segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Quantidade de Medium

Desde que começei o Cozinha da Pintura, tenho recebido muitos e-mails de artistas em diferentes pontos do território nacional. Sempre recebo diversas perguntas, mas uma em particular é a mais frequente. O mais interessante não é sua frequência, mas a surpresa dos artistas com minha resposta. Foi quando percebi que o assunto não é muito claro a muitos pintores. Esse post foi feito com o exclusivo intuito de responder detalhadamente essa pergunta, atendendo a pedidos:

Já vimos alguns
mediums populares num post anterior. Sabemos que cada medium possui uma função específica, vimos as finalidades e efeitos que eles exercem sobre a tinta, mas, qual a quantidade ideal de medium a ser usada e como se mede isso?

Saúde da P
elícula
É essencial lembrarmos que existe uma proporção ideal entre pigmento e veículo, e que essa proporção deve ser sempre balanceada. A tinta de boa qualidade já vem das fabricas (ou pelo menos deveria) com proporções ideiais de pigmento e veículo (óleo) suficientes para garantir uma "liga" flexível entre os dois componentes. Essa proporção é calculada com o intuito de que o filme ou película seja saudável depois de seco: isto é, o veículo deve envolver adequadamente as partículas de pigmento, formando uma película que não seja totalmente elástica ou totalmente dura (quebradiça).

Proporção Indevida 2:1


Uma pasta (tinta) com quantidade exarcebada de veículo não forma um filme saudável, assim como uma pasta com quantidade pequena de veículo será excessivamente dura e quebradiça. Há a necessidade de um equilíbrio entre as partes. Um filme saudável garante longevidade a obra pois terá elasticidade suficiente para resistir aos movimentos de contração e expansão do suporte. É fato que, a longo prazo, qualquer pintura começa a perder sua elasticidade e torna-se mais suscetível a esses movimentos, daí a importância de uma proporção justa entre veículo e pigmento.


Proporção Indevida 1:1

Acompanhe a lógica: temos uma pasta com proporções ideais de pigmento e veículo, o que chamamos de tinta, mas essa é adulterada pelo dobro de quantidade de outras substâncias (medium). Temos então, uma pasta com quantidade dobrada de veículo, tornando a proporção desequilibrada, agora com pouca quantidade de pigmento. A maior consequência é o amarelamento da película (no caso de um medium rico em óleo), que modificará as cores da pintura e a longo prazo tenderá a escurecer.

Imagine agora, que esse mesmo medium não seja composto apenas de óleo e terebintina (como o medium universal mais usada na pintura) mas rico em resina. Teremos uma pasta com o dobro de quantidade de veículo, composto principalmente de óleo e resina. Dessa vez, além de termos mais óleo na película, temoas grande concentração de resina natural, material que endurece consideravelmente, tornando a película ainda mais suscetível aos movimentos do suporte. A película com quantidade abusiva de resina torna a película mais dura do que de costume, adquirindo maior chance de apresentar craqueluras. 

Não é incomum ver trabalhos onde o medium é a "grande estrela" do procedimento, sendo usado em quantidades abundantes em prol da "expressividade". Isso trará consequências a longo prazo que serão vagarosamente notadas. A "estrela" de qualquer pintura a óleo, deve ser sempre a tinta, e não seus aditivos ou materiais de modificação. Alguns pintores literalmente inundam a paleta com medium, em proporções de 3:1 (três partes de medium, uma parte de tinta) ou até mesmo, os mais contidos, em 1:1 (partes iguais de tinta e medium). Isso acontece particulamente quando desejam obter efeitos de "transparência" em tintas muito opacas. No entanto, veladuras devem ser feitas com TINTAS de pigmentos transparentes, ou, com uma modesta adição de medium que ajude a dar transparência. Uma regra de ouro é lembrar que veladuras devem ser ricas em pigmento e não em medium.

A Regra dos 20%

Para aplicar corretamente qualquer medium em proporções adequadas, há uma regra que deve ser inevitavelmente seguida, caso o artista preocupe-se com a conservação de suas obras. A quantidade máxima não deve ultrapassar a marca de aproximadamente trinta ou vinte por cento de medium.

