segunda-feira, 21 de março de 2011

Pigmentos Não Permanentes

Cada pigmento é composto de uma ou mais substâncias orgânicas ou inorgânicas. Essas substâncias atribuem ao pigmento características de cor, textura, absorção de óleo, tempo de secagem, permanência e outras. A permanência é questão fundamental, pois determina a durabilidade do pigmento. Isto é, por quanto tempo a cor do pigmento se apresentará viva, em sua forma mais intensa. Imagine que um artista decida que determinada área de uma pintura deverá ser de um tom violáceo muito intenso. Imagine então, que após cinco ou seis anos, toda essa área transforma-se num cinza violáceo, perdendo completamente sua vibração e intensidade. Temos então, uma obra que além de estar agora descaracterizada com a concepção original do artista, destoará em sua harmonia cromática como um todo.

Até não muito tempo atrás, grande parte das cores a óleo ao longo dos anos acabavam por esmaecer perdendo sua tonalidade, principalmente as cores mais vivas de vermelho e violeta. Não havia conhecimento suficiente para que esses pigmentos fossem substituídos por pigmentos sintéticos mais duráveis. Essas cores são consideradas pigmentos não permanentes ou "fugitivos". Com o advento de novos conhecimentos químicos e científicos, foi possível substituir esses pigmentos por novas cores mais duráveis, permanentes. Para descobrir a durabilidade de certas substâncias foi necessário esperar alguns anos para que compreendessemos seus resultados, por esse motivo, alguns pigmentos descobertos entre as décadas de 40 a 70, tidos como permanentes, na verdade, não eram. Esses pigmentos não permanentes ainda são usados por algumas marcas de tinta. No entanto, não apresentam um claro aviso no rótulo. Teoricamente, os códigos de "índice de permanência" usados nos rótulos levam o artista a compreender a característica do pigmento. Mas não é bem assim.

Algumas marcas tendem a "super-valorizar" alguns pigmentos, dando índices de permanência descritos como "bom" a pigmentos sensíveis a luz. Poderíamos até sub-entender que esses pigmentos, de preço inferior aos permanentes, seriam indicados para serem usados em trabalhos de artesanato ou obras temporárias, evitando que o artista gaste com cores caras para esses tipos de trabalhos. Pessoalmente, acredito que a diferença de preço é tão ínfima que a economia a custo da durabilidade da cor não compensa, no caso de uma pintura a óleo.


Causas
Diversos fatores podem causar o enfraquecimento da cor nesses pigmentos. Em alguns casos, mais de um fator é necessário para que isso aconteça. No caso da perda de cor, a incidência de claridade abundante com raios ultra violetas é um dos fatores mais comuns que agem na estrutura molecular de certas substâncias modificando-as de forma que percam seus atributos originais e dessa forma, fazendo a cor ficar "apagada". Mas não é somente a perda de cor que aflige algumas substâncias. Outros pigmentos possuem uma tendência natural a descascar ou craquelar, mostrando rachaduras com maior facilidade. Algumas substâncias quando aglutinadas no veículo tendem a formar um filme ou película mais duro ou inflexível do que outros pigmentos. Quando não há flexibilidade suficiente, o filme se rompe, formando as craqueluras. Existem ainda outros fatores, mas esses dois são disparados, os principais causadores desses defeitos.

Um fator agravante para que isso aconteça é o uso esparso desses pigmentos, isto é, quando os mesmos são usados em pinturas de camadas muito finas. Nesse caso, o esmaecimento ou "apagamento" da cor acontece de forma muito mais expressiva do que quando usadas em empastes.

Idiossincrasias de Matéria Prima
Esse é um assunto importante, e todo artista deveria sempre lembrar disso quando optar pelo uso de um pigmento: algumas substâncias químicas podem trazer o mesmo nome químico (como exemplo, o PY139, Isoindoline Yellow) mas podem ter sido criadas através de diferentes processos, resultando em substâncias com diferentes resistências de luz. Isso é um problema grande dentro do mercado de tintas, pois geram variantes que tornam alguns resultados imprevisíveis. Como exemplo da complexidade desse assunto:

