sexta-feira, 29 de abril de 2011

Técnica de Pintura em Camadas - Parte II - Veladura

Técnicas de Pintura Indireta - Parte II - Velatura
Os principais meios de se obter gradações de valor e chroma com a tinta estão relacionados, na pintura indireta, com a construção de finas camadas transparentes ou semi-transparentes de tinta, que combinadas, apresentam um delicado jogo de valores. Mas como isso acontece em termos práticos? De que forma deve se carregar o pincel e usá-lo numa pintura? É o que discutiremos na segunda parte desse artigo. 

Apesar dos pesados impastos no meio-tom e nas luzes,
Rembrandt usou muitas veladuras nesse retrato. 1659.

Veremos a seguir duas maneiras de se trabalhar a tinta na abordagem indireta de pintura. Ambas podem ser usadas como procedimento exclusivo, ou até mesmo intercaladas em inúmeras camadas. Os efeitos obtidos com ambas as técnicas são razoavelmente diferentes. Gostaria de lembrar que a pintura indireta costuma obter um resultado mais "limpo" e elegante quando o suporte não apresenta os poros dos tecidos, compreendendo um painel liso. Para saber mais sobre a fatura de painéis, leia artigo anterior.

Velaturas
Também denominado de Glazing nos EUA, a Velatura (ou Veladura) é um procedimento usado desde a idade média, aparecendo primeiro nas técnicas de têmpera usadas em

afrescos, ícones em painéis e iluminuras, mais tarde, amplamente usada na pintura a óleo. Presta particular utilidade na pintura a óleo pois a própria natureza oleosa do meio permite que a tinta seja espalhada vagarosamente, de maneira a deslizar com facilidade no suporte, criando uma finissima camada de tinta que age como uma camada transparente levemente colorida. Em mais de uma fonte a palavra "véu" é utilizada para explicar a veladura.

A analogia com um tecido fino e transparente é perfeita, pois funciona de forma similar. Se temos um tecido qualquer, na cor azul, e cobrimos o mesmo com um véu amarelo, devido a característica física do véu podemos ver através dele o tecido azul que se encontra embaixo. Como o véu é transparente, mas também possui cor, ambas as cores se mesclam num efeito óptico, resultando na cor verde (azul + amarelo). Portanto, a veladura é muito útil para construir efeitos cumulativos de camadas. 


Pode ser empregada dessa maneira para duas situações distintas. A primeira, seria para "tingir" uma camada de pintura, sobrepondo uma nova cor. Imagine que temos finalizada e seca, uma pintura monocromática de um rosto, todo completo com sombra, meio tom e luzes. Com um pigmento transparente ou semi-transparente, a veladura se acomoda numa nova camada em cima da pintura de modo que depois de seca, é possível ver o rosto "tingido" pela nova cor com a qual fizemos a veladura. Através de um fenômeno óptico, a camada de veladura "empresta" sua cor a pintura monocromática. Isso possibilita, através de um detalhado planejamento, adicionar cor a um underpainting monocromático.


Ingres, "Princesa Albert de Broglie", 1845.
Retrato feito principalmente com veladuras


Especialmente útil para que o pintor consiga "separar" dois pensamentos formais da pintura. Primeiro pensa e aplica somente valor. Em seguida, pensa e aplica somente cor. Dessa maneira, não é necessário julgar de antemão o valor e cor numa mesma etapa. A grosso modo, é um processo similar ao das fotos preto e brancas que são coloridas com aerógrafo. Artistas fizeram trabalhos espetaculares empregando ostensivamente a veladura, como o caso de Raffaello, Tiziano, Veronese, Michelangelo, Ingres, Bouguereau entre outros. É possivel então, criar uma obra usando somente veladuras, de seu início ao fim. Mas também é possível empregar a técnica apenas para "corrigir", "acentuar" ou "neutralizar" as temperaturas de cores, mesmo numa pintura alla prima.

É importante lembrar que a "claridade" da obra feita com esta abordagem está relacionada com a quantidade de veladuras empregada. O uso excessivo de veladuras resulta numa pintura cada vez mais escura, de forma que, as melhores pinturas feitas com veladuras são aquelas que usam poucas camadas. Para que o pintor consiga chegar ao resultado final de uma obra pintada com veladuras sem que ela fique "pesada", é necessário que o mesmo tenha calculado e avaliado corretamente todas as cores necessárias para cada camada, assim como o resultado a ser obtido pela soma "optica" das mesmas. Ou seja, é necessário planejar e prever de antemão qual será o resultado como um todo.