Para ilustrar melhor essa idéia: Adicione em sua paleta a quantidade de tinta que acha adequada para sua sessão de pintura. Digamos que pretende terminar uma tela já começada, onde somente uma pequena área deverá ser pintada. Voce provavelmente colocará somente uma pequena porção de tinta. Após ter colocado a quantidade que acha ser suficiente para esse trabalho, com a ajuda de uma espátula pequena e delicada, retire do tubo ou frasco de medium uma quantidade
que comparado a sua porção de tinta, seja de aproximadamente vinte, ou no máximo, trinta por cento. Em outras termos de medida, aproximadamente uma parte será tinta, e uma quinta parte é composta apenas de medium (1:5).



Proporção Aceitável de 30%.
Proporção Ideal de 1:5 (20%)


Misture o medium a sua tinta, e tudo estará pronta para sua sessão de pintura. Não é necessário o uso de instrumentos de medição de peso ou quantidade, a não ser que se produza em quantidades enormes, como para grandes murais. Nesse caso, o uso de pequenas tampas pode servir como instrumento de medida e proporção. Não é necessário um montante exagerado de medium para que se possa sentir seus efeitos.

Alguns mediums são mais "arriscados" do que outros. Principalmente aqueles que levam resinas naturais, grandes quantidades de voláteis (terebintina) e secantes poderosos. É interessante que se use uma quantidade ínfima dos mesmos, sempre ficando as margens dessa quantidade. Trinta por cento pode ser uma quantidade razoável aos mediums que levam somente algum tipo de óleo, como o óleo espessado ao sol ou polimerizado, sem presença de voláteis.


A questão é muito clara: qualquer medium surtará efeito visível em qualquer tinta dentro da margem de trinta ou vinte por cento. Qualquer tipo de efeito é possível de ser feito com essas proporções, sem necessidade de recorrer ao exagero. Se o artista acha que as propriedades da tinta a óleo com trinta por cento de medium são insuficientes, e que deve usar uma proporção maior de medium, ele deve então mudar o tipo de tinta e optar pela têmpera, acrílica, gouache, aquarela, encáustica ou outras.

Há diversos artistas que dirão exatamente o contrário: a adição em grande quantidade não altera em nada a conservação da pintura. No entanto, uma simples pesquisa nos sites das grandes instituições norte americanas e européias de restauro e conservação poderá apresentar inúmeras publicações e estudos que mostram o contrário.  Já li artigos e assisti a video aulas de artistas famosos que fazem uso de quantidades inacreditáveis de medium, e que embora sejam artistas talentosos e experientes, claramente ignoram os resultados desses estudos. Só posso concluir que tratam-se de profissionais que não se preocupam com a vida útil de seus trabalhos e preferem sacrificar a durabilidade por uma suposta liberdade expressiva. Um desses artistas possui endorsement (patrocínio) de uma empresa de materiais artísticos interessada em comercializar um desses mediums. Sendo mais claro: esse artista recebe para a venda de um produto, e nesse caso, quanto mais se usa, melhor para os fabricantes. Não se engane: estude, leia e cruze informações.

Num post anterior, comentei que o artista não deve parar no tempo (no sentido de pesquisar sobre os materiais), e deve estar atento as novas descobertas e estudos. Volto a frisar: é necessário que o artista não somente muna-se de informação, mas que a mesma seja SEMPRE atualizada.

BIBLIOGRAFIA
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
GOTTSEGEN, Mark David; The Painter´s Handbook; Watson Guptill; 1993.