Testei há quatro anos atrás uma cor da W&N que levava o código PY139 (Indian Yellow). Em meu teste, a amostra da tinta permaneceu em ceu aberto, tomando sol e chuva durante dois anos. A amostra apresenta forte descoloração, "sumindo" praticamente por completo. O elemento entrou automaticamente para minha lista de cores fugitivas. Há alguns meses atrás, um profissional com qual me correspondo há alguns anos me enviou os resultados de alguns de seus testes. Ele submeteu a mesma cor de tinta (Amarelo Indiano) a um teste semelhante, e apesar da cor e seu componente químico ser exatamente o mesmo, sua tinta era de outra marca. Em seu teste, a tinta permaneceu inalterada, mesmo depois de um ano debaixo do forte sol do Arizona, mostrando uma permanência indiscutível. Isso mostra como algumas substâncias podem variar seu comportamento de acordo com pequenas diferenças em suas estruturas derivadas do processo pelo qual foi fabricado.

Genericamente falando, algumas substâncias possuem com absoluta certeza tendências que não mudam, mesmo tendo proveniência diferente. Como exemplo, nenhum Branco de Zinco é mais flexível e menos quabradiço, todas as marcas são exatamente iguais. Nenhum Alizarin Crimson genuíno possui permanência excelente, todas as marcas apresentam "apagamento", em diferentes níveis. Mas certas substâncias possuem diferenças, mesmo tratando-se de basicamente o mesmo elemento químico. Portanto, é sempre melhor considerar certas caracteristicas indicadas nesse artigo como "possíveis comportamentos", mas não como regra. A complexidade da produção dessas substâncias torna o estudo de seu comportamento algo muito delicado.

É por isso que julgo dois procedimentos indispensáveis: testar a permanência dos pigmentos ou perguntar a opinião de algum artista que tenha usado determinado pigmento diversas vezes, de preferência durante alguns anos. É a única maneira de ter certeza sobre a durabilidade de certos pigmentos. Essa não é uma lista definitiva de todos os pigmentos não permanentes, mas uma apresentação de 5 cores inpermanentes amplamente usadas no mercado. É interessante que o artista tenha em mente essa lista e evite o uso das cores relacionadas aqui, ou em alguns casos, que saiba como contornar seus defeitos. Os pigmentos mais antigos, que não são mais encontrados amplamente no mercado (como exemplo, o Verdigris) não foram considerados por esse artigo, compreendendo somente aqueles pigmentos que ainda se mostram disponíveis.



Testes do Alizarin de diversas marcas: todos sumiram. By handprint.com


Alizarin Crimson (PR83)
Esse pigmento compreende uma das "fugitivas" mais famosas. O Alizarin Crimson Genuíno (PR83), embora soe como algo pomposo, é na verdade um pigmento extremamente sensível a luz, ficando completamente lavado e em alguns casos tornando-se um rosa claro após quatro ou cinco anos, dependendo da quantidade de luz e do ambiente onde a obra ficou exposta. Muitos fabricantes conferem índice de permanência II para essa cor, ou até mesmo "excelente", mas um simples teste de permanência revelará o contrário. Existem vários substitutos mais permanentes para essa cor, como o PR177, PR179, PR264 e o PV19. Embora vários fabricantes possam avaliar o PR177 como um excelente substituto, há indícios de que não é um pigmento cem por cento confiável, e além disso, sua cor é consideravelmente diferente do legítimo Alizarin, embora mais permamente. Dê preferência principalmente ao PV19, ou na ausência do primeiro, ao PR179, de todas as variantes, por hora, as mais confiáveis.


Pintura de Henry Cliffe, 1959. Branco de Zinco.

Branco de Zinco (PW4)
Branco extremamente transparente que tende a dar uma tonalidade fria e azulada quando usado em veladuras. Apesar de ser uma cor muito interessante e especialmente útil para finalidades em que o Branco de Titâneo não é indicado, uma série de artistas e pesquisadores tem alertado a comunidade artística sobre sua tendência inflexível. Trata-se de um dos pigmentos mais quebradiços disponíveis no mercado. Recomendável que nunca seja usado sozinho, mas misturado com pelo menos 60% de Branco de Titâneo. Nesse caso, a vantagem de misturá-lo ao Branco de Titâneo, além de minimizar as chances de craquelar a película, é conferir mais transparência ao branco. 


