segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bases para Painéis de Pintura

As "bases" para pintura servem como camadas isolantes, para evitar que a tinta entre em contato com o tecido ou a madeira do suporte, e algumas vezes, para eliminar a textura do tecido e resultar num suporte liso. Geralmente usam algum derivado de calcite, gesso ou carbonato de cálcio como substância inerte principal e algum veículo que serve para espalhar e envolver os ingredientes inertes, como água, óleo ou algum tipo de cola. Existem muitas receitas diferentes, mas são consideradas variações de um mesmo "conceito". No entanto, ao analisar mais atentamente algumas receitas, notaremos que apresentam diferenças que podem ajudar ou atrapalhar a atividade artística.
















Na imagem acima, é possível ver o resultado de duas pinturas feitas em dois suportes diferentes. Ambos os suportes são painéis de MDF com tecido de linho colado a superfície, no entanto suas "bases" são bem diferentes. A esquerda, base de gesso acrílico industrial, a direita, base de agentes inertes e cola de pele de coelho. Os pigmentos, medium, pincéis e procedimentos técnicos usados foram exatamente os mesmos para ambas pinturas, no entanto, a diferença no resultado é notável. Na verdade, as telas ao vivo mostram as diferenças de maneira ainda mais marcante.

Durante correspondência com o colega e amigo Leonardo Climaco, esse assunto foi levantado, e embora tenha feito algumas pesquisas anteriormente, resolvi relembrar esses procedimentos com ambos materiais e postar aqui um registro dessa experiência. Essa discussão é pertinente para que possamos entender essas diferenças e usá-las a nosso favor. Vamos examinar os dois tipos mais populares de bases: a base "moderna", feita com o gesso acrílico industrial, e a base tradicional, feita através da mistura de cola animal e derivados de calcite. A segunda base possui algumas variações em suas receitas, e é necessário incluí-las no experimento. Todas as receitas incluídas aqui são perfeitamente seguras para a aplicação em painéis de madeira, somente aquelas que levam Gesso Crê devem ser evitadas para aplicações em telas pois são menos flexíveis sobre tecidos.

Diferença nas "Matérias Primas"
É importante lembrar que existem inúmeras fontes diferentes de alvaiade, carbonato de cálcio e cola animal. Os materiais podem variar largamente e apresentar resultados díspares. Como exemplo, o alvaiade: é possível encontrar o produto sendo a base de chumbo, zinco, dióxido de titâneo e até mesmo como "pó de giz". O nome alvaiade parece ser empregado em uma infinidade de substâncias em forma de pó que são usadas para clarear misturas. É possível que o artista, ao encontrar o material, não ache em seu rótulo nenhum tipo de indicação sobre a natureza química do produto, e dessa maneira, não tenha como saber qual sua real estrutura física/química. No entanto, qualquer um desses materiais irão nos servir. Só é necessário lembrar que: só é possível alcançar as mesmas características apresentadas aqui ao usar os MESMOS materiais empregados em nossos experimentos.

O carbonato de cálcio não costuma apresentar grandes mudanças de acordo com sua procedência, alguns se comportam de maneira um pouco diferente, absorvendo menos ou mais o veículo. O mesmo pode ser dito sobre o Gesso Crê, que costuma apresentar somente variações de cor e tamanho dos grânulos. As colas animais são os produtos comentados aqui que mais diferem um dos outros. Devido a sua natureza animal tendem a mostrar diferença na cor, peso, densidade, aderência, cheiro e em quaisquer outras características. Portanto, é válido lembrar que mesmo reproduzindo um processo através de uma receita, os produtos potencialmente podem ser bem diferentes e assim apresentar resultados díspares, a não ser que se adquira materiais com a mesma procedência.

Pequenas variações não propositais no Procedimento
Uma simples mudança no procedimento, como acrescentar a cola em temperatura levemente diferente, variar o tempo usado para misturar os agentes inertes na cola e outras ações que possam passar por despercebido podem alterar o resultado de algumas das características do suporte como tempo de secagem, aderência, cor, etc. Portanto, é preciso observar e registrar os procedimentos com muita atenção e tentar entender as diferenças que causam essas mudanças.

1. Base Moderna (Gesso Acrílico)

O tempo de secagem é algo entre 25 a 50 minutos (dependendo da umidade relativa do ar e temeperatura, assim como quantidade ou grossura da camada aplicada). É necessário de 5 a 8 demãos (finas) aplicadas com uma trincha larga para cobrir a textura do tecido comumente encontrada nas telas brasileiras. As telas importadas, geralmente de linho, que apresentam tramas mais fechadas, apresentam resultados mais lisos com somente 2 ou 3 camadas, dando menos trabalho. Necessário esperar que cada camada seque completamente para que as próximas sejam aplicadas. 

O gesso acrílico é denso e tende a deixar marcas de pinceladas, portanto, a adição de um pouco de água é fundamental para tornar a mistura mais líquida e garantir que o gesso nivele, desaparecendo com os sulcos deixados pelas cerdas da trincha. Lixar as camadas entre demãos é infrutífero, pois o polímero acrílico do gesso exerce resistência considerável. Caso o lixamento seja desejado, para tornar o processo possível, o melhor é borrifar um pouco de água sobre a superfície com um atomizador. A superfície final, quando seca, é extremamente lisa e de um branco frio. A película resultante de uma demão é muito elástica e resistente. É a base ideal para telas, por ser mais elástica do que a base tradicional de gesso crê, mas pode (e deve) ser usado em telas. A base de gesso acrílico é menos absorvente do que a base tradicional (2) é mais absorvente do que a base tradicional com óleo (3).