35 comentários:

  1. Ate uns 02 anos atrás eu era obcecado por médiuns para veladuras, experimentava sem critério algum todas as fórmulas que descobria, e o pior, em quantidades absurdas! rs, O resultado disto? Boa parte das minhas pinturas realizadas até esse período já apresentam precocemente problemas de conservação, o mais acentuado é o amarelamento excessivo e grande perda de saturação, que suponho ser devido ao uso incorreto de aditivos.
    Hoje restrinjo a utilização de médiums a umas gotas de resina alquidica para o branco de titânio, que acaba por se misturar as outras tintas nas misturas favorecendo a secagem. Quando preciso de mais fluidez na pincelada adiciono um pouco de “médium básico” composto de stand oil, terebintina e um pouco de secante de cobalto.
    Excelente post Marcio! Esse é um assunto de extrema importância para todos que usam a tinta a óleo em seus trabalhos.
    Abç

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  2. Uma curiosidade, que gel medium transparente é esse utilizado no post? Seria Maroger?

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  3. Léo, gostei do novo Avatar! Pois é... isso acontece MESMO. É possível que o amarelamento de suas pinturas sejam causados PRINCIPALMENTE pelo secante em grande quantidade. Não acredito que o óleo em excesso JÁ esteja causando isso, talvez, mais pra frente. Tudo isso fica ainda mais óbvio quando usamos em tintas claras. Sua receita de medium básico está perfeita, contanto que sempre adicione somente 20%, e somente alguns pingos de secante NO FRASCO de medium, e NÃO aos 20% a serem misturados na sua porçõ de tinta. Abraço Léo! Gosto muito quando participa dos posts com seus comentários, é sempre um complemento ao artigo.

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  4. O medium que estou usando na demonstração não é o Maroger, mas quase! Pessoalmente, não uso óleo negro, muito menos misturado a resina Mastíque. Esse medium é o Neo-Megilp da Gamblin, uma variação "moderna" do Maroger, sem resina e óleo negro. A Gamblin não diz quais são os componentes, mas as chances de ser uma mistura de óxido de silicone, óleo alkalí, resina alquídica e octoato de zircônio (ou cobalto) são muito grandes. Normalmente, eu não costumo usá-lo, usei na demonstração pra não gastar meus outros mediums que normalmente uso em minhas pinturas e testes! Obrigado pelos comentários Léo!

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  5. É péssimo para o artista quando o fabricante não revela a composição...

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  6. As leis de copyright e patenteamento americanas dão esse direito a eles. É um mercado competitivo e agressivo. Certamente, os artistas ficam no escuro...

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  7. Olá, Marcio!
    Muito bom esse post!
    Pois é, já experimentei o Neo-Megilp e não gostei.
    A pesar de adicionar à pintura uma “pegada” característica, tem o “velho problema” da secagem extremamente rápida. Alíás, na minha opinião, problema que é típico dos médiuns alquídicos...
    Abraço

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  8. Olá parceiro!
    Obrigado pelo elogio. Muita gente gosta do Neo-Megilp nos EUA. Aqui o pessoal parece não gostar muito. Mas entre o Maroger e o Neo-Megilp, em termos de conservação, é melhor optar pelo segundo. Não uso nenhum dos dois, e só usei ele aqui nessa demonstração pois qualquer medium serviria. A secagem dele é rápida, mas não é nenhum exagero. O Liquin ainda é o campeão nesse departamento, e bem mais grudento. Abraço!

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  9. PS: Gosto muito quando vejo os comentários nos posts. Obrigado Paulo e Leonardo. É a participação de voces que move esse Blog!

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  10. Fala!!! Como voçê sabe eu só uso o óleo polimerizado e quando muito a mistura de secante de cobalto e secante de courtrai, mas com muita parcimônia. (O secante de courtrai está cada vez mais difícil de achar, por quê será?). Fiz recentemente algumas experiências com resinas ( voçê sabe da minha fixação pelos pintores victorianos, em especial os pré- rafaelitas...) mas o resultado me desagradou; é preciso muiiiiito cuidado ao medir as propoções, senão o resultado se torna muito "artificial". Quanto as veladuras o mais seguro " é pouca tinta transparente muito bem espalhada", lembra?

    Abraços.

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  11. O Coutrai não é muito popular no Brasil. Aliás, nem sei por que a Corfix ainda faz, pois quase ninguem usa, e realmente, está cada vez mais difícil de encontrá-lo.