5. Violeta Escuro (Corfix)

Violetas (Vários)
A maioria dos pigmentos violetas são impermanentes, tornando-se azuis ou cinzas azulados com o passar dos anos e perdendo seus traços de magenta ou vermelho. Trata-se de uma das cores mais suscetíveis aos efeitos dos raios ultra-violetas. No melhor dos casos, são pigmentos de permanência II, índice sempre descrito com o adjetivo "bom". Note que "bom", não é "excelente". Para algumas marcas, "bom" pode ser sinônimo de pigmento que perderá sua intensidade a longo prazo. Os melhores violetas são feitos com o Dioxazine Violet (PV23), no entanto, a procedência, processo de fatura e tipos de impurezas presentes no pigmento são responsáveis pelo seu grau de permanência. Portanto, é necessário testar várias marcas pois o fato de ser um PV23 não quer dizer que é totalmente permanente. Algumas marcas de tinta que levam o PV23 levam a informação no rótulo de que o mesmo possui permanência "excelente", mas esmaecem levemente quando expostos por muito tempo a luz do sol. O Violeta Escuro da Corfix perdeu totalmente seus traços violáceos num prazo de quatro meses no teste de permanência.


Marrom Van Dyck

Marrom Van Dyck (PBr9 ou PBr8)
Alguns marrons que levam esse nome podem ser feitos através de diferentes substâncias, e não necessariamente de PBr8 e 9. Os que levam esses pigmentos são geralmente fugitivos e em alguns casos, quebradiços. Quando usado em veladuras ou camadas muito finas, tende a perder a cor através dos anos, e quando usado de forma mais grossa (empastes) costuma apresentar pequenas fendas, formando craqueluras. Para tentar contornar esse problema da fissuras em particular, é interessante misturar uma cor "saudável" a essa tinta. Seguindo a lógica, mistura-se uma substância flexível (tinta "saudável") a uma substância inflexível (Marrom Van Dyck). Quando misturado com outras cores, esses defeitos costumam ser minimizados. O mesmo pode ser feito ao Branco de Zinco. No entanto, no caso do Marrom Van Dyck, ainda acho mais prático substituir essa cor por outro pigmento, pois é perfeitamente possível chegar a um tom parecido com uma série de outras cores terrosas, tornando seu uso obsoleto.


Vermillions nacionais: 8. PR112 e 9.PR170

PR57 - Monoazo (Azo) - Van Gogh


Genuíno: escurecimento (embaixo)

Vermillion (Vários)
Famoso também como Vermelho Chinês ou Vermelhão, o Vermillion pode ser encontrado com uma infinidade de tons diferentes, dos mais claros para os mais escuros, e até dos mais frios para os mais quentes. O Vermillion de hoje não é mais feito com o Vermillion legítimo (PR106), pois o mesmo escurece rapidamente em contato com o sol, mas com substâncias mais modernas que modulam sua cor. Infelizmente, alguns desses substitutos não são absurdamente melhores do que o original. Os vermelhos compostos de diferentes Pyrols e Naphtols são na verdade substitutos baratos dos Cádmios, todos inferiores. Há relatos de perde de chroma dos pigmentos PR188, PR170, PR57, PR254, sendo os dois últimos, os piores. Prefira o Vermillion (ou qualquer outro vermelho) a base de pigmentos de Cádmio (PR113) ou o Vermelho Cádmio Claro (PR108 ou sua versão com bario PR108:1). Alguns artistas consideram o Vermillion como insubstituível, devido a suas características reológicas únicas e muito diferente dos Cádmios: discussão para um post exclusivo. Caso não queira abrir mão dos Naphtols e Pyrols (como no caso do Vermelho Chinês), prefira o PR170, mas faça um teste de permanência. Os da Corfix (PR112 e PR170) apresentaram excelente permanência.


1. Amarelo Nápoles Carne - Corfix (PY74/PW4/PO13/PW6)

Um pigmento indicado como fugitivo em um dos meus testes é o Amarelo Nápoles Carne da Corfix. Não conseguiu testar separadamente os pigmentos coloridos que constituem essa cor (PY74 e PO13) mas ambos recebem índice de permanência II ("bom") nos EUA. Não incluí essa cor ou esses pigmentos como fugitivos nesse artigo pois ainda devo testá-los separadamente também incluindo outras marcas. Em todo o caso, é melhor evitar o uso dessa cor em particular.



