quinta-feira, 5 de maio de 2011

Técnicas de Pintura em Camadas - Parte III - Sfregazzo

Continuando a análise de possíveis abordagens práticas dentro da pintura indireta, veremos a seguir a última parte do tema, mostrando mais dois procedimentos, o sfregazzo e o esbatimento, ambos com conceitos muito similares.

Leonardo: SfumatoSfregazzo.


O Sfumato
Uma das criações mais importantes para a pintura, se não a mais importante em termos históricos, é constantemente apontada como uma criação da escola italiana, por Leonardo Da Vinci. O Sfumato, termo cunhado a partir do verbo "esfumar", ou "tonalizar", é uma técnica que provavelmente veio dos desenhos a carvão e da sanguínea, e mais tarde, empregou-se o mesmo princípio na pintura a óleo. Muito se fala sobre o sfumato, mas quase sempre não se explica de modo claro sua importância dentro da arte, o sfumato mudou a história da arte, em dois aspectos que veremos a seguir.

Sua idéia básica é a de "esfumaçar" o papel com o resíduo deixado pela ferramenta (carvão, sanguínea), através de um trapo velho, um pincel, uma "boneca" de pano ou até mesmo a ponta do dedo. Essa "sujeira" pode ser guiada ou espalhada por esses instrumentos, produzindo uma área "esfumada". O sfumato produz sombreados e gradações de valores difusos e suaves sem linhas ou demarcações duras, geralmente partindo do claro para o escuro. As áreas claras constituem-se pelas áreas do papel ou do suporte que não foram "borrados" pelo sfumato, e as áreas escuras são feitas através da ação de friccionar o carvão ou a sanguínea no suporte. A técnica propulsionou a criação de obras profundamente realísticas. Antes, as marcas de linhas deixadas pelos materiais eram usadas para criar hachuras e assim criar uma ilusão de volume. No entanto, a técnica de linhas ou hachuras apresenta claramente a intenção da técnica em construir uma ilusão através da soma de várias "marcas" deixadas pelas mãos do artista. Pode-se dizer então, que o sfumato é a criação técnica que proliferou e tornou possível o alcançe de uma nova "modalidade" de pintura mimética, com um realismo até então inédito. É possível que a impressão causada pelo sfumato fosse algo parecido com o impacto causado pela fotografia quando foi inventada.



Leonardo: Hachuras, Sfumato e Sfregazzo com Branco


Com o sfumato, as hachuras e linhas desapareciam, e a luz e sombra podia ser pintada de modo a criar ilusões de profundidade muito convincentes, assim como efeitos atmosféricos de distância entre objetos. Sem o sfumato, a história da arte teria tomado um rumo diferente. Com essa técnica, a pintura a óleo tornou-se o "carro chefe" das artes, pois a facilidade de se obter degradês com o óleo, aliado a técnica do sfumato resultaram numa abordagem perfeita para obter pinturas extremamente realistas. Com a possibilidade de se conseguir transações suaves e naturais, assim como vemos na natureza, a marca do pincel ou do lápis deixam de aparer como principais figurantes dos desenhos e pinturas.

É notável aqui, que o desaparecimento da mão humana, assim como da intenção do artista ou sua presença, é pauta como um dos adventos mais importantes da história da arte. As marcas de pincéis e os "acidentes" espontâneos das ferramentas são maquiados através dessa técnica, surtindo um efeito de completa assepsia. Conceitualmente, o sfumato tornou possível que o artista pintasse uma cena verossímel, crível, onde não se vê traços da fatura humana, causando um paralelo com a criação divina, como se a obra fosse entregue pelas mãos do próprio Senhor. Perfeito para decorar o interior das igrejas e catequizar os fiéis. Em termos conceituais, o artista esconde a marca do gesto e apresenta obras isentas de "distrações" e imperfeições, peças que parecem entregues por mãos que não humanas. Em termos técnicos, um passo gigante em direção ao realismo e a mímese.


