terça-feira, 28 de junho de 2011

Pintando Sem Solvente

Já vimos brevemente em posts anteriores esse mesmo assunto, a grande maioria dos pintores usam algum tipo de solvente para diluir a tinta óleo e até mesmo aqueles que não precisam alterar a consistência da tinta ainda assim o fazem, simplesmente por que esse é o modo ensinado nas escolas de pintura. Um artigo mais detalhado sobre esse tema pode ajudar os leitores a terem consciência de sua importância.

Quando se adiciona solvente a tinta, isto é, a essência de terebintina, terebintina bi-destilada, ecosolv ou sansodor, principalmente quando adicionado em excesso, a mistura (solvente mais tinta) cresce em volume, sendo possível cobrir uma área maior. A mistura se "alastra" fazendo o óleo e o pigmento se espalharem de forma diferente do que quando não possuiam solvente. A tinta usada com solvente não possui a mesma característica corpórea da tinta original. O solvente como todo material volátil, evapora e "acomoda" a tinta na superfície de maneira diferente do que a da tinta diretamente do tubo. O filme que se forma sobre a superfície é mais frágil pois a tinta não foi aplicada com a mesma massa corpórea que preserva as partículas de pigmento presas num veículo (óleo).

Os filmes resultantes do uso excessivo de solvente são tão fracos que se parecem com a superfície de um trabalho de pastel seco. Se passarmos a ponta de um dedo na superfície desse tipo de filme, veremos que grande parte do pigmento está solto, devido ao alastramento indevido que a adulteração com solvente causa a tinta, criando um efeito opaco característico da pouca quantidade de veículo. O fenômeno persisti por muitos dias depois de pintado. Isso pode ser confirmado com um simples teste feito por qualquer artista. Quebrar a relação óleo/pigmento pode causar inúmeras desvantagens para a duração da pintura.



Terebintina Inodora da Gamblin

Na verdade a tinta a óleo não foi feita para ser usada de forma líquida. O solvente não contribui em nada para com a elasticidade do filme, pelo contrário, além de adulterar a pastosidade da tinta, ele evapora abandonando a mistura após ter promovido uma drástica mudança (liquidez da tinta). A verdade é que a proporção de óleo e pigmento das tintas é feita de maneira a dar corpo suficientemente fluido para que ela seja usada diretamente do tubo sem precisar de mais adições. É perfeitamente possível pintar sem o uso do solvente. Na verdade, é possível ir além, e pintar sem uso de qualquer material adicional se não a própria tinta. Nos casos de artistas que usam da técnica alla prima, é ainda mai fácil pintar sem solvente.


Caso o artista esteja insatisfeito com a textura e corpo da tinta e ainda ache necessário maior fluidez, existem algumas medidas que podem ser tomadas. A medida mais prática e sadia é mudar a marca de tinta, sendo que as variações de pastosidade mudam consideravelmente entre as marcas, e encontrar uma marca que possua uma pastosidade mais concordante com seu gosto pessoal. As tintas de natureza artesanal costumam apresentar um corpo menos pastoso, com maior mobilidade, mas é possível encontrar tintas profissionais de fatura industrial com excelente mobilidade e alastramento. Se voce não está satisfeito com a pastosidade das tintas que tem usado (grande parte dos pintores brasileiros usam tintas da Corfix, Acrilex, Gato Preto ou Winton, geralmente por causa do preço), pode ser a hora de começar a testar tintas estrangeiras, de melhor qualidade do que aquelas que tem usado. As opções são inúmeras.