Misturar um pigmento fugitivo a outra tinta "sadia" não faz dessa mistura uma cor permanente, pois os atributos de inpermanência do pigmento ainda estarão presentes. Uma vez detectado a não permanência de um pigmento, o melhor é usá-lo somente para pinturas de testes ou treinos, ou então substituir a cor fugitiva da paleta por uma cor permanente.

BIBLIOGRAFIA
THOMPSON, Daniel V. The Materials and Techniques of Medieval Painting; Dover; New York.
LAURIE; A.P.; The Painter´s Method´s and Materials; Dover; 1967.
DELAMARE; Guineau; Colors: The Story of Dyes and Pigments; Harry Abrams; 2000.
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting of the Great Schools and Masters; Dover; 1847


29 comentários:

  1. Olá Marcio, bom, o que deu a entender foi que nem as marcas mais famosas estão livre por completo desse problema de permanência dos pigmentos, esse problema so é resolvido quando descobrem uma matéria prima mais resistente para aquele tipo de pigmento ou por exemplo toda matéria prima conhecida para o pigmento do alizarim é frágil por natureza? Há como encontrar um material mais resistente para esse pigmento no futuro? cores com grau de permanência baixo prejudica outras mais permanentes quando misturadas? Dia 16 de abril estou indo aí em São Paulo assistir ao workshop no atelier do Reider. Até mais, um abraço!

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  2. Oi Vinícius! Sim, nem as marcas mais famosas estão livres disso.

    A matéria prima do Alizarin Crimson é famosa por sua não permanência, e a maioria das cores que levam o Alizarin genuino desbotam intensamente. Mas, como disse no artigo, pequenas diferenças no modo como a tinta é processada e nas diferentes inpurezas dos pigmentos podem gerar cores menos ou mais resistentes. Conheço artistas americanos que possuem obras pintadas com Alizarin Crimson na década de 50 e 60 que estão em excelente estado cromático. A mesma marca de Alizarin desbotou em outros casos. É um pigmento não confiável devido a essa falta de estabilidade. Para quem já usou bastante, envernizar a tela com um verniz de proteção UV é uma boa solução. Já existem substitutos mais confiáveis, como o PR179 e o PV19, e muitos pintores americanos deixaram de lado o PR83 em troca desses.

    Misturar cores com tendências fugitivas a cores permanentes NÃO prejudicará uma cor permanente, mas a porção de tinta fugitiva contida na mistura pode ainda assim desbotar. Como um exemplo: misturando Alizarin Crimson genuino (PR83) ao Amarelo Ocre não fará o ocre desbotar, mas o tom violeta avermelhado dessa mistura vai sumir com o tempo, deixando somente o tom ocre.

    Mas é possível que algum tipo de pigmento ativo possa afetar uma cor fugitiva conservando-a melhor. Tudo depende da forma como o pigmento foi processado e de fatores químicos que porventura possam trazer algum tipo de reação complexa.

    Será um grande prazer recebê-lo em meu Workshop. Tenho certeza de que irá gostar bastante! Um abração! Obrigado pelo comentário e pelas perguntas interessantes!

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  3. NOSSA! ESPANTADO COM ISSO TUDO!!
    Conversando com um amigo pintor profissional há 40 anos, me citou a Maimeri como tintas sem cobertura..Mais para as semi-opacas...Gosto de tintas opacas ainda que use algumas cores transparentes. Acabei ficando na dúvida!! Pelo que entendi se misturarmos cores fugidias com cores permanentes resolve-se o problema não? É o caso do Vandik. Ele sozinho é um desastre mas se adicionar uma outra cor permanente resolve o problema de desbotar ou craquelar? Estou sentindo que as tintas a óleo é mais ou menos aquela história sobre o café...Um dia disseram que era bom pra saúde...Depois que matava e dava cancer...A coisa de uns 3 anos descobriram que é excelente pra saúde e insistem em tomarmos!

    Abraços!!

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  4. Celso, sua analogia com o café é ótima! No fundo, creio que ALGUMAS coisas são assim mesmo. Mas a verdade é que existem muitas pesquisas sérias por aí que são bem confiáveis, portanto não se preocupe. Mas vamos lá a suas perguntas.