Veladura de Azul Ultramar aplicada em pintura com nuance de
Amarelo Ocre com Branco. As áreas onde há mais branco ficam
mais azuis, enquanto as áreas com 50% de branco e 50% de amarelo
criam azuis mais neutros (acinzentados), as áreas mais amarelas
tornam-se cinzas levemente esverdeados.

Mas como aplicamos uma veladura? Em primeiro lugar, os pigmentos mais indicados sempre serão transparentes ou semi-transparentes. As cores opacas tendem a cobrir demais a camada inferior e a "apagar" o que foi feito previamente, como se o "véu" de cor fosse muito forte ou demasiado opaco para que possamos ver o que está embaixo. Se adicionarmos muito medium a tinta, estamos retirando poder de cobertura, portanto, uma regra a ser sempre seguida é lembrar que uma veladura deve ser rica em tinta, e não em medium. 


Portanto, é sempre interessante adicionar um pouco de medium, mas não em excesso. Certamente o medium pode ajudar no ato de se espalhar a tinta, e mudar suas caraceterísticas reológicas, mas somente em pouca quantidade isso se torna útil na veladura, pois a idéia é mudar a cor, e com pouca tinta, o efeito é muito sutíl. Também devemos lembrar da regra dos 20%, comentado em artigo anterior.


Tiziano, "Man with Quilted Sleeve", 1510.
Veladuras e Sfregazzos.


Muitos artistas sentem dificuldade em fazer com que a tinta se espalhe de maneira agradável sobre uma área grande de pintura quando necessitam criar uma área de veladura que não é muito pequena. Em primeiro lugar, sugiro que escolha a cor a ser usada numa versão totalmente transparente e não semi-transparente ou opaca. 

Em segundo lugar, existe uma técnica muito antiga, que aparece pouco nos tratados e manuais de pintura, que pode ajudar o pintor nessa tarefa. Certa vez, conversando com o amigo e colega Paulo Frade, comentei que não acreditava na existência de verdadeiros "segredos perdidos" dos velhos mestres, mas que certamente alguns procedimentos são menos familiares do que outros por omissão de certas fontes. É o caso dessa técnica de veladura que comento a seguir.


Couch
Os norte-americanos chamam esse procedimento de "couch", embora o termo provavelmente seja uma corruptela do francês "couche", que pode ser compreendido, nesse contexto, como "camada". Os italianos possuem alguns nomes para o procedimento, embora prefira o termo "Letto D´Olio" (cama de óleo). A técnica tem suas origens desconhecidas, mas foi amplamente usada em toda a europa desde tempos remotos, e possui diferente denominações em outras linguas. Nos EUA, também é chamada de "oil out", uma abreviação para algo como "óleo que é retirado".

É interessante notar a engenhosidade da tecnica como uma resolução ao problema anteriormente citado. Se a tinta não se espalha de maneira a cobrir de forma lisa e adequada o suporte e a adição de medium a tinta além de tirar o poder de cobertura pode quebrar a proporção óleo pigmento, a resposta só pode estar no suporte. Para que a veladura escorra solta, livre e adequada, sem a adição de resina na tinta, aplica-se o medium, que nesse caso pode ser apenas óleo vegetal (linhaça, nozes, papoula, etc), diretamente no suporte, ou, na pintura seca que receberá a veladura. Alguns artistas o fazem molhando levemente a ponta do pincel no medium e passando na área da pintura onde se quer fazer a veladura.


Começo da aplicação do Couch
em pintura previamente seca.

No entanto, o procedimento com o pincel pode ser ineficaz, pois ele espalha medium em demasia, e forma uma área onde podemos encontrar diferentes quantidades de medium na superfície. A melhor forma de se aplicar o couch é molhar a ponta do dedo indicador em um pouco de óleo ou medium e esfregá-lo gentilmente, acariciando suavemente a superfície da pintura, espalhando cuidadosamente o óleo na superfície até que a mesma esteja "hidratada" igualmente por toda a área a ser pintada. A idéia é que a superfície fique lubrificada, para que a tinta deslize facilmente com uma quantidade ínfima de medium.