Portanto, o sfumato serve-nos como uma boa explicação de como uma técnica de desenho pode ser empregada na pintura de modo a surtir efeitos miméticos, totalmente compatíveis com aqueles usados pelos pintores da atiguidade. O sfregazzo, técnica de pintura indireta, é uma "extensão" do sfumato na pintura.

Sfregazzo
Partindo do mesmo princípio físico que o sfumato, o sfregazzo funciona a partir da fricção ou ato de "esfumaçar" com a tinta. Também chamado de "scumbling" nos EUA, é uma técnica que necessita alguns esclarecimentos para que seja empregada de forma adequada. Em primeiro lugar, aqueles que desejam pintar com o sfregazzo devem lembrar que é possível atingir resultados similares (em termos formais) com a técnica de veladuras. No entanto, a pintura final, feita inteiramente com sfregazzo, tem características diferentes do que aquela feita somente com veladuras. 





Underpainting inacabado feito inteiramente com Sfregazzo.


O sfregazzo tende a apresentar uma superfície pictórica mais opaca e rudimentar, enquanto a veladura tende a apresentar uma superfície mais lustrosa e lisa. De modo que quando usamos numa mesma pintura ambas as técnicas, vemos claramente pontos com brilhos em diferentes intensidades. As áreas de sfregazzo são claramente mais opacas. Isso se deve a própria natureza da abordagem. Para tirar proveito máximo do sfregazzo, é necessário usar pouca tinta no pincel. Quando carregamos demais o pincel, a tinta se espalha de maneira a criar manchas fortes sobre a pintura. Para que se alcançe um efeito esfumaçado, é necessário carregar de tinta somente as pontas do pincel, e ainda assim, retirar o excesso de tinta limpando o mesmo num pano limpo que não solte pelos. É assim que o sfregazzo deve ser aplicado, com o pincel praticamente seco.


Detalhe de Underpainting feito com Sfregazzo.


Com movimentos circulares, ou com movimentos de "espanar" a superfície, a pouca quantidade de tinta começa a se agarrar na pintura, formando o sfumato. É importante lembrar que a técnica gera camadas de pintura com pouco veículo, e essa prática não é totalmente segura quanto a longevidade das obras. As chances do pigmento se desprender existem, devida a baixa quantidade de óleo envolvendo as partículas de pigmento. Esse é um dos motivos pelos quais a pintura em camadas é as vezes substituida pela pintura alla prima. No entanto, algumas precauções podem ser tomadas para que a película resultante torne-se mais durável. Alguns pintores preferem usar o sfregazzo somente no underpainting, e terminar a pintura com camadas de veladuras coloridas. Nesse caso, as veladuras funcionarão como um "verniz", que prenderá as camadas de sfregazzo abaixo delas. Outro modo de promover mais segurança é aplicar uma fina camada de couch (visto no artigo anterior) em cima das áreas feitas com sfregazzo, após a camada de sfregazzo estar completamente seca. Essa camada além de proteger o sfregazzo, dará mais brilho a essa área que provavelmente é mais opaca. Duas vantagens do sfregazzo são a economia de tinta e o rápido tempo de secagem. Tomando esse artigo como um breve guia de procedência, é possível alcançar bons resultados com essa técnica clássica.

A desvantagem da técnica é o fato dos pelos dos pincéis quebrarem ou descolarem do ferrolho do pincel. Com o tempo, se o mesmo pincel só é usado para sfregazzo, nota-se que o mesmo começa a perdar as "pontas", que são literalmente comidas pela fricção entre os pelos e o suporte. O melhor é usar pincéis que não sejam muito caros, aliados a uma superfície de pintura com uma base de gesso bem lisa, pois quanto mais porosa a superfície, mais dano trará ao pincel.