    Sei que a veladura, como disse em mais de um post, deve ser rica em pigmento, não em medium. Mas não me lembro da referência que voce cita. Onde vimos isso?

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  12. O "putty medium" seria uma boa alternativa para adicionar transparencia sem perda de substancias sólidas no filme não?
    Faço testes com carbonato de cálcio + stand oil + linhaça, mas ainda não cheguei a uma conclusão definitiva acerca da aplicação e proporção desse material...
    Para esse tipo de aditivo não haveria necessidade de obedecer a regra dos 20% correto?

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  13. Essa é uma pergunta bem interessante Léo. O Putty, ou a adição de cargas derivadas de calcite junto com óleo não é exatamente um medium. Trata-se de uma mistura muito parecida com a concatenação da própria tinta óleo, portanto, pode se misturar com medidas maiores que os 20%, sem nenhum problema. É um material que naturalmente possui baixa opacidade, portanto confere sim mais transparência. No entanto vale lembrar que quanto maior a quantidade dessa adição na tinta, maior a perda do chroma. Por isso, é sempre bom não exagerar. Diria que 60% é uma quantidade máxima razoável.

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  14. Onde eu encontro esse putty medium aqui no brasil? Valeu pelo ótimo blog!

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  15. Olá Claudio! Obrigado pelo elogio.

    Não há comercialização no Brasil, nenhuma marca nacional produz esse material, e nos EUA também nenhuma das grandes marcas o produz pois não é um material muito divulgado, a única empresa americana que oferece um "derivado" desse material é a Natural Pigments.

    É possível fazê-lo em casa, com uso de derivados de cálcio (calcites) e óleo de linhaça que possua corpo denso. Demora um tempo pra "acertar" a receita, e as vezes é necessário a adição de algum tipo de espessante (existem inúmeros) ou "extenders" que possam dar um corpo mais adequado a mistura, caso contrário, ele pode ficar muito líquido ou "assentar" demais. Não há uma receita padrão para ele, as possibilidades são enormes dentro das diferentes qualidades de calcites e óleos. Portanto, é necessário certa experiência, apesar de ser até razoavelmente simples de fazê-lo. Também é desejável que seja processado com uma "moleta" de vidro de boro-silicato para que atinja uma consistência adequada.

    A Cozinha da Pintura oferece por forma de encomenda alguns materiais históricos e artesanais, feitos com matéria prima importada de primeiríssima linha, aos participantes de seus Workshops. Algumas amostras desses materiais acabam sobrando, portanto, é possível que haja disponível um ou dois tubos extras para o próximo Workshop (12 e 13 de Março). Se realmente tiver interesse, escreva para: cozinhadapintura@gmail.com

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  16. infelismente não dá para participar desses Workshops, pois moro no Rio Grande do Norte. Valeu pela atenção!!

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  17. Cláudio, você não precisa fazer o Workshop. O que quis dizer é que, não costumo produzir os materiais para comercialização em grande quantidade, mas que faço uma quantidade limitada para os Workshops, por isso, posso ter alguns tubos disponíveis para venda pois terei de fazer um novo lote. Se estiver interessado em comprar via correio é só escrever. Mas acho que não terei mais do que dois ou três tubos disponíveis.

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  18. Gostaria de acrescentar um ponto MUITO importante a esse post sobre quantidade de medium: Me deparei diversas vezes com textos de artistas relatando que "pintam com grande quantidade de medium" mas que suas telas estão em "perfeito estado". É necessário lembrar que os efeitos negativos EXPRESSIVOS acontecem a LONGO PRAZO. Isto é: não espere que uma pintura começe a craquelar em 5 ou 10 anos. Em termos de "idade da pintura", 10 anos é considerada como uma pintura "jovem". É esta "demora" no envelhecimento e aparecimento de defeitos que fazem muitos artistas acharem que seus processos não possuem falhas. 40 ou 50 anos é uma idade interessante para COMEÇAR a prestar mais atenção em como uma pintura está envelhecendo.