Nas primeiras vezes que se usa o couch, é comum que o artista adicione medium demais a superfície. Nesse caso, também é possível usar um pano de tecido absorvente que não solte os pelos para remover o excesso, massageando a superfície com o pano. Há uma "anedota da pintura" que conta sobre o uso de uma luva de seda por Raffaello, para retirar o excesso do couch. Mas o procedimento de remoção de excesso com um pano costuma desperdiçar muito medium. Com experiência, é possível começar a discernir melhor a quantidade suficiente de óleo ou medium que se deve usar na ponta do dedo para cobrir uma área e promover uma lubrificação ideal para a veladura. O couch é um método particularmente útil para pinturas em camadas, que resultam numa superfície sem empasto e marcas, totalmente lisas.

Uma última dica, é que o artista faça uso somente de pincéis de pêlos extremamente macios, como os de Mongoose, Badger ou preferencialmente os de Marta: mais indicados para se trabalhar com velaturas e camadas extremamente finas, sem deixar marcas. Os pincéis de pelo duro são os menos indicados para essa tarefa.

Continua... 
Parte III: Sfregazzo e "Esbatimento".

BIBLIOGRAFIA
THOMPSON, Daniel V. The Materials and Techniques of Medieval Painting; Dover; New York.
VELÁSQUEZ, Louis; Oil Painting with Calcite Sun Oil, Velapress, 2007.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting of the Great Schools and Masters; Dover; 1847


37 comentários:

  1. Mais um excelente post, Márcio!

    Quando li o post, vi o quanto seus conhecimentos estão próximos do que aprendi com o Grande mestre Pedro Alzaga! Com certeza, se ele estivesse vivo, endossaria tudo que nos é passado através dos seus posts, aqui no Cozinha!
    O mestre Pedro Alzaga sempre ensinou que deveríamos passar um pouco de médium na área a ser velada, e retirar o excesso com a lateral das mãos, ou com o dedo.
    Se não fizermos dessa maneira, a tinta não corre, e ficamos com manchas desagradáveis nas velaturas.

    Hoje, de acordo com a prática que adquiri pintando, e com os ensinamentos do cozinha(ensinamentos baseados em pesquisas seríssimas), estou convencido que muitos dos grandes mestres não faziam uso de resinas para pintar. Aliás, quanto mais oleoresinosa a camada da underpainting, menos margem deixamos para futuras velaturas.
    A primeira camada deve ser “magra”...

    Abração, Márcio!

    ResponderExcluir
  2. Bem bacana Marcio! Certa vez assisti a um vídeo do Alexei Antonov fazendo isto e ficou claro pra mim o objetivo do procedimento, irei fazer uns testes agora mesmo!, Tenho que aproveitar que o Vini foi dormir... Rs
    Se não me engano o manual do artista tbm fala em uma passagem sobre esse procedimento, senão foi em algum outro livro que li, não sei ao certo agora...
    Atualmente utilizo a veladura somente para corrigir ou acentuar algumas cores e valores após a secagem da aplicação Alla Prima sobre o underpainting, e por se tratar de uma aplicação "pontual", restrita somente a alguns trechos da pintura, imaginei que a aplicação da tinta com quantidades despreocupadas de mediun não fosse tão nociva... Sem contar que a aplicação é bem mais fácil...
    Mas enfim, vou deixar de blá blá e vou começar a sujar umas telas aki! rs
    Abraço, e como já é de costume, parabéns pelo excelente post!

    ResponderExcluir
  3. Olá Léo! O Antonov é muito bom, apesar de que aqueles nomes em russo para cada camada e todo o lance de 7 camadas em 7 dias parece mais um ritual esotérico... Pra ser sincero, não me lembro do Mayer escrevendo sobre o Couch, mas é possível. Quero ver seus testes novos! Abraços!

    ResponderExcluir
  4. Oi Paulo! Quem me dera ter tido aula com seu Mestre Pedro Alzaga! Gosto muito do respeito e admiração que voce nutre por ele, isso é muito sadio e bonito. Na verdade, um pinguinho de resina no medium a ser usado no Couch é bom para garantir adesão apropriada. Nessa proporção, não há mal algum, o problema da resina, como já discutimos em posts anteriores, é o uso em abundância, exagero mesmo. Abração Paulo!