Esbatimento
A técnica de esbatimento é uma aliada do sfregazzo. Para acelerar o processo do sfregazzo em grandes áreas que necessitam maior carga de tinta, o pincel é carregado com um pouco mais de tinta do que o necessário, mas ao invés de se "espanar" o pincel na superfície, ele é literalmente batido, inúmeras vezes, sobre o suporte. A ação de bater, ou esbatimento, descarrega maior concentração de tinta sobre o suporte. No entanto, é aconselhável que se tome muio cuidado, pois o esbatimento pode facilmente arruinar uma área, deixando manchas que parecem inumeros "carimbos". O sfregazzo pode ser aplicado "em cima" dessas manchas, para espalhar o pigmento e "arrumar" o sfumato de modo a se difundir o degradê no modo que se deseja. É uma técnica simples, praticamente rudimentar, mas que pode ser treinada e praticada para ser grande aliada na pintura em camada.

Com esse breve artigo em três partes, discutimos de grosso modo as principais maneiras de se pintar em camadas. Existem ainda outras abordagens, cada uma com seu mérito. Mas essas discutidas aqui compreendem os procedimentos mais clássicos e amplamente usados na maioria das escolas antigas da pintura. Gostaria de ressaltar, novamente, que embora a pintura em camadas seja um processo válido e adequado para certos efeitos particulares, ele pode ser usado como o princípio, ou como base, para uma pintura alla prima, assim como o inverso também é possível. Muitos artistas pintam de modo "misto", aliando as vantagens de cada abordagem (direto e indireto) para um máximo aproveitamento.


BIBLIOGRAFIA
THOMPSON, Daniel V. The Materials and Techniques of Medieval Painting; Dover; New York.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting of the Great Schools and Masters; Dover; 1847

27 comentários:

  1. Bem legal Márcio, nos livros americanos eles chamam o sfregazzo de "scumbling" se não me engano...
    Senti falta dos créditos para algumas imagens do post viu, Seriam do artista Marcio Guillarducci? rs
    Abraço!

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  2. Oi Léo. Sim, esqueci de inserir no texto o nome usado nos EUA, precisamente, Scumbling. Obrigado pelo toque, vou fazer a correção.

    Voce sabe que não tenho a menor pretensão me ser artista. As pinturas na verdade são o resultado dos estudos dos materiais na prática, e para investigar certas abordagens. Me limito a ficar no campo teórico, deixo a carreira de artista praqueles que realmente tem talento, como voce, o Celso, Frade e outros leitores do Cozinha. Com tanta gente boa por aí...
    Abração!

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  3. Para mim você esta muito alem de “se limitar ao campo teórico”, alem de destacar as expressões dos modelos que ilustram o post, chamo atenção especial para a suavidade das rugas construídas na pintura do modelo idoso, algo que só é possível fazer com muita paciência e paixão pelo oficio, qualidades dignas de um bom pintor realista.
    Parabéns, tanto pelo post, quanto pelos belíssimos trabalhos!
    Abraço

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  4. Excelente o encerramento da trilogia "Pintura em camadas". Matérias mais que importantes. Valeu, Márcio!

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  5. Léo, voce é generoso demais meu amigo. Obrigado pelas palavras. Forte abraço!

    Ancerg, não me lembro de ter lido algo sobre a história do tento. Se cruzar com alguma coisa, talvez faça um post sobre isso! Sobre a modificação do óleo: é totalmente opcional, alguns artistas, assim como voce, simplesmente não sentem necessidade. Assim como a terebintina também é opcional, cada um sente uma necessidade diferente. Obrigado pelo seu comentário atencioso e por dividir sua experiência com todos! Jóia!!! Abraço!

    José Rosário, fico contente que tenha gostado. Gosto muito de pintar em camadas, e penso ser uma assunto importante mesmo. Há pouco material em portugês que analisa o assunto de maneira profunda. Abraço!

    Abraço a todos voces, e obrigado pela participação. É interessante usar esse espaço para a troca de conhecimento. Abraços!

