS DA PINTURA. OBRIGADO.

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  8. Alexandre Greghi, obrigado pelo seu elogio. Agradeço. Certamente, como voce pode ver, é um trabalhão fazer tinta óleo. E o custo inicial para voce comprar os materiais (vidro temperado, moleta, pigmentos, mascara, luvas, espatulas, pigmento, etc) é alto. Recomendo a todos que façam isso quando desejarem algum tipo de "ajuste fino" a suas tintas, quando as tintas do mercado não suprirem certas características desejáveis ou como uma experiência, que certamente será enriquecedora. Abraço Alexandre!

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  9. Klaus Reis, fico emocionado em saber que meus artigos são de valia aos alunos de pintura de todo Brasil.

    Sua dica é sensacional, e NUNCA tive conhecimento do uso desse tipo de bisnaga. É com certeza uma outra opção. Muito interessante.

    São comentários com dicas como a sua que tornam esse espaço de comunicação algo incrível. Obrigado pela informação! Um abração!

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  10. Alejandro Della Porta, sei das limitações que infelizmente assolam nosso país. É realmente triste ter de admitir que no Brasil a maioria da população mal tem dinheiro para colocar comida na mesa, imagine então acesso a uma atividade cultural, como a pintura. Isso limita o alcançe do comércio de materiais. Mas, é possível sempre adaptar. Pinta-se com aquilo que temos disponível, pois o importante é seguir em frente, e não deixar que as limitações impeçam que se desista de uma atividade.

    Realmente, a internet dá chance para muitos "achismos". Sempre adverti aos leitores que leiam de tudo, mas que SEMPRE cruzem essas informações e tirem suas próprias conclusões.

    Obrigado pelos seus elogios, fico muito contente! Um abração!

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  11. Conteúdo do site é maravilhoso!
    Agora sim tenho um bom material para estudar.
    Gostaria de tirar uma dúvida!
    Queria saber que nível chega uma tinta feita em casa (modo artesanal) em relação as tintas industrializadas. Tipo: Da para se igualar a uma profissional ou a uma para estudante?
    É possível fazer uma tinta com a mesma qualidade das profissionais?
    O que difere realmente isso. Ou melhor! O que tenho que fazer para chegar a uma qualidade assim? Não sei se estou fazendo uma pergunta boba. É que o pouco que entendo, o que manda é a quantidade de pigmento na tinta. As profissionais tem mais pigmentos. Pelo passo a passo aqui mostrado, creio eu que seja uma tinta puríssima em pigmento! Seria ela então uma profissional ou até mesmo premium?
    Espero não estar falando bobagem.
    Amo pintar, sou autodidata, a única coisa que fiz foram cursos de desenho no Senac, pintura a óleo foi por conta própria e muita pesquisa na net.

    Espero que possa me esclarecer.
    Vocês já deram curso no RJ?

    Obrigado.

    Luciano Carvalho

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  12. Oi Luciano. As tintas artesanais, com um pouco de pesquisa e cuidados, pode ser considerada uma tinta "premium" sem sombra de dúvida. Não é a toa que linhas de tintas estrangeiras como a Michael Harding e Blue Ridge são praticamente artesanais, e custam preços exorbitantes.

    Acredito que a maioria dos colegas que juntamente com a cozinha trocou correspondência sobre fatura de tinta no ateliê conseguiu os seguintes resultados:

    Carga Pigmentária igual ou SUPERIOR as de linhas Premium industriais, possibilidade de criar cores puras usando somente um pigmento muitas vezes não disponível no mercado, vantagem de adicionar o óleo de sua escolha, vantagem de não haver nenhum tipo de adulterante na carga inerte.

    As únicas desvantagens, são que a tinta separa o veículo da carga inerte antes do que as tintas industriais e a dispersão pode deixar um pouco a desejar. No entanto, mesmo para esses problemas há uma solução: Inserir em sua tinta algum tipo de carga que contribua com a não separação, como o silicato de alúminia, e dispersar durante longo tempo sua tinta. A dispersão prolongada cansa bastante quando se usa uma moleta, mas é a única maneira de promover uma dispersão que se compare a feita pelos maquinários industriais.

    Ainda não demos cursos ou Workshops no Rio, embora já tenha sido sondado por uma faculdade do interior do Rio. Espero ter ajudado! Abraço!

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  13. pode ser feita com óleo de cozinha?

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  14. Não. Somente com óleos vegetais secantes. O óleo de cozinha fará com que sua tinta não seque.

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  15. Parabéns Marcio pelo empenho em divulgar seus conhecimentos,tal qual vai ser de muita utilidade para quem é apaixonado por pintura e tintas.
    Para tinta acrílica o pigmento é misturado com que veículo? Abraços e Felicidades

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  16. Olá Alvaro! Obrigado por suas palavras!

    O veículo das tintas acrílicas é uma emulsão acrílica, ou seja, uma substância sintética com polímeros acrílicos. É possível achar a substância nas casas de materiais artísticos, como a Casa do Artista.

    Um grande abraço!

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  17. Falar mais o que... sem palavras, este é o meu sincero comentário. Parabéns ! Descobri hoje de manhã através do facebook e será meu Guia.

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  18. Luciano, agradeço por seu comentário generoso! Seja bem vindo a nossa Cozinha! Um grande abraço!

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  19. Meus parabéns amigo,
    minha dúvida ficou nas bisnagas
    de alumínio, onde encontra-las
    e existe alguma maneira de improvisar?

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  20. olá amigos da cozinha da pintura, nunca comprei tintas em latinhas mas tenho vontade de comprar, principalmente os brancos que a gente usa mais, as empresas vendem em latas se eu compra-las usar diretamente da lata pode estragar a tinta? devo colocar em tubos também? grande abraço.

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  21. Olá Anônimo! Não há problema reservar em latas contanto que o nível de tinta dentro fique sempre "alto". Imagine que quanto mais espaço para "ar" tivermos dentro da lata, maior será a probabilidade da tinta oxidar. Portanto, por curto prazo, se a lata estiver já um pouco vazia, a tintá irá oxidar. Se voce usa uma larga quantia de tinta em POUCO tempo, não haverá problema, pois a mesma acabará antes dela oxidar. Se voce usa MUITO pouco, é melhor entubar a tinta depois que a lata estiver na metade ou até um pouco antes disso. Grande abraço!

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  22. Olá, Márcio. Quero parabenizá-lo pelo site e pedir, por favor, que me indique onde posso encontrar máscaras de gás como essa que vc usa e nome correto da mesma para não errar na hora de comprar... Quero muito pintar a óleo, mas tenho medo de intoxicação. Agradeço desde já. Abraços.
    André

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  23. André, voce não precisa usar uma máscara profissional para pintar. A máscara só será útil caso voce queira fazer suas próprias tintas, nesse caso, manipulando pigmentos em pó. A intoxicação é sempre causada pela aspiração do pó do pigmento ou, na grande maioria dos casos, causada pelo solvente. Pintar com solvente usando máscara não faz sentido. Elimine o solvente de seu processo, pois é possível. Leia nosso artigo "Pintando sem Solvente". Grande abraço!

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  24. Olá, parabéns por seu trabalho incrível! Onde encontrar os tubos para comprar, em São Paulo? Obrigada!

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  25. Olá Teresa! Em farmácias de manipulação. Grande abraço!

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  26. Para produzir tintas mais simples com pigmentos vegetais eu poderia usar óleos mais simples como de azeite ou milho? Parabéns pelo blog incrível!

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  27. Não. Os óleos de oliva e de milho não são óleos secativos, portanto, a tinta feita com eles demora demasiadamente para estabilizar num filme. Abraço!

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