    ResponderExcluir
  5. Relendo meu post e olhando novamente a foto da veladura que postei, tenho dúvidas se os leitores conseguem ver a diferença do azul sobre os diferentes nuances de amarelo ocre com branco. Ou talvez, seja um problema do monitor que estou usando. Vou conferir no meu outro computador pela manhã. Caso note que a foto não está 100%, postarei uma nova. Abraço a todos!

    ResponderExcluir
  6. Consegui ver o efeito da veladura testada. Muito bom. Confirmei ainda mais o que já me informei com você através de e-mails, teórica e praticamente.
    Que venha logo a Parte III. Abraço!

    ResponderExcluir
  7. A foto saiu com um pouco mais de reflexo do que deveria do lado esquerdo José. Realmente, não é o fim do mundo, mas pretendo colocar uma nova tão logo tenha tempo pra isso! Acredito colocar a 3º parte no ar na segunda feira! Obrigado pelo comentário José! Um abraço!

    ResponderExcluir
  8. Olá,

    É inevitável começar este post com: Parabéns pelo blog, pela qualidade do conteúdo e pela boa vontade em repassar informações tão ricamente datalhadas e de tamanha importância!!!
    Fiz um comentário do seu blog no meu blog (não fiz um link porque ainda não sei como... rsrs), pois fiquei encantada e quis chamar a atenção daqueles que me visitam, para que também venham conhecer o Cozinha da Pintura.
    Gosto de me entitular como: uma eterna aprendiz. Não tenho formação acadêmica em artes, sou contadora. Mas sou completamente apaixonada pelo mundo da arte e este amor foi despertado através da pintura em porcelana. Atualmente, faço um curso de artes plásticas na minha cidade, fato que está ampliando meus horizontes e aguçando ainda mais a minha curiosidade.
    Adoro ler e pesquisar. Meus livros são meu grande tesouro e estou sempre em busca de novos e importantes títulos para o meu acervo sobre a arte.
    Bem, finalizando, quero que saiba que serei uma visitante costumeira, pois seu blog é um referencial importantíssimo em termos de conhecimento sobre esse maravilhoso universo da arte.
    Um abraço,

    Lilian

    ResponderExcluir
  9. Olá Lilian! É sempre inspirador estar em contato com artistas como voce, qualquer um pode ver através de seu texto seu comprometimento pessoal com a arte. Agradeço de coração seus elogios e também posso dizer, om toda certeza, que sou um eterno aprendiz. Aprendo todos os dias, e aprendo muito com os leitores da Cozinha. E não se preocupe quanto aos títulos, credenciais ou educação formal. Eles certamente podem acrescentar muito, mas a dedicação e o comprometimento que partem de dentro do artista são os fatores primordiais para alcançar seus anseios artísticos. Fico muito contente que tenha encontrado o Cozinha. Fique a vontade e aproveite das informações que disponibilizo, com muito prazer, nesse espaço! Sinto não poder dar total atenção ao blog. Não é todo mês que consigo fazer posts novos, mas acredite, sempre me lembro de pelo menos passar por aqui e responder as perguntas que estão dentro do meu conhecimento. Abraço!

    ResponderExcluir
  10. Olá Marcio,

    Venho agradecer sua visita ao meu blog e seus esclarecimentos. Fico feliz que tenha encontrado assuntos interessantes. Eu estou sempre pesquisando e procurando abordar assuntos legais.
    A criação do blog foi excelente pra mim, pois se já pesquisava antes, agora pesquiso muito mais rsrs.
    Eu gostaria de colocar sempre posts bem completos, com informações precisas, mas nem sempre consigo encontrar fontes confiáveis. Agora, tenho o seu blog com uma fonte maravilhosa!
    Gosto muito de mostrar a arte de outros artistas pelo mundo e espero logo mostrar a minha arte.
    Estou em processo de construção do meu ateliê (um grande sonho há muito acalentado) e devagar estou me preparando para dar aula.
    Ensinar tem que ser um profundo ato de amor e doação. E pra mim, falar de arte, fazer arte, aprender arte e ensinar arte, são todos sinônimos de uma mesma palavra: felicidade!!!
    Espero sempre ter a alegria da sua visita ao meu blog, suas sugestões e indicações serão sempre muito bem vindas.
    Uma linda semana e até qualquer hora.
    Abraço,