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  19. A próposito, surgiu uma dúvida...A pintura direta atualmente é iniciada por muitos artistas com a tinta diluída em terebintina de forma que fique praticamente liquida a ponto de escorrer na tela, superando e muto a regra dos 20%, no entanto, a terebentina neste caso não é usada como um medium, ela serve apenar para diluir a tinta na hora de fazer as marcações e iniciar a pintura de forma rápida...A pergunta é, mesmo se tratando de um underpainting, é necessário essa preocupação com a regra dos 20% ainda nesta etapa da pintura?
    Abç

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  20. Léo, seu pensamento é muito lógico e racional. Isso é ótimo. Já vi mais de uma pessoa pintando dessa maneira, e no começo, também cheguei a pintar assim. Teoricamente, sim, diluir com MUITA substância volátil faz as particulas de pigmento "boiarem" numa mistura com pouca liga (terebintina + óleo), enfraquecendo o filme. No entanto, essas partículas vão se assentar no suporte ainda "virgem", se agarrando aos "dentes" do gesso e se instalando em seus poros. A maior parte dessa tinta vai ser também "absorvida" pelo gesso ou ground, portanto, é provável que essa mistura exagerada possa não sofrer muitos danos a longo prazo. Para garantir, as camadas subsequentes devem ter mais óleo, para criar um filme por cima dessa primeira, "prendendo" os pigmentos que estão "soltos" no suporte. Faça um teste: pinte com uma "aguada" de tinta a óleo e terebintina no gesso. Espere três ou mais semanas pra secar. Pressione com o dedo em uma área carregada de tinta. Voce verá que parte dela ficará no seu dedo. Isso é resultado da falta de veículo, embora parte do pigmento esteja grudado ao suporte. Em suma: não é um procedimento a prova de danos. É sabido que na renascença e antes disso, quase nenhum pintor usava substâncias voláteis. Pintaram obras primas somente com óleo e tinta. A terebintina tornou-se EXTREMAMENTE popular somente no século XVIII.

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  21. Léo, esqueci de outro detalhe: quando muito diluído em terebentina, se esperamos uma camada secar, e colocamos uma segunda camada, é bem comum o pincel "retirar" um pouco da primeira camada se esfregamos muito ele sobre a primeira camada. Outra prova que a tinta perdeu a liga.

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  22. Eu supunha que uma camada muito carregada de solvente poderia diluir a subseqüente se aplicada logo em seguida, mesmo que em concentração maior de óleo...havendo assim uma diminuição do poder de aglutinação do óleo...Creio que seja necessário ao menos esperar algum tempo para o solvente evaporar não?

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  23. Eu não tenho absoluta certeza se eNtendi sua pergunta plenamente. O filme SAUDÁVEL de tinta, ou seja, com suas proporções intactas de óleo e pigmento é INSOLÚVEL em Terebintina. Faça um teste: pegue uma pintura alla prima que tenha feito, sem o uso abundandante de qualquer medium e que tenha pelo menos um ou dois meses. Esfregue um pano embebido em Terebintina ou Ecosolv. Camadas mais finas que tenham maior quantidade de pigmento são menos resistentes, mas se houve uso ADEQUADO de medium (menos de 30 ou 20%), provavelmente também será insolúvel. Para remover uma camada de tinta saudável é necessário voláteis mais fortes do que isso, deixados sobre o filme para que amoleça-o, e depois, um lixamento delicado com lixas de desbaste. Não sei se isso responde sua pergunta...

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  24. Rs desculpe, não fui claro! A pergunta é, Se faço uma "aguada"(com terebintina) para iniciar o trabalho, e logo em seguida realizo a pintura alla prima sem medium, não corre o risco dessa camada de baixo "enfraquecer" a de cima por causa da terebentina? Seria necessário esperar essa camada debaixo secar um pouco?