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  6. Bom dia Marcio,

    Mais um post fantástico! Cada vez que visito o blog é como ter uma aula particular, com um professor daqueles bem especiais, que amam ensinar!

    Já falei sobre seu blog no meu curso de artes plásticas, as meninas e a professora ficaram muito interessadas. Tenho certeza que irão visita-lo.

    Fico pensando e torcendo que toda essa sua pesquisa resulte na publicação de um maravilhoso livro.

    E por falar em livro, eu comprei alguns dos livros que você menciona nas bibliografias dos posts. Estou esperando a vinda deles do Amazon.
    Queria saber se tem alguma sugestão de livro ou artigo sobre a encáustica. Eu nunca fiz esse tipo de pintura (ainda...rrss), mas acho lindo e queria muito conhecer bem a técnica.

    Um ótimo final de semana e até breve.

    Abraço,

    Lilian

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  7. Bom dia Lílian! Voces todos são muito generosos! Aguardo a visita de suas colegas, é um prazer!
    Fico muito contente que esteja investindo em informação. A quantidade de livros disponíveis sobre materiaisde pintura é excepcional, principalmente na línguas estrangeiras. Peço que tenha cuidado durante sua leitura. Apesar de muitos escritores terem um trabalho sério, alguns estudos antigos são hoje contestados por novos estudos. Como o caso do alemão Max Doerner, que embora tenha acertado muita coisa, em alguns pontos há falha em sua pesquisa devido a falta de tecnologia da época, não era possível explorar profundamente as obras.

    Portanto, acho interessante que leia TUDO que puder, mas minha recomendação mais incisiva, e isso é MUITO importante, é que fique mais antenada nos artigos científicos, principalmente das grandes instituições que prestam serviços de restauração. Esses, são minhas PRINCIPAIS fontes de informação, pois são recheados de novas descobertas calcadas em análises científicas, e não a partir de uma visão "artística".

    A encaustica certamente é uma técnica interessante. Não é necessário muita procura pra achar textos úteis sobre a técnica. O proprio Ralph Mayer escreveu de modo objetivo e muito completo sobre encaustica, assim como Doerner, Laurie, Eastlake.

    Como recomendação, diria que um livro que não pode faltar para qualquer artista é o "Iniciação a Pintura" do Profº. Edson Motta. Que de "iniciação" não tem NADA alías. É o livro mais completo sobre técnicas de pintura escrito por um brasilieiro, muito, muito bom. É incrível que poucos artistas conheçam isso. É possível encomendar essa publicação na internet, com um preço MUITO acessível. Técnicamente, é um livro muito bom.

    Também não dê as costas ao Ralph Mayer, apesar de muita gente ignorá-lo, sua publicação ainda é a mais completa e extensa obra sobre materiais já publicada na língua inglesa. O trabalho de estudo de pigmentos com tabelas de características químicas e gráficos é impressionante, NINGUEM ainda apresentou uma publicação mais profunda, nesse tema (pigmentos).

    Se quiser saber mais sobre a HISTÓRIA dos materiais, recomendo as obras de Eastlake. No entanto sua versão em português está fora de catalogo, mas é fácil encontrar em Inglês.

    Como curiosidade sobre a "história" da técnica dos artistas da antiguidade, com muitas "anedotas", pegue o "Vasari on Technique". Embora, como lhe disse, cuidado durante a leitura. Vasari foi o primeiro historiador da arte, e muitas informações de suas obras não procedem. Não podemos NUNCA esquecer que todos somos passíveis de erros, e que o fato de algo ter sido publicado não quer dizer que a informação é 100% confiável. É sempre bom ler tudo, mas cruzar informações, e de preferência, buscar textos recentes e científicos. Um abraço!

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  8. Excelente post, Márcio!