    Lilian

    ResponderExcluir
  11. Oi Lilian! Não há o que agradecer! Posso dizer o mesmo sobre a Cozinha da Pintura. Minha pesquisa acadêmica, que faço como parte de um projeto de Mestrado, acabou "vazando" para esse blog. Aqui, apresento, a grosso modo, uma parcela do que venho pesquisando desde 2004. Ainda estou engatinhando.

    Fico feliz com a notícia de seu ateliê! Ensinar, sem sombra de dúvida, exige paixão, e é obvio que voce o tem! Visitarei seu blog sim, seja bem vinda e sinta-se em casa para usar esse espaço! Um abraço!

    ResponderExcluir
  12. ESSAS DICAS VALERAM MUITO PRA MIM.
    DESEJO MUITO SUCESSO EM SUAS PESQUISAS E ESTUDOS.DESDE NENINO SOU ENVOLVIDO NA ARTE.
    EM MEU ATELIER,TENHO UM GRUPO DE 50 ALUNOS,QUE ESTUDAMOS E PESQUISAMOS CADA DIA,SOBRE TECNICAS DE PINTURA,E MATERIAIS VOLTADOS PARA A PINTURA À ÓLEO.UM FORTE ABRAÇO À TODOS!!!
    JSILVA,FORTALEZA-CE

    ResponderExcluir
  13. Li aqui que recomendaram editar um livro,concordo,nunca vi algo assim com essa qualidade a não ser fora do Brasil.Pintar e ainda mais,dominar as técnicas do óleo é uma jornada solitária no Brasil,infelizmente,digo no sentido da seriedade com que os temas são tratados aqui,claro que existem studios com aulas,mas soube de poucos que realmente tivesse esses moldes como aqui.Tudo que aprendi foi buscando,mesmo com a pratica é necessário estudar,entender o material que trabalha e acho que o caminho sempre foi repartir.Já dei aulas,embora agora os trabalhos me impeçam me reservo a alguns momentos repartindo conhecimentos on line no skype. A veladura sempre foi um princípio em minha arte que busquei entender, e ler aqui os procedimentos e perceber que todo esforço de aprender e compreender não foi em vão é um alivio e uma alegria estar aqui entre colegas tão talentosos.Vou torcer para ver o livro em breve!
    Um abraço
    Ancerg
    AH! postei um novo vídeo tá na entrada do blog,www.ancerg.blogspot.com ainda vou arrumar tudo lá,logo,é que dei um "geitão" na minha coluna e me quebrei todo!

    ResponderExcluir
  14. Olá Jota! Conferi seu site, parabéns pelo trabalho dedicado aí em Fortaleza! Um forte abraço, seja sempre bem vindo!

    Olá Ancerg! Como voce mesmo disse, o Brasil realmente ainda engatinha nesse tipo de pesquisa. O melhor material braileiro que encontrei é o livro do mestre Edson Motta, que ainda assim, é uma pesquisa que hoje necessita de atualização, pois foi publicada em 1970. Fico feliz que tenha gostado do artigo das veladuras, é uma técnica não muito popular no brasil. Vou dar uma olhada no vídeo! Abraço!

    ResponderExcluir
  15. Gostei de tudo que vi, acho difícil achar a turma da belas artes mas quando acho não me arrependo,também faço alguma coisa e caso tenha curiosidade é só acessar www.claudiodcosta.multiply.com

    ResponderExcluir
  16. Olá Claudio! Trabalhos de excelente qualidade! Gostei muito dos retratos! Seja bem vindo! Um abraço!

    ResponderExcluir
  17. Marcio, fui tentar fazer uma veladura exagerando no medium de proposito pra ver o resultado, e realmente o pigmento fica como q "solto" na tela... realmente a proporçao q vc fala sempre deve ser mantida!!! mas o q fazer quando nao se trabalha com tintas de tao boa qualidade e q ja nao sejam transparentes??? qual a melhor forma de deixa-la mais transparentes??? ah, e percebo tbm q a area velada fica com um brilho diferenciado do resto... isso é normal? tem como evitar??? desde ja obg...
    grande abraço!!!