    Sobre a Maimeri: É uma marca bem antiga. Os fabricantes costumam passar por várias reformulações ao longo dos anos. Um tubo de tinta da Maimeri dos anos 80 é MUITO diferente de um tubo de hoje. É preciso saber QUANDO seu amigo usou as tintas. Em segundo lugar, é preciso saber QUAIS cores ele usou. É comum encontrar uma cor ou outra que não preste em QUALQUER linha de tintas, embora eu duvide que na linha da Maimeri Puro isso possa acontecer, e tenho até dúvidas quanto a linha Classico. Em terceiro e mais importante: ele diz que a Maimeri não tem cobertura quando comparado com QUAIS marcas? Fica difícil de ter um parametro. Mas se estiver falando da Maimeri Classico (ou Puro) de HOJE, comparada a uma Old Holland ou Blockx, certamente será inferior. Acho que seu amigo precisa re-avaliar a Maimeri... as opiniões sobre a marca, hoje, apresentam coerência entre o pessoal com quem me correspondo nos EUA e na Europa.

    Quanto aos pigmentos fugitivos. Eu apresentei dois tipos de "problemas" no artigo. O primeiro são cores fugitivas. Essas quando misturadas a tintas NÃO fugitivas não deixarão de ser fugitivas, nem tornarão a outra tinta fugitiva. Veja o exemplo que citei para o Vinícius. O outro problema são pigmentos que deixam a película quebradiça, como o Branco de Zinco e o Van Dyck. Nesse caso, a mistura com outros pigmentos é indicado para amenizar os possíveis efeitos. É uma questão de lógica: voce tem uma "massa" muito quebradiça e mistura a uma massa "flexível", para alcançar um balanceamento reológico. O Marrom Van Dyck é um problema em especial pois além de ser fugitivo é quebradiço.

    Obrigado pelas perguntas Celso, sempre um prazer trocar idéias com voces!

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  5. Gostaria de agradecer ao Vinícius Silva e ao Celso Mathias pelas suas perguntas pertinentes. Com elas notei que em algumas partes do texto não fui claro o suficiente, e adiconei algumas informações na tentativa de tornar as explicações mais claras! Abraço a voces!

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  6. Fiquei aliviado em constatar que não uso esses pigmentos rsrs, com exceção do Marron Van Dick Que já misturei em veladuras há tempos atrás...
    Mudando de assunto, fiz um teste hoje que me deixou surpreso, as cores azul da prussia e magenta da acrilex tem maior poder de pigmentação do que os da corfix!...E ainda são bem mais transparentes, vai entender...rs
    Exelente post Marcio!
    Abração!

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  7. Leo! Nunca usei essas cores da Acrilex. Aliás, devo ter usado até hoje uma ou duas cores da marca. Dureza é que a Acrilex não disponibiliza no rótulo as informações dos pigmentos, como o nome químico. Mas aposto que o azul da prússia deles é um dos muitos derivados de Phtalos e o Magenta um derivado de Monoazo, ambos absurdamente transparentes. Dependendo da variação, são bons pigmentos. Voce tem fotos do teste? Gostaria de vê-lo! Abraço!

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  8. A Acrilex não informa nada, tão nem ai pros clientes! rs Não tirei foto, ate por que não foi um teste no sentido formal da coisa, e nem tão organizado como os seus estudos, rs...Mas vou repetir esse teste e fotografo para lhe enviar, é bem interessante Marcio, Um pouquinho de nada dessas tintas da Acrilex pigmentam MUITO a mistura!
    Outra coisa que testei ontem, (E dessa vez por causa desse seu post rs)Foi uma solução para o Marrom Van Dick, Consegui belos marrons transparentes misturando laca de garanza rosa antiga(PR122/PY83) com verde esmeralda, duas tintas transparentes, ambas da corfix....Vc ainda pode adicionar um pouquinho de terra natural (que é semi transparente)o resultado é uma gama muito bela e variada de marrons transparentes...
    Se conseguir, vou providenciar a foto do teste para lhe enviar ainda hoje!

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  9. Leo, não tenha pressa, eu só pedi por que achei que voce tinha fotografado os testes. Pois é, dá pra fazer MUITAS variações terrosas transparentes com uma infinidade de tintas diferentes, pra que apostar numa cor fugitiva e quebradiça? Abraço!