Difícilmente um artista disposto a pagar o preço de experimentar inúmeras tintas estrangeiras não encontrará algo do seu gosto. Se voce não encontrou, é por que não experimentou marcas suficientes. Mas, caso a mudança de marca não seja suficiente, e voce tenha experimentado de tudo, sem estar satisfeito, é possível usar a adição de algum medium para mudar a consistência de sua tinta, e conseguir fluidez suficiente, assim como voce conseguia com o solvente (terebintina). O medium pode conter solvente sem problemas, contanto que siga-se as recomendações de proporções dos links mencionados abaixo. Quando usamos um medium, isto é, uma mistura de óleo vegetal que pode levar solvente, resinas ou agentes inertes, estamos dividindo a "carga" de solvente com outras substâncias que compensam a perda de elasticidade da tinta. É bem diferente do que os casos onde só se usa solvente. Para uma lista básica de mediums simples e adequados, que podem suprir praticamente qualquer necessidade expressiva, consulte o artigo sobre medium. No entanto, como comentado em artigo anterior, é interessante que não se use mais do que 20% de medium na porção de tinta a ser usada.

Os benefícios de um processo livre de solvente são inúmeros. Não somente temos a proporção óleo/pigmento inalterada, como espalha-se a tinta com a pastosidade correta sobre o suporte (o que não aconteçe quando se usa muito solvente para torná-la mais líquida). Isso é garantia de um filme saudável e duradouro. Em segundo lugar, eliminamos o odor do solvente, que mesmo tratando-se de um diluente inodoro (como o ecosolv), pode trazer irritação aos mais sensíveis. Os solventes também encurtam a vida útil de pinceis de pêlos naturais, portanto sua eliminação pode prolongar o uso de ferramentas caras como os pincéis kolynsky, sable, mongoose, esquilo e outros pêlos nobres.

Alguns pintores costumam adicionar grande carga de solvente no underpainting, para que o mesmo, seque de maneira mais "rápida". Na verdade, a pintura com pouco óleo certamente secará mais rápida do que aquela com quantidades apropriadas de óleo, mas ainda assim teremos uma superfície com tinta "solta". Isso pode significar um sério problema caso o artista queira iniciar uma segunda camada imediatamente, pois as particulas soltas de pigmento podem se misturar com as próximas cores, ou ainda remover e espalhar a pintura feita anteriormente. Isso é mais grave quando se pinta em camadas e o underpainting é feito para "aparecer" sobre a nova camada. O ideal é que se use no lugar da terebintina um medium secante para o underpainting, embora muito artistas não se preocupem com a mistura das cores, particularmente quando se pinta alla prima e as cores do underpainting são praticamente as mesmas das "camadas" que virão depois.

Os solventes dos Velhos Mestres eram substâncias relativamente diferentes dos solventes modernos, com mais substratos resinosos, e ainda assim, não eram usados amplamente como hoje. Há poucos relatos de seu uso misturados a tinta a óleo nos antigos tratados e cartas de correspondência, e a maioria, relacionados a popularização do procedimento, são de um período posterior a revolução industrial. Pintar com solvente não faz muito sentido. O pintor foi condicionado pelas escolas, lojas e livros de pintura a comprar um solvente e usar juntamente com a tinta. Mas quantos pintores ousam perguntar o "por que", e experimentar não usá-lo? Para sua surpresa, descobriria que o procedimento livre de solvente além de possível, é libertador de inúmeras maneiras.


MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.
LAURIE; A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2011.

44 comentários:

  1. Márcio, esse post é muito importante! Existem várias escolas ensinando os alunos de pintura diluirem as tintas apenas na Água Raz...
    Abraço

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  2. Água Ráz? E eu que achei que terebintina já não era o melhor procedimento do mundo... o que pensar disso?

    Obrigado Paulo! Abraço!

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  3. Não aguento! A Água Ráz é um solvente grosso, e não um substrato destilado feito para durar. Existem inúmeras impurezas em sua constituinte e é extremamente gordurosa. O pior é que essa gordura NÃO é proveniente de um óleo secante. Podem contar traços de óleos NÃO secativos, e fazer sua tinta demorar mais a secar. Faça um teste. Ponha um pingo de Água Ráz num tecido ou papel, e pingue uma gota de terebentina ao lado. Voce verá que a Água Ráz deixa residuo, e a Terebentina não.