    ResponderExcluir
  18. É importante que a proporção óleo/pigmento não seja quebrada. Além disso, muito medium resulta numa camada que tenderá a ficar muito amarela. A melhor forma de se trabalhar com tintas opacas, em velaturas, é usá-las de modo "fino", adicionando POUCO medium, e espalhando bem para que o filme resultante se torne tão fino que dê transparência.

    É normal que a área velada fique diferente, pois a quantidade de óleo de uma velatura e de uma pincelada gorda é bem diferente. Voce pode adicionar uma ou duas gotas de alguma resina natural ao seu medium para velaturas, para dar um pouco mais de brilho, ou pode deixar para envernizar a obra assim que ela estiver seca, unificando o brilho da superfície. Abraço!

    ResponderExcluir
  19. Ao contrário do que muita gente imagina, e do que muitos artistas dizem, as velaturas devem ser ricas em PIGMENTO e NÃO em medium. Essa é uma regra importante que muita gente não segue.

    ResponderExcluir
  20. entendi perfeitamente sua colocaçao Marcio... mas usando um tinta q ja é opaca por natureza com pouco medium simplesmente cuidando pra q ela seja fina o suficiente pra criar transparencia nao vai caracterizar um "sfregazzo"? pq ela sendo opaca e pouco diluida ficara mais "seca" por assim dizer, necessitando uma abordagem mais parecida com o sfregazzo nao é? ou falei bobagem??? rs

    ResponderExcluir
  21. Voce está certo. É praticamente um sfregazzo. A única diferença é que o sfregazzo não leva medium algum, é uma aplicação com POUCA tinta, com o pincel bem seco. O sfregazzo não é lá muito bom para os pincéis. Enquanto a velatura com um pouco de medium leva MAIS tinta, e tende a correr mais solta. Abraço!

    ResponderExcluir
  22. Marcio...
    tenho uma duvida em relaçao a quantidade de camadas utilizadas, sei q isso deva variar muito, mas qual a media? a Monalisa por exemplo ja li q teriam sido dezenas de camadas... e outra questao, como "deduzir" melhor o resultado final dessas camadas, como proceder de forma adequada de maneira a antever melhor a mistura otica final pra nao estragar tudo? velaturas eram usadas pras luzes tbm ou só nas sombras? digo isso pq cores como o branco sao bem opacas...
    desde ja obg... grande abraço!!!

    ResponderExcluir
  23. Olá Anônimo! Perguntas interessantes.
    Realmente não há um número médio. Cada artista varia conforme seu método de trabalho. Por exemplo, alguns trabalham com inúmeras transparências em cada etapa: nas sombras, no meio tom e nas luzes. Isto é, são varias velaturas em cada etapa, portanto, se temos três delas (sombras, meio tom e luzes) serão no mínimo seis camadas.

    Dezenas de camadas é um número bem razoável para o tipo de pintura de Leonardo, é muito provável. Quanto a dedudação do resultado, o melhor mesmo é a experiência, não tem jeito. Mas algo que pode ajudar é não ter uma paleta extremamente complexa, o que dificulta a intimidade e a experiância com as cores.

    As velaturas podem ser feitas nas luzes também e a maioria dos pintores clássicos europeus, até um pouco depois da renascença só trabalhavam dessa maneira. As luzes opacas só vieram a ganhar força com os Venezianos.

    O Branco da antiguidade (Branco de Chumbo), na verdade, é BEM mais transparente do que o nosso (Branco de Titâneo). Portanto, se voce quiser usar um branco mais transparente, tente usar o branco de chumbo, ou então, faça uma mistura de 1 parte de Titâneo com 1 parte de Branco de Zinco. É sempre bom misturar o zinco, pois o pigmento é quebradiço.

    Abração!

    ResponderExcluir
  24. Uma boa saída para "prever" o resultado das velaturas e ver o efeito óptico criado pelas cores é criar uma "pré-pintura", um teste, em escala menor do que a obra final. Fica aí a sugestão.