    Uso a técnica do sfregazzo para ubderpainting, e depois velo a obra com camadas transparentes.
    Dessa maneira, somo as tonalidades "frias" da underpainting, com as tonalidades "quentes" das velaturas. Adoro esse efeito óptico, pois a cor de pele fica bem mais natural!

    Ha, eu vi de perto essas telas pintadas por vc! Excelentes! Você é um artista muito talentoso!

    Abraço

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  9. Oi Paulo! Seu trabalho é um exemplo de pintura contemporânea com uso de camadas. É interessante que os leitores também procurem seu site para entenderem os resultados dessas técnicas.

    http://www.paulofrade.com.br

    Obrigado pelos elogios Paulo! Agradeço!
    Abraço!

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  10. Oi Ancerg! Pode colocar o banner ou link sim, sem problema algum. Para mim é um prazer! Documentar é sempre útil, mesmo que por escrito, com fotos, melhor ainda. O Paulo é um dos melhores pintores paulistanos de pintura indireta! Um abraço Ancerg, e obrigado por mais um comentário!

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  11. Obrigado pela observação,também faço uma pintura indireta, em que passo a visualizar os efeitos em camadas,em algo assim não deve se ter paradas,tinha deixado de pintar desde 2007 quando meu trabalho foi apresentado a comunidade européia,decepcionei com o Brasil que não apoia,mas hoje percebo que pintar está além disso,a tinta fala com a gente,ensina nos mantém e voltei agora em novembro, e dessa vez com bastante determinação e usando tudo que sei,a pintura do Luciano e do Zezé foi a primeira deste recomeço,mas acho que se faria melhor agora pois toda minha paleta voltou com a pintura da primeira dama.AH sim, me lembrei de um amigo que usava verniz damar em sua pintura,no começo, na imprimatura e até depois, ele fazia cenários lindos,tudo mentalmente era incrível,achava perigoso para controlar digo para não rachar sabe,queria observar isso,podia dar uma luz? Pois só uso o damar no final,no meu caso com 1 ano e 4 meses.Obrigado por permitir o link,muita gente pede para dar aulas, mas nem tenho tempo e acho que me atenho a complexidades da técnica e por isso gostaria de repartir com pessoas que quisessem levar a sério a pintura e não como Hobbies como algumas pessoas se referem,o que me confunde as vezes meus sentimentos em relação a isso.Ser serio no trabalho e se apaixonar pela pintura mesmo,será que todos nós aqui somos os últimos românticos?
    Espero reformular minhas técnicas daqui para frente e que a vida continue ensinando e me permitindo pintar.AH! estou procurando material sobre o "Tento" viu!
    Um abraço e obrigado pela atenção
    Ai,uma ultima observação,rapaz maimeri puro é caro demais,pensei em usar mas nossa só encontrando alguém que traga da Itália ou dos EUA,vi que chega lá a 36 dolares mas o minimo vi por 14 dolares,pra vir para as lojas aqui é muito caro mesmo imposto demais!
    Agora eu fui mesmo
    Sinceramente
    Ancerg

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  12. Ancerg, é muito bonito ver sua dedicação! Quanto ao damar, ou qualquer outra resina, gostaria de entender por que voce só usa na última camada, e não em todas.

    Certamente o Brasil não é o melhor cenário para artistas, mas é possível sobreviver de arte sim. Mas como voce bem disse, há outras coisas em jogo. A pintura nos "chama" sim.

    A linha Puro da Maimeri é cara mesmo. Mas a diferença entre a linha Clássico é considerável. Trazer da Itália pode significar grande economia. Abração meu amigo!