    Agora imagine. Além de quebrar a proporção de óleo/pigmento de sua tinta, voce ainda adicionará resíduos excessivos de gordura não secativa e outras impurezas. Definitivamente, procedimento não recomendado!

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  4. Muito bom Marcio! Uma outra possibilidade de começar a pintura sem solvente seria utilizar um pincel de cerda dura espalhando mais a tinta sem solvente numa primeira sessão Certo? Acho li isso no Ralph Mayer. Sem contar na massa de carbonato é claro...
    No Brasil pintar sem solvente é bem raro entre os artistas, mas esse assunto vem sendo bastante abordado nos blogs e foruns americanos ultimamente, acho que as pessoas estão acordando para analizar a real necessidade de encharcar a pintura com solvente, A permanencia da obra agradece! rs
    Abraço, exelente post!
    Leo

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  5. Bom dia Léo, meu amigo!
    Sim, usar um pincel de cerda mais dura também pode ajudar. Claro, se sua técnica ou efeito final permitir, é claro. No caso da pintura em camada e nas veladuras o aconselhável sempre serão os pincéis macios, mas para uma pintura mais solta, ou para alla prima, as cerdas duras são uma ótima opção. Muito bem lembrado.

    Se o artista deseja algo "no meio do caminho", entre as cerdas duras e moles, aconselho os pincéis de cerdas de Mongoose, sintéticas ou naturais.

    O Carbonato de Cálcio também é uma boa opção de ingrediente num medium que contenha veículo para melhorar alastramento e fluidez, assim como tranparência.

    Pinto sem solvente já faz algum tempo, sem problema algum. Obrigado pelo seu comentário! Um abração!

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  6. interessante, marcio. realmente não havia ainda atentado para o NÃO uso de solvente. apenas para o EXCESSO de uso de solvente. e, mesmo neste caso, sempre havia a solução do medium terebintina + óleo de linhaça. uso muito pincéis de pelos macios pelas características de meu trabalho. e confesso-me meio viciado numa terebintina (o cheiro dela faz parte da minha adolescência, meu primeiro estojo de pintura, meus primeiros quadros, sabe como é, né?, rsrs... pintamos também com nossas memórias...). você me vai fazer ter uma noite de sono agitado...
    um abraço cheio de preocupações...
    paulo de carvalho

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  7. Paulo, não perca o sono! O que preocupa é o excesso de terebintina, e não o uso cauteloso do mesmo. Existem pintores que diluem a tinta diretamente com terebintina, isso sim, é preocupante. Sempre usar terebintina, o tempo todo, enfraquecendo as propriedades elásticas da tinta. Se voce usa um pouco de terebintina no medium, digamos, 1/3 ou até mesmo uma parte pra outra parte de óleo, já temos um cenário melhor.

    Veja bem, o uso do solvente não é algo perigoso a pintura, contanto que o solvente sej usado para alterar MODESTAMENTE a tinta. A nossa regra de 20% de medium na tinta, com um medium que leve 1/2 parte de terebentina já garante boa mudança pra consistência sem nenhum perigo a longo prazo. Portanto, NÃO perca o sono Paulo! Um abraço!

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  8. ufa! fico mais tranquilo. bom, isso bate com o que já imaginava.
    mudando de assunto: gostaria de lhe propor um tema para um post. desculpe-me se você já o abordou anteriormente. o assunto seria longo de explicar, vou tentar ser breve: tenho um problema sério em relação a igualar o brilho da camada final da pintura. não posso me dar ao luxo de esperar meio ano para envernizar um quadro com pincel, infelizmente. então uso um verniz aplicado em spray e por mais que tente, sempre vejo desigualdades na superfície. sei que tenho superfícies mais rugosas, outras mais lisas. mas as lisas predominam. de frente não, mas de lado as diferenças de brilho são gritantes. algo a ser fazer?
    paulo de carvalho

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  9. Paulo, é um problema comum, e está na lista do top 10 das perguntas mais frequentes! Voce pode aplicar o que chamamos de "couch" em sua pintura. Preste bem atenção nas suas áreas opacas e sem brilho e molhando a ponta de um dos dedos em óleo de linhaça e então "massageie" essas áreas. Pode inclusive usar um lenço descartável de papel para retirar o excesso. Isso deve secar em dois ou três dias e ser suficiente para unificar o brilho da pintura como um todo. Lembre-se que a idéia é usar MUITO pouco óleo. Abraço!

