quinta-feira, 26 de maio de 2011

Óleo de Linhaça Vs. Óleo de Nozes

Em artigos anteriores, pudemos analisar alguns veículos usados na pintura a óleo, como o óleo de linhaça, nozes, cártamo, papoula e cânhamo. No entanto, há uma certa popularidade recente quanto ao uso do óleo de nozes embora o óleo de linhaça ainda seja o líder entre artistas e na indústria de tintas. Por conta desse pequeno nicho comercial que faz uso do óleo de nozes em tintas e mediums, alguns artistas que desconhecem esse óleo sentem-se intrigados, e mais de uma vez o Cozinha da Pintura recebeu algum tipo de pergunta relacionado ao assunto, o leitor teve a impressão de que esse óleo é superior (nozes). Por esse motivo, resolvi escrever um artigo breve, na esperança de que a mesma dúvida possa ser esclarecida a outros leitores.

Constituição dos Óleos Secantes
Em artigo anterior, vimos que os óleos usados para a pintura são óleos que secam, diferente dos óleos de soja e do óleo de oliva por exemplo, que ao invés de formar uma película firme e elástica, continuam com um corpo gorduroso e líquido por tempo indeterminado. Os óleos secantes são ácidos graxos, e apresentam-se na forma de ácidos graxos não-saturados com traços de ácidos saturados, monosaturados entre outros, mas sua principal constituinte é o ácido não-saturado. É justamente esse tipo de ácido (não-saturado) que permite a auto-oxidação, e substantivamente, a "secagem". Os óleos usados para a pintura possuem especificamente ácidos graxos não-saturados chamados de ácidos linolênicos. É o ácido linolênico que além de promover a oxidação possibilita que o óleo forme uma película firme e elástica, assim como a quantidade desse tipo de ácido é responsável pela cor do óleo. Todos os óleos usados na pintura possuem alguma porcentagem de ácido linolênico, caso contrário, não seriam usados na pintura, pois não secariam em forma de "filme" ou película.


Ácido Linolênico



Óleo de Nozes
Pouco mais claro do que o óleo de linhaça, o óleo de nozes foi muito popular na renascença justamente pela sua transparência ligeiramente mais acentuada. Parece lógico então, substituí-lo pelo óleo de linhaça na fatura de tintas de cor clara, como o branco, assim como também seu uso nos azuis, para que a tinta não resulte num azul levemente esverdeado. Logo, sua cor é sua mais expressiva vantagem sobre o óleo de linhaça. Não há dúvida de que é um veículo com leve vantagem para que não se altere as cores dos pigmentos.

Óleo de Nozes

De acordo com pesquisa da National Gallery, quatro obras de diferentes artistas renascentistas, investigadas a nível químico, teriam feito uso desse óleo como veículo para seus pigmentos. Embora outras pesquisas demonstrem que o óleo de linhaça fosse usado no mesmo período, é notável uma preferência pelo óleo de nozes em algumas fontes renascentistas. Vasari, o primeiro historiador da arte, escreveu por volta de 1550:


"...moer as cores com óleo de nozes ou óleo de linhaça, no entanto, o óleo de nozes é melhor, pois amarela menos com o tempo."

É importante notar aqui, que a máxima "amarela menos com o tempo" é mais do que óbvia. Tratando-se de um óleo naturalmente mais claro, obtem-se um filme que indubitavelmente irá amarelar menos. No entanto, é preciso entender que, com um simples teste de comparação, qualquer pintor verá que a diferença não é extremamente gritante.

Cennini, em seu tratado escrito por volta do começo do séc. 15, não menciona em nenhuma passagem o óleo de nozes, e o único óleo secante mencionado é o óleo de linhaça. No entanto, é interessante notar que as técnicas descritas em seu tratado possuem origens por volta do fim do séc. 13 e durante o séc. 14. Apesar de nenhuma publicação discutir profundamente esse ponto, se levarmos em consideração a ausência de uma menção ao óleo de nozes poderíamos então arriscar a dizer que a linhaça dominava a pintura pré-renascentista, e o uso popular do óleo de nozes começa a ocorrer somente na alta renascença. Portanto, a "sugestão" de Vasari poderia ser considerada como uma prática que somente se tornou popular nessa época, em voga entre os artistas italianos desse período. Durante o período barroco, assim como em períodos posteriores, temos novamente o uso do óleo de linhaça como constituinte principal de tintas e mediums, encontrado na obras de Caravaggio, Rembrandt, Velásquez e outros.