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  13. Então,minha pesquisas como deve ter percebido era solitária,digo no sentido de encontrar profissionais sérios que pudesse trocar conhecimentos, com seu blog me sinto muito feliz.Cada camada minha,é feita em camadas finas,controlando o oléo,solvente e secante.Vou detalhando até chegar num ponto que observo onde posso inserir a veladura.E ai é com o oléo em sua camada final,é tão controlado que essas ultimas camadas o óleo adere maravilhosamente bem e vou criando efeitos de iluminação e o ultimos retoques ai.Só uso o Damar ai,nesse material 1 ano 4 meses depois,pois invernizava com um ano as telas em linho mas neste material não dá.Seria uma veladura final,para mim protetora,com varias camadas finas em direções diferentes,por causa da refletividade.
    Crio os efeitos,camada por camada e as veladuras são com o óleo de linhaça ou stand oil como queiram.Sei que poderia fazer veladuras assim,mas acho dificil controlar e me acostumei como faço.
    Quanto o nylon,deixei 4 anos os materiais em diferentes atmosferas para ver como reagia e mesmo telas que não vendo para controle meu.Bom é essa forma que trabalho,uma tela 50x60 levo 4 semanas para terminar um Portrait.
    É isso
    Obrigado
    Ancerg

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  14. Quanto sobreviver da pintura,o mercado se fecha para galerias que criam seus universos particulares,e a resposta está em fazer nossa própria carteira de negócios e divulgar.A internet no meu caso mudou tudo,por que deu projeção ao que fazia sobre a inclusão no Brasil e minha arte,desde que o Tom Cruise indicou tudo virou uma correria e olhe que ele levou segundos para Retwuitar no Twitter.O Brasil,respeita sim seus artistas,as pessoas gostam e compram,não vou falar em valores,é a questão que o Governo deveria nos levar a sério,levei 14 anos lutando pela inclusão sem ajuda financeira e por isso tinha parado,incentivos financeiros para exposições são complicados.Embora tenha descoberto que o devido tramite agora com convites internacionais confirmados o governo cobre o translado,para ir para fora tem que passar por um orgão que afirma em um certificado que o seu trabalho é legítimo e a feitura foi no Brasil.Recentente,entendi isso com uma dona de galeria que queria que fizesse a coleção inteira nos Estados Unidos,mas ela teve um problema com leão de lá por problemas da galeria e não concluímos. veja, já estou por meus proprios meios refazendo tudo,e lutando para construir minha nova exposição. que inclui esculturas também.
    É isso
    Obrigado
    Ancerg

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  15. Ancerg, se entendi direito, voce usa uma última camada de veladura com resina damar pra criar um "efeito" de brilho e como uma "proteção final". Se for isso, claro, é totalmente possível e válido se permanecer dentro da regra de 20%. É sempre uma boa idéia fazer uso MÍNIMO de resinas misturadas a tinta. A quantidade grande de resina misturada a tinta está SEMPRE vinculada a escurecimento e problemas a longo prazo.

    Faz muito bem esperar tanto tempo para aplicação de verniz. Um ano é o tempo correto, principalmente para pinturas com um pouco mais de empaste. Se quiser aplicar uma demão de verniz, para obter MAIS proteção a seu quadro, recomendo que use um verniz de resina sintética, talvez a base de ketone ou outra moderna, dessa meneira, sem o uso de um verniz a base de resina natural, não há como criar "familiaridade" com a resina existente na veladura, causando futuros problemas de conservação. Um abraço!

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  16. Isso,a sobre pintar usando damar,preferi não arriscar ao longo dos anos me acostumei a entender minha pintura pelo processo do "Magro",a veladura com óleo de linhaça fica toda por igual sem áreas com falhas,é só conrolar e mais nada.Sim,uso o damar como proteção final,cheguei a viajar a alguns anos para Minas Gerais,só para aplicar em uma tela de um cliente.Usar o damar como um meio de criar uma película forte na imprimatura me deixava na duvida sabe,de não ter com quem conversar perguntar,por isso aqui é ótimo.O Clássico dá tão certo,digo do magro para o gordo, que os véus de Leonardo foram perfeitos na hora que passei a usar secante e estudar ele,como já disse o cobalto reage com o grafite que usava para esboçar e agora pinto direto.Encontrei uma moça certa vez que queimou a retina com o cobalto,pintando a tela muito próxima do rosto, mas a questão foi que ela colocava o cobalto puro e libera na reação uma espécie de nevoa impeceptivel a olho nu,por isso diluo tanto e ele ainda assim funciona,secando para mim em 16 horas cada camada que calculo ser uma projeção geral para as semanas que esperaria.
    É isso
    Obrigado por comentar
    Um abraço
    Ancerg