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  10. Voce pode aprender mais sobre o "couch" aqui nesse artigo:

    http://cozinhadapintura.blogspot.com/2011/04/tecnica-de-pintura-em-camadas-parte-ii.html

    Abraço!

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  11. fantástico, marcio! já tinha lido sobre o couch no seu post, mas não para igualar o brilho da pintura. ótima idéia, mesmo! apenas suponho que esta camada de couch seja aplicada antes do verniz final, pois não?
    gratíssimo,
    paulo de carvalho

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  12. Sim Paulo, a idéia é usá-lo no lugar do verniz para saturar as cores e trazer brilho. Você NÃO irá envernizar a obra imediatamente depois do couch. É um "truque" pra poder expô-la em tempo hábil somente... depois que tiver passado um bom tempo (6 meses, 1 ano) para a pintura e o couch secarem, aí sim, poderá envernizá-la. Mas lembre-se, é uma camada FINÍSSIMA com o uso de pouquíssimo óleo. Abraço!

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  13. olha,continuo lendo e aprendendo,ja nao consigo ficar sem entrar neste blog,diariamente,grande abraço

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  14. Obrigado Túlio! Suas visitas são mais do que bem vindas! Sinta-se em casa! Abraço!

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  15. Fiz meu primeiro contato com você exatamente para perguntar sobre isso, dicas de como utilizar solvente. Acabei me convencendo, com suas explicações, que talvez seja melhor encontrarmos dicas de como não usarmos solventes. Passo por aqui sempre e não me canso de aprender. Parabéns por mais uma bela dica.

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  16. Pois é Rosário, essa é uma das perguntas que mais recebo. O pessoal GOSTA de solvente! Obrigado pelos seus comentários, sempre tão generosos! Adorei seu passo a passo, e já fiquei sabendo que haverá um outro! Estou curioso! Abração meu amigo!

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  17. Acessem o fantástico passo a passo de José Rosário aqui:

    http://joserosarioart.blogspot.com/2011/06/paisagem-passo-passo.html

    Vale muito a pena! Abraço!

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  18. É o que vc falou: Quer tinta líquida? pinta com acrílica ou aquarela e não com óleo...
    Belo post!
    :)

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  19. Rsrsrsrs... Pois é Celso, é mais ou menos isso mesmo! Um abração!

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  20. hum...minha professora recente ensinou a umedecer o pincel na água rás, retirando-se o excesso e depois na tinta p dar a demão de fundo, as demais ssomente será usado a tinta a óleo...uma professora anterior fazia a mistura de terebintina+linhaça, essa eu acho q o pincel desliza melhor na tela, mas só com água rás (um mínimo) a pintura parece ficar mais fina, e de acordo com a professora n irá craquelar no futuro (dúvida)..Tenho telas pintadas de 10 anos atrás com a mistura terebintina+linhaça q estão perfeitas...estou na dúvida se entro em desacordo com a professora recente e retorno p mistura terebintina+linhaça ...pode me ajudsr a sanar essa dúvida?

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  21. Olá Kalila! A água raz é um solvente bruto, de procedência diferente da terebentina. O problema é que a Água Raz (invariavelmente) pode conter traços de gorduras saturadas que levam MUITO mais tempo para secar do que as gorduras encontradas no óleo de linhaça. Por se tratar de um solvente bruto, e com pouca destilação, a Água Ráz é muito mais agressiva com os pincéis de pelos naturais que porventura voce possa vir a usar.