O óleo de nozes também possui uma característica reológica diferente do óleo de linhaça, que não pode ser considerada como melhor ou pior, mas sim, uma diferença que somente o artista, a partir de seu gosto pessoal pode avaliar. Num primeiro momento, pode-se sucumbir a tentação de descrever o óleo de nozes como sendo mais líquido do que o óleo de linhaça, no entanto, não é exatamente isso. Nada substitui a experiência prática, mas por falta da mesma, poderíamos tentar descrever o óleo de nozes como "mais escorregadio" do que o óleo de linhaça.

Através de própria experiência, assim como pelos relatos de outros artistas, acredito haver certa diferença no pincelar quando usa-se o óleo de nozes, algo que talvez não seja notado instantaneamente, mas que talvez possa ser entendido após um longo período de experimentação. Por outro lado, acredito que essa diferença não compreende grande vantagem ao pintor, pois inclusive alguns artistas relatam não sentir diferença alguma ao manusear tintas feitas com ambos os óleos, e em todas as publicações sobre o assunto que chegaram as minhas mãos só há menção a suas diferenças de cor.

Quanto a sua composição, o óleo de nozes conta com uma média de 10% de ácido linolênico, o restante são outros tipos de ácidos graxos saturados e não saturados. Sendo o ácido linolênico a substância que dá cor aos óleos secantes, essa baixa concentração (10%) é a responsável por sua cor tão clara. É comum encontrar menção em textos e publicações que relatam que o óleo de nozes costuma ficar rançoso mais facilmente do que os outros óleos secantes. Embora nunca tenha constatado a verocidade da afirmação, é interessante ficar atento, e dar preferência a compras sempre em pequena quantidade do óleo, evitando quaisquer transtornos.

Óleo de Linhaça 
De cor escura com traços fortes de amarelo, o óleo de linhaça é o óleo secante mais escuro encontrado na pintura, principalmente quando prensado a frio. O óleo refinado a calor, chamado também de alkalí, é consideravelmente mais claro, mas ainda assim, um óleo escuro e amarelado quando comparado ao óleo de nozes. Segundo as inúmeras fontes bibliográficas, só parece ter saído de cena durante a renascença, mas ainda assim, não fora abandonado pelos pintores do período.


Óleo de Linhaça Alkalí

Sendo o óleo mais usado na história da pintura, suas características reológicas são familiares a qualquer pintor, dispensando maiores esclarecimentos. No entanto, poderíamos dizer que sua principal característica é sua cor escura que tende a escurecer ainda mais com o tempo, modificando as cores da tinta, assim como sua secagem relativamente rápida, quando comparado a outros óleos. O óleo de linhaça, assim como os outros óleos secantes, é formado por óleos saturados e não-saturados. Sua proporção de óleo linolênico tem uma média de 50%. Comparado a proporção do óleo de nozes, temos então um óleo com 40% a mais de óleo linolênico, quatro vezes mais, explicando então sua nuance amarela e sua cor escura. É pelo mesmo motivo que seca relativamente mais rápido.

Cor, Aderência e Flexibilidade
Após os anos 60, avanços na investigação de materiais artísticos permitiram que alguns estudiosos observassem e relatassem algumas informações sobre os óleos secantes da pintura que até então não eram divulgadas de modo amplo. Em várias fontes, o óleo de linhaça começa a ser descrito como preferível ao óleo de nozes. Vejamos um trecho extraído de Mayer, que tem a mesma opinião encontrada em outras fontes modernas, explicando alguns dados que os renascentistas não levaram em consideração:


"O óleo de nozes é também inferior ao de linhaça no conjunto de suas propriedades... ... deve sua qualidade de amarelecimento a menor porcentagem de ácido linolênico que contém, porém é exatamente essa diferença na composição que causa a formação de películas mais fracas. A secagem também é muito mais lenta; sua película tende a ser mais fraca, esponjosa, e é mais propensa a rachar..."