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  10. Excelente post, Márcio!
    Tenho uma dúvida:
    A envernização da obra pode minimizar o desbotamento dos pigmentos não permanentes?
    Abç

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  11. Sim. No entanto, não é todo verniz que poderá ajudar, somente os vernizes que tragam proteção contra raios ultravioletas. No Brasil por enquanto não temos marcas nacionais que ofereçam essa função, é necessário encontrar o produto em lojas que importem o produto. Recomenda-se que o mesmo seja substituido após três anos, dependendo do verniz. Abraço!

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  12. Poxa gente!!!Legal esse artigo!!!!Queria aproveitar pra tirar uma dúvida sobre o tempo de validade das tintas que são postas nos rótulos.Algumas lojas fazem promoção de tintas por estarem perto e até mesmo já fora de validade, e alguns vendedores afirman que "tinta a óleo é tinta a óleo,não existe isso de validade".
    Gostária de saber se posso confiar em usar tintas vencidas.abc!!!!!

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  13. Olá Adson! Pergunta interessante! Realmente, a tinta a óleo tem uma validade muito longa, e na maioria dos casos pode durar muito, muito tempo. Basicamente, ele estará boa para uso caso o tubo não fure e o veículo não seque. Portanto, preste atenção se não há óleo vazando em algum lugar da bisnaga ou se o tubo não está endurecido, se não apresentar essas caracterícticas, estará bom para o uso. Alguns pigmentos parecem estar mole dentro da bisnaga mas na verdade podem estar praticamente secos, nesse caso, é necessário abrir a bisnaga e examinar se a tinta sai facilmente da mesma. A máxima de que a "tinta a óleo não tem validade" é cinsideravelmente verdade, no entanto, fique atento a esses pontos! Obrigado pelo comentário Adson!

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  14. Olá Márcio e todos os amigos que acompanham esse blog!!!!Sobre a questão da luminosidade interferir gradativamente na resistência dos pigmentos é um fato comprovado.Mas sobre telas que ficam em ambientes com pouca iluminação ou em pinturas que passam bastante tempo guardadas(enroladas fora do chassi por exemplo)? A pouca iluminação ou a ausência dela prolonga o tempo de vida das cores fugitivas?Moro em Recife e se um dia puder(se o trabalho permitir),conhecerei o ateliê.abç!

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  15. Olá Adson! Receber pouca iluminação certamente pode aumentar o tempo de vida de certos pigmentos fugitivos, sendo que os raios ultravioletas são os principais causadores da cor sumir, mas por outro lado, pouca iluminação pode escurecer a pintura de forma geral inclusive as cores permanentes. O ideal é que a pintura nunca fique guardada longe da luz. Apesar do escurecimento ser um fenõmeno reversível, seria interessante que o artista NÃO usasse pigmentos de má permanência. No caso de obras antigas nas quais o artista usou esses pigmentos, seria ideal repintar partes da obra onde o pigmento não permamente foi usado. Se um dia vier a São Paulo, será bem vindo Adson! Um abraço!

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  16. Olá,
    eu tenho o vermillion extra da Old Holland, pigmento isoindolina PR 260. O que vc poderia dizer sobre ele?
    Parabéns pelo site!!
    Wellington

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  17. Olá Wellington, obrigado por escrever!
    O Vermillion Extra da Old Holland que você tem, provavelmente faz parte de um lote antigo da marca, pois de tempos pra cá, a Old Holland tem usado como pigmento para o Vermillion Extra um vermelho Pyrazoloquinazolo, Index PR251.

    Essa versão que você tem, feita de PR260, não testamos num tubo da Old Holland, mas num tubo da Doak, que também foi descontinuado. Como são cargas sintéticas, podem variar o tom da cor, de marca para marca, resultando em versões mais ou menos alaranjadas ou até mesmo levemente mais amarelas. Acreditamos no entanto que a diferença seja mínima, embora essa “mínima diferença” possa ser de grande impacto para certas misturas e para o gosto do artista.

    Sabemos que o PR260 é altamente confiável, compreendendo um pigmento vermelho com excelente resistência e permanência.

    A Old Holland, assim como outras marcas, nunca disponibilizaram informações do motivo pelo qual deixaram de usar o PR260 e adotaram o PR251 como substituto de seu Vermillion ou Vermillion Extra. Nem ouvimos boatos sobre o assunto no metier.

    De qualquer forma, é uma cor extremamente confiável nos quesitos de durabilidade e permanência, use-o a vontade!

    Um grande abraço e espero ter ajudado!