    Faça um teste do papel: pingue um pouco de água ráz numa sulfite, e mais afastado, pingue um pouco de terebentina. Espere evaporar por pelo menos uma hora. Examine o papel e veja os resíduos de ambas substâncias. Voce notará que a terebentina praticamente não deixa residuos, enquanto a Água Ráz forma um resíduo gorduroso que inclusive pode tingir o papel com traços amarelados. O uso da água raz implica em deixar esses resíduos em seus pincéis e na sua pintura.

    A prática do uso da água ráz parte sempre do pensamento da econômia. Mas faz algum sentido usar pincéis e tintas caros e economizar somente no solvente? A terebentina artística bi-destilada é feita justamente para a pintura, e é solvente mais indicado. Se voce não gosta de solventes, é possível pintar e lavar seus pincéis sem o uso de solvente. Mas se prefere usar solventes, só use terebentina. Um abraço!

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  22. Obrigada por esclarecer as minhas dúvidas, vou conversar com a professora. É ruim uma pessoa leiga como eu querer mudar o q uma pessoa q pinta há muito tempo pensa, mas acho q aí prevalece o bom senso. Nâo gostei de pintar com água raz, prefiro a leveza da linhaça. By.

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  23. OI pessoal
    queria saber qual o pincel adequado para pintar rosas
    cerda mole ou cerda dura?
    Grato:Isaac
    Deus abençõe

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  24. OI quero saber se é certo usar só óleo de linhaça para diluir a tinta
    Não tenho conhecimento nessa area
    To descobrindo ainda o mundo magico da pintura
    nem fiz curso nenhum ainda
    mas ja pinto do meu jeito

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  25. Olá Isaac. Os pincéis de cerda dura são melhores para o início da pintura, quando é necessário espalhar bastante a tinta. Também é bom para tintas mais densas e trabalhos mais soltos. Os pincéis de cerdas moles são melhores para trabalhar a tinta de forma mais delicada, durante a metade ou final da obra, ou para tintas com mais óleo e para trabalhos mais lisos e contidos. Abraço!

    Outro erro comum é usar agua-ráz e outros solventes com destilação insatisfatória para pintura. Compre somente terebentina bi-destilada, encontrada nas lojas de materiais artísticos. É interessante lembrar que muitos pintores não usam NENHUM tipo de adição a sua tinta para pintar sendo possível pintar sem solvente ou óleo.

    Voce pode usar óleo de linhaça para dar um corpo mais líquido a sua tinta se preferir, mas é sempre bom manter a tinta próxima de suas características originais, portanto, evite adicionar óleo demais. Uma regra de ouro é nunca adicionar mais do que 20% de óleo ou de terebentina a sua porção de tinta. Um abraço!

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  26. Olá, Márcio,

    Em primeiro lugar, parabéns pela altíssima qualidade do conteúdo de seu blog. Sendo da área acadêmica (Filosofia) eu estava ansioso por algum site que lançasse esse olhar científico sobre a pintura.

    Pinto predominantemente em acrílica, mas a falta de um site como o seu, nesse medium, está me deixando cada vez mais com vontade de migrar para o óleo.

    Recentemente descobri também o site do Tad Spurgeon, que elogia muito o tal "putty medium", e sempre o comenta em associação à pintura sem solvente. Nesse sentido, pergunto: qual o substituto nacional para o "marble dust" (calcita) que vai na receita do putty medium? A propósito, você tem o livro do Tad, "Living Craft", e recomendaria ele?

    Abraço,
    Jerzy

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    1. Olá Jerzy! Tente mudar para o óleo. É bem diferente, muito suntuoso... uma experiência única, vale a pena!

      O Tad é um dos meus correspondentes nos EUA mais frequentes. Trocamos muitos e-mails há alguns anos atrás. Mas a pesquisa dele tomou um rumo diferente do meu, e acabamos por perder um pouco o contato. Já faz algum tempo que não entro em seu site. Mas, sua pesquisa é muito interessante, com uma postura séria e muito disciplinado. Muita coisa boa. Ainda não comprei o Living Craft, apesar de estar na minha lista de próximas aquisições nos próximos meses! Sim, recomendo que compre o livro.