É muito simples entender as diferenças com um teste caseiro que pode ser feito por absolutamente qualquer artista. Faz-se duas porções de tinta com ambos os óleos. Uma porção com óleo de linhaça e uma porção com óleo de nozes. As tinta são aplicadas a uma superfície lisa, como um pequeno quadrado de vidro, e após alguns meses, quando ambas estiverem completamente secas, podem então serem analisadas. Se com a ação de uma espátula tenta-se retirar um pedaço do filme, é notável como as pinceladas feitas com a tinta a base de óleo de linhaça cria uma adesão perfeita entre o suporte liso e a amostra de tinta, sendo muito difícil sua remoção. Por outro lado, a amostra feita com óleo de nozes é "cortada" pela espátula de modo relativamente mais fácil.

Segundo correspondência com o colega George O´Hanlon, membro da AMIEN (Art Materials Information and Education Center) e chefe de operações da Natural Pigments, pude confirmar uma experiência muito similar, que colabora com minhas conclusões. Cito diretamente sua experiência:


"Existem observações na literatura, por diferentes autores, sobre a força relativa do óleo de linhaça comparado a outros óleos secantes, como o de nozes e o de papoula. Essas observações sobre diferenças da força da película seca entre a linhaça e o óleo de nozes foi trazido a minha atenção um outro dia quando limpava baldes que continham base para tela feita de branco de chumbo e óleo de linhaça e outra feita com óleo de nozes. 
Ambas tintas foram feitas e retiradas dos baldes no mesmo dia. Os baldes deveriam terem sido limpos imediatamente, mas alguém esqueceu de fazê-lo. Tentamos evitar o uso de solventes em nosso processo de fatura de tintas, então costumeiramente usamos espátulas ou panos para limpar os frascos e receptáculos depois do uso.
Consegui remover facilmente a base de branco de chumbo feito com óleo de nozes das lateriais do balde de plastico com uma espátulo de metal, mas foi impossível remover completamente a base de branco de chumbo feita com óleo de linhaça. Enquanto limpava, notei que a base de óleo de nozes era macia e desmanchava-se, enquanto a base de óleo de linhaça era dura, flexível e segurava-se tenazmente ao container. 
Embora não seja um teste científico, ficou dramaticamente claro a demonstração de força relativa entre esses óleos secantes."

Considerações Finais
Dizer que o óleo de nozes é superior ao óleo de linhaça é geralmente fruto da leitura de textos antigos qua avaliava as diferenças entre os óleos num contexto muito diferente do nosso: simplesmente o considerava melhor pela sua cor. Existem diferenças entre ambos que poderiam ser resumidas na seguinte máxima: O óleo de linhaça forma uma película mais forte e tenaz, porém mais amarelado, enquanto o óleo de nozes forma uma película mais dura e quebradiça, porém, mais clara. Claramente, o ácido linolênico traz duas variantes: cor e tenacidade. Maior tenacidade traz substantivamente mais coloração. É por esse motivo, elementar, que o óleo de linhaça não é somente mais escuro, mas também mais tenaz, característica altamente desejável para a conservação de uma obra.

Teoricamente, resta então ao artista, optar por uma das seguintes opções, num jogo de valores: é preferível ter cores mais escuras e amareladas mas uma película mais estável ou um filme menos seguro com cores claras e inalteradas? Mas não é exatamente assim. Algumas outras considerações devem ser observadas.

Pessoalmente acredito que o óleo de linhaça, num contexto geral, possui performance mais confiável e vantajosa. E essa claramente não é somente minha opinião. O amarelecimento causado por ele não é tão alarmante, principalmente quando fazemos uso moderado de óleo, e nunca em abundância, como por exemplo quando se usa mais do que 20% de medium na porção de tinta. A diferença de cor entre uma película sadia composta de óleo de linhaça e a de óleo de nozes é mínima. Acredito que o amarelecimento em demasia é causa primordial de medium em abundância, tintas de qualidade inferior com alta concentração de veículo ou óleo de linhaça adulterado. Para colaborar com essa afirmação, cito novamente, Mayer, numa passagem que descorre sobre as propriedades do óleo de nozes e do óleo de papoula:


"...em cores claras até as menores mudanças são evidentes, sua superioridade sobre o óleo de linhaça nesse particular não é tão grande como popularmente se imagina."