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  18. Olá, gostaria de saber se os pigmentos apresentam os mesmos resultados com o tempo em outros meios de tinta, como aquarela.

    Obrigado, Lucas

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  19. Olá Lucas! Sim, eles se comportam da mesma maneira, sendo que o veículo da aquarela costuma não interferir em nada com suas propriedades, assim como o óleo. A vasta maioria dos pigmentos usados no óleo podem ser usados na aquarela, embora a preferência seja sempre para aqueles de grande transparência, deixando os mais opacos para o óleo. Abraço!

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  20. Olá, sou desenhista autodidata e pinto telas com óleo desde 2003. Não me considero um “profissional” na área mas estou trabalhando
    para que isso aconteça. Por acaso encontrei o Blog a uns dias e já o li quase por completo.
    Vi os vários comentários e claro elogios, mas sou OBRIGADO a repetir os parabéns pelas informações e esclarecimentos prestados.
    Graças à Deus que existem pessoas no mundo dispostas não só a pesquisar a fundo esse assunto, como mais ainda, divulga-lo
    gratuitamente para todas as pessoas que tenham interesse. Deixo aqui o meu MUITO OBRIGADO!
    Minha experiência com óleo também foi autodidata e com as suas informações vi quantas coisas erradas eu tinha como certas, e
    quantas coisas eu sem querer faço certo...rsrs. E o mais importante de tudo: sempre pensei que deveria melhorar a qualidade do material que utilizo, mas agora tenho certeza, e com as informações aqui postadas já sei o que devo procurar.

    Agora falando desse assunto dos pigmentos, me veio em mente aquela história de quem pinta somente com 5 ou 6 cores, e obtem as tonalidades
    através da mistura das mesmas: Seria essa uma forma de "escapar" das cores fugitivas, pela mistura de pigmentos mais permanentes,ou pelo contrário, quanto mais se mistura mais frágil
    fica o material aplicado?

    Mais uma vez: PARABÈNS!!

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  21. Olá Raphael! Obrigado pelas palavras gentis!

    Misturar pigmentos fugitivos com pigmentos permanentes não protege as partículas do pigmento fugitivo contra raios ultravioletas, nem tão pouco o protege do contato com outros pigmentos que possam afetar o pigmento problemático.

    Grande abraço!

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  22. Oi. Tenho uma simples dúvida sobre o marrom van dyck. É o Vandyke Brown da Artists' Oil Colours, pigmentos NBr8 e PBr7, essa cor seria menos quebradiça que o PBr9?

    Qual seria a cor permanente com propriedade de transparência semelhante para substituir o Marrom Van Dyck?

    Abraço.

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  23. O PBr9 além de quebradiço é fugitivo (coisas diferentes). O PBr7 é um óxido de ferro com excelente permanência, melhor que o PBr9.

    O PBr8 é uma variação muito próxima ao PBr9, com permanência praticamente igual ao do PBr9. Ambos são considerados Van Dyck Brown legítimos, apesar do PBr9 ser o pigmento mais usado para essa cor recentemente.

    Aposte em qualquer mistura de óxidos de ferro, sintéticos ou naturais, que possam emular a mesma cor e transparência do Van Dyck Brown.

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  24. Leandro, ess versão que voce tem ainda é melhor do que uma versão pura, com somente PBr8 ou PBr9. Procure usá-lo misturado com outras cores ou de forma fina, nunca em empastes altos.

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  25. Hoje fui em uma loja aqui na minha região comprar algumas telas... e me deparei com uma surpresa, a acrilex agora esta colocando várias informações sobre os pigmentos, inclusive o nome quimico...

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  26. Caro Ray, obrigado por nos informar, não sabia dessa novidade! Essa é uma OBRIGAÇÃO de qualquer fabricante sério! Até que enfim! Temos agora a Corfix e a Acrilex... falta a Águia e a Gato Preto fazerem o mesmo!!! Grande abraço e obrigado pelo toque!!!

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  27. Olá! eu tenho uma pequena dúvida? Posso pintar minhas telas com tintas à óleo,com a data de validade vencida?pois passei um bom tempo sem pintar, tenho tubos de tinta que nem cheguei à usá las.

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  28. Caro Edmilton, não há problema algum. As tintas só devem ser descartadas quando o tubo endurece. Caso elas ainda estejam macias, saindo normalmente do tubo, estarão boas para uso! Grande abraço!

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