      O Marble Dust é literalmente o pó de mármore. Voce pode encontrá-lo em marmorarias, ou, na Casa do Artista. Um substituto que não é a mesma coisa, pois produz um putty mais macio e de comportamento levemente diferente é o carbonato de cálcio. Diferentes procedências de carbonato também diferem em seu comportamento.

      Obrigado por seus elogios, fico muito contente com sua gentileza. E volta a escrever! Um grande abraço!
      Marcio

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  27. Impossível ficar sem consultar um site de tamanha generosidade e conhecimento sobre artes. Parabéns e obrigada sempre1

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  28. Esse é um valioso site que todo e qualquer artista deveria consultar antes de se aventurar na pintura e mesmo para os que já dominam esse universo. Parabéns por tonar o mundo da arte mais belo ainda.

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  29. Consulto esse site no momento em que me preocupo mais especificamente com a durabilidade do meu trabalho. De qualquer maneira, estranho em todas as perguntas e respostas a ausência da questão da expressão individual, associada à técnica. Não imagino a minha capacidade de expressão no óleo, sem que a tinta seja fluída: trabalho em sucessivas camadas tranparentes, até chegar ao empaste. Como isso pode estar errado, se o melhor resultado expressivo eu alcanço assim?
    P.S. Já pintei sim, como a tinta direta do tubo; Porém, com espátula.
    Edgard Rodrigues
    edgar.rodrigues@uol.com.br

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  30. Caro Edgar, não há certo e errado, mas procedimentos mais seguros e outros menos seguros. Modificar a catálise do pigmento/veículo é sempre arriscado, principalmente quando há grande exagero em veículo (nesse caso, solvente). Limitando-se a no máximo 20%, estará dentro de uma melhor margem de segurança.

    Pense na seguinte possibilidade: se voce gosta de tinta mais líquida, é possível encontrar marcas que ofereçam corpo mais líquido, e se vice deseja alcançar transparências, também é possível alcança-la com pigmentos que são naturalmente transparentes. Pintar com adição de solvente é totalmente possível e muito mais seguro do que usar grandes quantidades de solvente.

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  31. Sou autodidata, em sempre vi muitas aulas pela internet, ou post em site, sobre preparação de medium mas eu nunca gostei de misturar ou adicionar nada às tintas que uso. Então eu estava fazendo certo instintivamente.
    Um abraço!
    Cleber Oliveira

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  32. Veja bem Celso, não há certo e errado. Há somente possibilidades que muitas vezes passam despercebidas pelos artistas, e uma delas é a opção de se pintar SEM solvente algum. É uma opção totalmente possível nem sempre praticada por falta de bom senso. Um grande abraço!

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  33. Estou aprendendo demais aqui. muito obrigado!!

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  34. Caro Jesse, agradeço as palavras gratificantes. Um forte abraço e VIVA A PINTURA!

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  35. Olá Marcio, em primeiro lugar parabéns pelos posts. Já leio seu blog há tempos, mas estou ainda iniciando na pintura com óleo. Gosto da técnica alla prima e também espatulada, o que, de cara, já anula a necessidade de solvente para a tinta. Queria que você respondesse a duas dúvidas minhas, se possível: posso começar manchando a tela com tinta acrílica (bastante aguada) para marcar os blocos? E a segunda: para limpar 100% os pinceis, basta usar água morna no final? E durante o processo, basta tirar o excesso com papel? Grato e parabéns mais uma vez.

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  36. Caro Beto, grato por seu elogio.
    A questão da adesão do óleo sobre a acrílica ainda é um assunto que gera controversias no campo de estudo dos materiais. As opiniões estão ainda divididas. Pessoalmente, creio não haver problemas quando a camada da acrílica for de fato bem fina e as camadas subsequentes de óleo com impasto generoso. É importante lembrar que a textura do tecido usado na tela não deve ser extremamente liso. O tecido deve mostrar os poros mesmo depois da aplicação da acrílica, para que o óleo posso se agarrar adequadamente ao suporte. O uso da água morna com bastante sabão é adequado. O mais importante é que se lave quantas vezes for necessário para que todo o resto de tinta saia, conservando os pincéis. Grande abraço!