Além disso, é importantíssimo lembrar que o óleo de linhaça tem maior tendência a amarelar se a pintura ficar muito tempo reservada num abiente sem luz. Ainda assim, um problema de fácil resolução. Algumas horas num abiente com luz abundante é suficiente para clarear novamente as cores, e o amarelado sumirá consideravelmente.

Uma segunda observação igualmente importante, é que os renascentistas só dispunham de um tipo de óleo de linhaça: prensado a frio. O óleo de linhaça alkalí é extremamente mais claro, e mesmo depois de seco, mostra menos amarelecimento do que o óleo prensado a frio. Portanto, é necessário lembrar que as publicações antigas comparam o óleo de nozes a um óleo de linhaça que não passou pelo refinamente moderno.

Finalmente, é importante que se entenda que os renascentistas não levaram em consideração a força relativa da película formada pelos óleos, e em todos os textos antigos, só é mencionado sua "superioridade" relativa a cor. Como na maior parte dos textos antigos recomenda-se a substituição pelo óleo de nozes, formou-se uma atmosfera "romantizada" desencadeada pelo exotismo do material, e pelo uso do mesmo por alguns pintores renascentistas, algo que naturalmente fisga a imaginação do artista contemporâneo. O mesmo acontece acerca de mediums complexos. É natural que o pintor sinta-se atraído por materiais desconhecidos, exóticos e complexos. Há algo de mágico numa concatenação misteriosa e incompreendida, incomum, que nos faz querer testá-la em busca de "segredos" que possam revelar antigas técnicas que porventura aproxime o artista dos pintores da antiguidade. Porém, devemos nos lembrar que assim como no caso do óleo de linhaça comparado ao óleo de nozes, o material mais comum não é somente o mais econômico, mas certamente o mais adequado.



BIBLIOGRAFIA
VASARI, Giorgio; Vasari on Technique; Dover; EUA; Edição de 1960 (1550).
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
BILLINGE, Rachel. 'Recent Study of Raphael’s Early Paintings in the National Gallery, London, with Infrared Reflectography'. Raphael’s Painting Technique: Working Practices Before Rome. Nardini Editore, 2007.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting of the Great Schools and Masters; Dover; 1847.
MERIMÉE; The Art of Painting in Oil and in Fresco; Whitaker & Co.; 1839.
YVEL; Claude; La Peinture à L´huile; Flammarion; 1991.
LAURIE; A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967. 
THOMPSON, Daniel V. The Materials and Techniques of Medieval Painting; Dover; New York.
CENNINI; Cennino; Il Libro Del´Arte; 14th Century.
AMIEN; Art Materials Information and Education Center; 2011.

Agradecimentos ao amigo Luiz Antônio Morato pela tradução de bibliografia em francês.


19 comentários:

  1. Um adendo ao artigo: o intuito era comparar somente o óleo de linhaça com o óleo de nozes. Quanto ao óleo de papoula, cânhamo e cártamo, são óleos secantes que possuem menores concentrações de ácido linolênico do que a linhaça e até mesmo do que o óleo de nozes. Portanto, como discutido no artigo, são óleos ainda MAIS claros do que o de nozes e substantivamente, menos tenazes.

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  2. Obrigado Léo! Sei que não é um assunto novo, mas conversando com alguns leitores percebi que ainda restavam algumas dúvidas. Abraço!

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  3. Márcio, excelente post, como sempre!
    Grande abraço

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  4. novamente, um belo post, marcio! creio que sempre é melhor fazermos o mais simples e correto, deixando de lado o exótico e muitas vezes não testado. para que complicar? no que se refere ao óleo de linhaça, nós o encontramos facilmente no mercado, diferentemente do de nozes. pelas características da minha obra, o tom dourado é até desejado, desde que uniformemente distribuído. então o amarelecimento do linhaça não me incomoda. se ele é mais resistente, como o visto no seu post, melhor ainda!
    um abraço, paulo de carvalho

    ps.: já reparou que a reunião destes artigos daria um belo livro?