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  25. Entendi. Se voce quiser pintar alla prima, ou seja, se o seu underpainting é uma "mera marcação" para o que vem depois, a próxima camada (rica em óleo) cobrirá a camada anterior e irá "misturar" o pigmento "solto" da camada ainda em secagem, juntando o pigmento ainda molhado ao veículo abundante da segunda camada (alla prima). Um procedimento que irá anular o primeiro. Estará dentro de boa margem de segurança.

    Se voce pintará em camadas usando veladuras, ou seja, se pretende que o underpainting fique parcialmente visível no trabalho final, é altamente recomendável que espere pelo menos algumas semanas para que seu primeiro layer esteja bem seco, pois ele será sua fundação. Colocar uma gota de secante em seu medium pode agilizar o processo. UMA MICRO GOTA já é suficiente.

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  26. Shalom Márcio XD

    Gostaria de saber mas sobre a extração caseira do óleo de linhaça. Depois extração a frio e do óleo ser filtrado, devo adicionar algo a mais para a armazenação...?
    Ou depois da extração ele já pode ser usado no trabalho de Underpaintings...?

    Em breve estarei extraindo óleos de castanha de caju e do pará, para estudar o comportamento delas como medium. Espero compartilhar o resultado com vcs, sendo bom ou ruim rsrsrs

    Grande Abraço...

    Victor Wicht.

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  27. Shalom, Victor!

    A extração caseira é algo raro de se ver hoje em dia Victor. Por ser trabalhoso, quase ninguem faz uso do método. Gostaria muito que pudesse fornecer fotos do seu método de extração. Contate-me em cozinhadapintura@gmail.com

    Depois de filtrar o óleo várias vezes, é interessante que voce decante o óleo por pelo menos três ou quatro meses, numa garrafa reservada num canto do ateliê onde ela não seja tocada durante todo o período de decantação. Após esse período, examine o óleo, sem tocar na garrafa, para averiguar se há diferença de cor entre o fundo e o topo do óleo. Se há diferença, é por que voce necessita de filtros mais "fechados" para as próximas extrações. O óleo deve estar COMPLETAMENTE límpido e cristalino para ser usado.

    Interessantíssima iniciativa em testar os óleos da castanha e do cajú. Estou interessado em acompanhar seu processo.

    Todá, Victor!
    Lehitra’ot!

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  28. Adorei esse post Márcio, e graças a Deus sempre usei até pouco medium... pra falar a verdade nem gosto muito de adicionar medium a tinta ja pronta...mais quando uso nunca passei de mais que 20% em medium...e é bom lembrar que é possivel chegar a uma transparência perfeita na pintura sendo por exemplo "um véu de noiva sobre seus cabelos" usando no maximo 20% de medium , pois trabalho com veladuras e é facil fazer esse efeito com paciência e menas tinta no pincel... do que exagerar de medium para obter transparência... Muito bom esse post, e também queria entender como outros pintores não conseguem as vezes enxergar que usar medium demais para facilitar na pintura é um grande erro...
    eu particularmente gosto de usar um parte de cada no medium, sendo terebentina, óleo de linhaça e óleo de linhaça polimerizado! o q vc acha? Fica na paz um abraço!

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    Respostas
    1. Olá Rafael. A proporção que voce usa em seu medium é bem adequada. Somado ao uso de pouca quantidade em sua porção de tinta, estará muito seguro quanto a conservação de suas obras. Obrigado pela mensagem, um abraço!

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  29. Estou adorando as informações,a acrilex possui um médium em gel o que vocês podem dizer a respeito do mesmo?

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  30. Obrigado pela dica, agora vou mais tranquila para o ateliê iniciar o meu painel quando ficar pronto eu enviarei uma foto para você ver como ficou.

    Um abraço,
    Solange Alves

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  31. Bom dia! Nunca comentei,mas já tem um bom tempo que leio os artigos como base de estudos e pra me esclarecer alguns pontos e sempre encontro informações muito úteis, sanam muitas dúvidas e também surgem muitas,muitas outras. Acho melhor começar a perguntar, hehe... Parabéns pela dedicação aos leitores...abraço

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