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  37. Boa noite Marcio!

    Muito obrigado pela qualidade das informações!

    Me desculpe se a pergunta é um pouco básica ou ignorante, mas li este artigo e o outro sobre Mediums e não encontrei uma resposta exata.

    Parei de pintar a óleo por causa do cheiro do solvente e não sabia que era possível pintar sem ele.

    Durante a pintura como é feita a limpeza do pincel? Utiliza um pano ou papel toalha para retirar o excesso? É o suficiente para não sujar as outras tintas com a que fica nas cerdas?

    Após o término da pintura também é possível limpar sem o solvente? Li em algum comentário água morna e sabão neutro, é isso mesmo?

    Muito obrigado, grande abraço!

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  38. Olá Fábio! Durante a pintura, para a troca de pinceis, somente óleo de linhaça para tirar o excesso e depois um pano para retirar o óleo sujo. Após a pintura, sim, somente água e sabão neutro, não precisa nem ser morna, mas ajuda quando quiser fazer uma limpeza mais adequada. Você verá que é possível trabalhar assim e não sentirá falta do solvente. Grande abraço!

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  39. Oi Marcio! sempre pintei usando terebentina+óleo de linhaça. Nessa última tela, experimentei ecosolv+óleo de linhaça na primeira demão. Grande erro! já faz uns cinco dias e o cheiro não dar pra suportar com a tela dentro de casa. Tive que deixá-la do lado de fora. Já pensei até em descartá-la.Existe alguma maneira de neutralizar esse cheiro? e qual a sua opinião em se usar secante de cobalto no médio? Abraço e obrigado.

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  40. Caro Valmy,
    É estranho. Geralmente a mistura de qualquer solvente inodoro ao óleo de linhaça não costuma deixar tanto odor. O secante de cobalto deve sempre ser usado em ínfimas quantidades ou preferencialmente ser trocado por secantes mais seguros, como aqueles com base em resinas alquídicas. Abraço!

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  41. Olá Marcio! Obrigado pela dica sobre o secante. Já resolvi o problema do cheiro forte do ecosolv. Coloquei a tela exposta ao sol por algumas horas e o solvente exalou. Observei suas orientações sobre solvente. Não usarei mais solvente. Obrigado, abraço.

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  42. Não é só possível COMO tbm muito correto e melhor pintar sem solvente.. as linhas de tinta t alens por exemplo são já bastante amanteigados. E a cultura dos solventes é mais uma questão de hábito do q necessidade absoluta de usar Los. sou um pintor clássico e não vejo motivo algum para usar terebintina ou qualquer outro solvente. Óleo de linhaça sim. Muito pouco inclusive. As obras de Pedro alexandrino muitas delas são apenas óleo de linhaça na tinta para dar uma transparência naqueles fundos transparentes aparecendo até a marca das cerdas do pincel na tela. Praticamente uma sujeira. Rembrandt tbm e tantos outros faziam isso. Tive tantos malogro quando iniciei na pintura fazendo testes com tudo q eu sabia das pesquisas.. conclusão :: nenhuma efeito é superior ao da tinta oleo pura e somente modificada alguma cor pesada com uma gotinha de oleo de linhaça. Todas obras q Rembrandt fez com acréscimos de materiais porosos como carbonato de cálcio ou farinha e várias outras coisitas mas. Eram testes q ele como pintor fazia.. porém podem ver q não estão presentes em todas as obras dele. Gosto muito do seu blog caro Márcio. Ele é muito importante para todos nós. Vc é um excelente artista e pessoa tbm . PORQ se preocupa em dividir. Abraço e tudo de melhor sempre.

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  43. Caro Gerson, obrigado pelas palavras gentis. Um grande abraço!

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