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  5. Olá Paulo! Sem dúvida. E não é só isso... o amaarelecimento da linhaça pode ser minimizado, até a níveis praticamente inperceptíveis, se o uso for equilibrado e a pintura receber sempre luz abundante, sendo assim, não há nenhuma vantagem no uso dos óleos com menor concentração de ácido linolênico. Tenho recebido muitas sugestões e pedidos para um futuro livro. Penso que no fim das contas, acabará sendo inevitável... Um abraço, e obrigado pelo comentário!

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  6. oi, marcio. fiquei só com um certo receio deste "luz abundante", para que não entendam aí exposição direta ao sol ou potentes focos de luz artificial direta, pois aí os pigmentos é que vão reclamar...
    estou na torcida pró-livro!
    paulo de carvalho

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  7. Boa observação Paulo. Claro, luz abundante quer dizer deixar a pintura num quarto ou ambiente que recebe iluminação comum (artificial ou natural) todos os dias, para que a pintura não fique no escuro durante um longo período de tempo, ou na pior das hipóteses, trancada num armário por meses a fio. Abraço!

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  8. Sempre li a respeito do amarelamento do óleo de linhaça em algumas cores como branco e outras de tom azul. Mas ainda vejop pessoas que insistem em dizer que tal fato não acontece. De qualquer forma, acredito ser prudente evitar o mesmo e acho miut bom que finalmente informaçõe simportantes estejam sendo difundidas entre os pintores brasileiros. Bom trabalho!

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  9. Olá Deia! Obrigado pelas palavras generosas. O amarelamento é um fato. Sendo o óleo de linhaça, o que mais amarela. Mas como comentado num post, o ácido linolênico é o que dá força e cor para os óleos vegetais. Enquanto os outros óleos amarelam menos, são em contrapartida, mais fracos. É questão do pintor escolher qual das características é a mais desejável. Pessoalmente, prefiro o óleo de linhaça, ou um mix de linhaça e nozes nas cores claras. Quanto as cores terrosas, não há problema algum, e o óleo de linhaça não contribui tanto para a mudança de cor.

    Também é interessante apostar em tintas que tenham uma boa proporção entre óleo e pigmento, e que não possuam óleo em demasia. Esse cuidado também contribui para diminuir o amarelamento. Um abraço!

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  10. Boa noite
    Parabéns pelo artigo. Para mim iniciante em pintura é muito útil.
    Gostaria de propor um tema: verniz damar. Trabalho com um pintor que o recomenda e gostaria de conhecer e aprofundar o uso desse verniz . Obrigada.

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  11. Olá! Escreverei um artigo sobre o Damar, obrigado pela sugestão! Um abraço!

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  12. Permita-me um adendo: sou prof de Restaurações de pinturas e Obras de Arte. o óleo de nozes é totalmente hialino quando clarificado, o processo que no linhaça consegue apenas um amarelo claro. também o linhaça em presença da luz solar amarela, turva, e escurece para o castanho. o que não acontece jamais com o óleo de nozes, este poderá apenas embaçar, mas se colocado na luz ele desembaça.Morei 5 anos na Europa, e creio que as caracteristicas qui8micas do óleo de nozes é muito superior, Nunca foi modismo, mas o linhaça por ser semente do linho havia em abundancia , daí sua popularidade (mais barato também)

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  13. Olá Márcio! Permito o adendo sim, é claro! É sempre um prazer promover as discussões de forma democrática. Márcio, já ouvi algumas vezes colocações parecidas com essas, mas elas não são exatamente verdadeiras. Assim como a linhaça, o óleo de nozes apresenta certo nível de cor, mesmo clarificado. Essa diferença de cor (entre linhaça e nozes clarificados) não é assombrosa, chegando a mostrar praticamente a mesma cor principalmente quando acabam de sair do processo de clarificação, ambos ficam QUASE transparentes.