    ResponderExcluir
  25. Opá!!! Passei um certo tempo procurando um site, blog ou qual quer coisa parecida sobre o assunto... fiquei surpreso quando achei este blog, e foi por acaso. Realmente, estar perfeito! É muito difícil encontrar qualquer coisa desse tipo no nosso país infelizmente a parti de hoje serei mais um participante. Sua pesquisa é fantástica o seu conhecimento é muito rico, eu estou grato por vc existir. Parabéns.

    ResponderExcluir
  26. Olá Ricardo, obrigado pelas generosas palavras! Espero que o blog seja de alguma ajuda! Um abraço!

    ResponderExcluir
  27. Oi, Márcio!

    Primeiramente agradecendo a Hieronimous Bosch, Diego Velázquez, Rembrandt, Matthias Grünewald, Vincent van Gogh entre outros, a São Internet pois hoje tenho mais de 90 Giga de vídeo aula, livros, gravuras e etc... E a você pela gentileza de doar tantas informações valiosas tão básicas e raras ao mesmo tempo por estarem perdidas... só sei que estou vidrado e assimilando diariamente as Veladuras!

    Abraço,

    Luciano Reston

    ResponderExcluir
  28. É verdade Luciano, a "Santa Internet" é realmente uma benção. Graças a ela, o conhecimento de pintura está bem globalizado, e a troca de informações nunca foi tão dinâmica. Aprendi muito na Web e continuo aprendendo. Agradeço suas gentis palavras e fico contente em tê-lo por aqui! Um abração, e apareça sempre!

    ResponderExcluir
  29. onde fica o seu atelier? faz cursos de velaturas a óleo?o preço?vivo em Portugal e vejo que sabe muitíssimo!adorava aprender consigo!um abraço!o meu email é
    henriketa.cardigos@hotmail.com

    ResponderExcluir
  30. Olá Leila! O ateliê fica no Brasil, na cidade de São Paulo. Poderá ler maiores informações sobre o curso nesse site: http://www.pinturaitaliana.blogspot.com.br

    Fiquei muito contente com sua visita. Agradeço suas palavras e seja bem vinda! Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  31. Adorei conhecer a Cozinha da Pintura. Será de agora em diante minha fonte para dúvidas, e cada vez mais aprimorar meus trabalhos. Oriento crianças no CriARTE- ode a criança faz ARTE sobre tela na Casa de Cultura Elbe de Holanda, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Muito grata por vc existir e a internet ajudar rsrsr. Marina Ribeiro

    ResponderExcluir
  32. Cara Marina, lindo trabalho esse seu, parabéns e viva a pintura! Grande abraço!

    ResponderExcluir
  33. Primeiro, gostaria de parabenizar novamente pelo trabalho do cozinha da pintura que é maravilhoso.

    Vim aqui fazer uma pergunta sobe o branco de zinco e sobre as "sete camadas", mas ao ler os comentários, minhas dúvidas foram respondidas. Da outra vez que consultei esse artigo não tinha lido os comentários.

    Obrigado pela generosidade em disponibilizar tanta informação de altíssima qualidade, precisão e empirismo, além da experiência e técnica.

    Já pensou em publicar um livro sobre pintura?

    Abraço.

    ResponderExcluir
  34. Gostaria de saber se depois que se aplica o ''chouch'' deve-se esperar o óleo/medium secar ou aplicas-e a veladura com o mesmo ainda molhado ou ''pegajoso''

    ResponderExcluir
  35. Olá JuHIN!
    A idéia do couch é justamente hidratar o suporte e tornar a superfície de pintura escorregadia. Portanto, sim, é necessário aplicar a velatura enquanto o mesmo ainda está "molhado". Não espere secar. Um forte abraço!

    ResponderExcluir
  36. Olá Marcio
    Somente agora tomei conhecimento do seu site e estou adorando. Agradeço e saiba que esta sendo de grande valia. Muito obrigada.

    ResponderExcluir
  37. Cara Maria, fico muito contente que tenha descoberto a Cozinha e que os artigos estão lhe ajudando! Um grande abraço!

    ResponderExcluir

ATENÇÃO: Devido a grande número diário de mensagens, limitamos o número de publicação de perguntas e respostas: sua pergunta poderá não ser publicada. Contamos com sua compreensão, obrigado!