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  17. Ancerg, secantes, sejam lá quais forem, sempre em ínfima quantidade... apenas um ou duas gotas na porção de tinta a ser usada, ou de preferência, não usá-los. Abraço!

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  18. Oi Marcio,

    Queria dizer que consegui comprar um exemplar do livro do Profº Edson Motta. Só achei na Estante Virtual e usado. Mas o principal é dizer que realmente é um livro fantástico.
    Agradeço muito pela excelente indicação! Vou passa-la adiante.

    Um ótimo final de semana e até breve.
    Abraço,


    Lilian

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  19. Oi Lilian. O livro do Prof.º Edson Motta é a melhor publicação escrita na língua brasileira que passou em minha mãos. Não sabia que estava tão difícil encontrar uma edição nova do livro! De qualquer forma, ainda bem que conseguiu encontrar pelo menos uma edição usada. Bom fim de semana! Abraço!

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  20. Olá Marcio,

    Estou impressionado com seus artigos, o Paulo Frade me indicou a cozinha da pintura, sou novo na arte mas a técnica que estou utilizando até o momento é das camadas aguada, magra e gorda.

    Muito obrigado por nos dar esta oportunidade de compartilhar seus conhecimentos.

    Abraços,

    Angelo Isaias Baggio

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  21. Olá Angelo! Nada de impressionante por aqui Angelo, nada que alguem não pudesse aprender sozinho, os livros estão todos por aí! Mas agradeço seu elogio! Fico contente que esteja usurfruindo dos artigos! Um abração!

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  22. Ola Marcio,
    a pergunta q nao quer calar...
    Afinal de contas qual a diferença entre sfumato e esfregazzo??? sinceramente nunca me responderam claramente essa pergunta...
    grande abraço!!!

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  23. Olá Anônimo! É simples: é praticamente a mesma coisa, mas o esfregazzo é um termo ligado a pintura óleo, nunca vi o termo aplicado em outras mídias. Partilham do mesmo princípio gráfico, inverso ao das hachuras, de "esfumar" uma área criando um efeito difuso. O Sfumato pode ser empregado em inúmeras técnicas como no desenho a grafite, carvão, pastel, tinta a óleo, etc... mas nunca vi o termo sfregazzo sendo usado, por exemplo, em aquarelas, têmpera a ovo e outras. Abraço!

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  24. Marcio, sei q posso usar tanto velaturas quanto sfregazzos na mesma pintura... mas minha pergunta é: eu posso aplicar sfregazzos SOBRE uma velatura? pergunto isso pelo fato de uma velatura ser uma camada extremamente fina e fragil, portanto o sfregazzo por ser uma abordagem mais "agressiva" nao danificaria essa velatura???
    abs

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  25. É possivel. Mas o cuidado PRINCIPAL é que a velatura esteja 100% seca. Se a camada de baixo estiver bem seca, seca MESMO, não há com que se preocupar.

    Apesar do nome "sfregazzo" ter um ar agressivo, não é necessário o emprego de MUITA abrasão. É sempre desejável aplicar os sfregazzos de forma delicada.

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  26. marcio eh possivel aplicar um coach tbm para o sfregazzo a fim de facilitar tbm a uniformidade da mesma? abs

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  27. Caro Alison,
    A princípio, o sfregazzo é feito seco, sem "couch". Mas se voce aplicar uma camada finíssima de medium, poderá funcionar como uma semi-velatura. Portanto, sim, é possível usar dessa maneira, embora o efeito final seja um pouco diferente.

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