    Voce diz que o linhaça só consegue um amarelo claro quando clarificado, mas além de material bibliográfico publicado provando o contrário, a própia Cozinha da Pintura conseguiu ótimos resultados, praticamente da mesma cor do óleo de girassol após clarificação. No momento em que o óleo foi tirado do sol, assim como disse antes, apresentava cor totalmente transparente. Conseguimos o mesmo resultado com o óleo de nozes e a cor entre eles era muito próxima, apesar da linhaça estar levemente mais amarelada. Essas informações sobre a "nobreza" do óleo de nozes é abundante nas publicações de língua francesa e em alguns tratados medievais ou até depois do séc. 15, mas nenhum deles nunca forneçeu estudos científicos empíricos provando o por que. Todas essas teorias eram concluídas a partir de opiniões ou pelo simples fato do óleo de nozes ser mais claro. Isso é notável na de Yvel e Maroger.

    Mas AMBOS VOLTAM a ter cor mais amarelada quando LONGE da luz, a linhaça é verdade, mais do que o óleo de nozes, mesmo depois de clarificados. Os únicos óleos VERDADEIRAMENTE transparentes, ou hialinos, são os de girassol e papoula.
    Outro ponto pertinente: nenhum óleo "turva" na presença de luz, como voce atesta acontecer com a linhaça, pelo contrário, todos clareiam, como documentado por Eastlake e outros depois dele. Os óleos ficam turvos somente com a presença de água ou outras partículas. A película seca de óleo é que pode se tornar turva depois de seca, e ainda assim, nesse caso, não está ligada a luz ou aos raios ultra violetas, mas ao enfraquecimento pela idade da película. E óleo de nozes, assim como qualquer outro óleo vegetal secante, TAMBÉM enfraqueçe e se torna mais escuro, principalmente longe da luz.

    Todos os óleos escurecem (amarelam), sem exceção. O enaltecimento da propriedades do óleo de nozes é algo comum na frança por parte de textos antigos, havia algum interesse comercial no material sendo a frança a maior produtora do material. De fato, assim como voce o disse, todos esses óleos voltam a clarear (e não "desembaçar") em contato abundante com a luz. É um fênomeno reversível, sabido desde pelo menos o começo do século 17. As características do óleo de nozes, se partimos do ponto químico, ou de sua estrutura química, é praticamente a MESMA dos outros óleos secativos, sendo o ácido linolênico o grande responsável pela cor e pela elasticidade do óleo. Logo, quanto mais claro, mais fraco, quanto mais escuro, mais forte. Portanto, em termos de elasticidade, a linhaça supera o óleo de nozes.

    Continua...

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  14. Como conclusão, digo a voce que a única vantagem do óleo de nozes é sua cor mais clara, o que o torna muito bom para a fatura de cores claras. No mais, todas as características do mesmo são na verdade inferiores a linhaça.

    Se a cor é a única vantagem do mesmo, então na verdade, não há NENHUMA vantagem, pois o óleo de girassol possui praticamente a mesma coloração e transparência, e o óleo de papoula sendo mais claro do que o de nozes, torna-se superior nesse quesito.

    Sim, o óleo de linhaça é mais barato e mais abundante, sendo facilmente cultivado em inúmeras partes do mundo, mas o motivo pelo qual foi usado e continua largamente popular é sua força e elasticidade superior. Há material bibliográfico sobre isso, e muitos desses estão sugeridos aqui no Blog.

    O mito da superioridade do óleo de nozes é fácilmente aceito por todos aqueles que não estão atentos a novos estudos e artigos mais recentes.

    Sugiro que leia as obras de Toch, Gettens, Eastlake e principalmente os artigos científicos das grandes instituições que investem em exames químicos, assim como os artigos da MOLART, da JAIC. Você irá se surpreender!

    Um grande abraço e obrigado por ter escrito!

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  15. Olá, sou pintor iniciante, como outros tenho muitas duvidas,trabalho com tinta óleo. Gostaria de saber o que misturar a tinta se é só o óleo de linhaça ou se tem outro produto? O armazenamento das telas depois de prontas, se tem que ser na luz ou no escuro. Que produto usar depois da pintura seca, eu uso verniz geral é correto? E com relação a secagem para acelerar é melhor no sol na sombra ou ao vento agradeço, e obrigado

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  16. Valeu Rodrigo! Me lembro de voce na Belas Artes!
    Grande abraço!

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