2. Base Tradicional Absorvente 
1 parte Cola de Pele de Coelho
1 parte Alvaiade (ou Branco de Titâneo)
1 parte Gesso Crê

A base tradicional demora mais a secar do que o gesso acrílico, em torno de 3 ou 4 horas (dependendo da quantidade usada e da temperatura ambiente). As marcas das cerdas do pincel usado são nivelas mais rapidamente do que o gesso acrílico, resultando numa superfície um pouco mais regular, o que ajuda um pouco quando necessário lixar o suporte, mas não é um atributo expressivo. Foi necessário pelo menos 3 demãos (finas) para cobrir o tecido de modo a não mostrar sua textura e adquirir um acabamento liso. Lixar é muito mais fácil do que o gesso acrílico, principalmente quando usamos lixas grossas para desbaste. A superfície final, quando seca, é amarelada. A película resultante de uma demão parece ser menos elástica e levemente mais porosa do que o gesso acrílico.

Nenhum dos painéis apresentou craqueluras ou micro craqueluras após várias demãos de base e lixamento, resultando em superfícies extremamente lisas e perfeitas.

Diferença Expressiva
A diferença mais notável surgiu quando ambos painéis alcançaram seu principal objetivo: usados como suporte para uma pintura. O painel de gesso acrílico resultou numa pintura onde a tinta oleosa (têmpera grassa) reteu completamente seu brilho e viscosidade, mostrando claramente os sulcos deixados pelo acumulo de tinta nas bordas do pincel. Naturalmente, trata-se aqui, de um resultado que aponta um suporte não-absorvente. Foi necessário mais que o dobro de demãos do que o painel feito com a base de cola animal, significando mais gasto com o material e o dobro de tempo para lixar. O painel feito com a base tradicional com cola animal resultou numa pintura onde a tinta oleosa (têmpera grassa) perdeu completamente seu brilho, tornando-se completamente opaca. Nenhum dos sulcos encontrados no outro suporte (1) foram encontrados, a pintura ficou totalmente lisa. As cores "afundaram" no suporte (sink in), resultando numa pintura muito opaca. Esse suporte é bem absorvente.

Na esperança de alcançar uma variação não-absorvente do método de base com cola animal, testamos uma receita que leva óleo de linhaça: 


3. Base Tradicional Semi-Absorvente

1 parte Cola de Pele de Coelho
1 parte Óleo de Linhaça Refinado (Alkalí)
1 parte Alvaiade (ou Branco de Titâneo)
1 parte Gesso Crê

A base tradicional com óleo de linhaça é a que mais demorou a secar, em torno de 26 horas para secagem superficial (ao toque). A adição do óleo tornou a ação mecânica de misturar os ingredientes consideravelmente mais demorada e cansativa. Tornando o tempo total de fatura como o mais demorado, devido a soma do tempo total de secagem entre as três camadas (aproximadamente 26 hrs X 3). As marcas das cerdas do pincel (quando se passa a base) foram completamente niveladas, resultando no melhor resultado em termos de regularidade na superfície pré-lixamento. Lixar é mais fácil do que o gesso acrílico (1), mas oferece mais resistência do que a outra base tradicional (2). A superfície final, quando seca, é de um amarelo levemente mais escuro do que a primeira base (2). A película resultante de uma demão parece ser menos elástica e levemente mais porosa do que o gesso acrílico, embora testes mais precisos deveriam ser usados para confirmar com precisão. A pintura resultante reteu consideravelmente seu brilho e sua viscosidade, conferindo a esse suporte a condição de "semi-absorvente".

Considerações Finais
Não seria correto classificar os diferentes atributos absorvente ou não-absorventes como desejável ou não desejável. Essa é uma questão de preferência de cada artista, e para certos efeitos finais numa pintura, cada um possui sua função. A grande vantagem da base com cola animal é a menor quantidade de material usado e a menor quantidade de demãos que devem ser lixadas, assim como maior facilidade na ação de lixar.

Opção Semi-absorvente
Para aqueles que preferem um suporte semi-absorvente, é necessário que se use a receita número 2 ( base tradicional de cola animal). Para torná-la um pouco menos absorvente, dê uma última fina demão de gesso acrílico, desta forma, aproveitando a facilidade de lixamento nas primeiras camadas e alcançando menor absorção na última camada, através do isolamento com o gesso acrílico industrial na superfície do suporte, uma vez que a mesma já esteja lisa e acabada. Se você precisa de um procedimento prático e rápido, faça uso exclusivo do gesso acrílico, pois as receitas de base clássica que levam gesso crê e cola animal precisam de paciência e tempo.

Opção Absorvente e Não-absorvente
Para aqueles que preferem um suporte absorvente, a receita 2 oferece um suporte inigualável. A receita 3 (base tradicional com cola animal e óleo de linhaça) é a menos prática mas que oferece uma superfície muito lisa e pouco absorvente, dependendo da quantidade de óleo usada, pode chegar a uma superfície "não-absorvente". Sua fatura é uma das mais dispendiosas, em todos os sentidos, e provavelmente é possível alcançar o mesmo grau de pouca absorção com uma demão final e generosa de tinta a óleo como o lead white (branco de chumbo) ou branco de titâneo nos suportes que foram preparados sem óleo de linhaça.

É provavel que a tinta acrílica também possa apresentar resultados bons a longo prazo, além de oferecer secagem mais rápida do que a tinta a óleo, embora muitos artistas recusem misturar materiais tradicionais com outros modernos e apesar das dúvidas quanto uma aderência adequada do óleo sobre acrílico, embora ninguem tenha apresentado nenhum tipo de estudo sobre isso. Em posts futuros é possível que faça outras avaliações de diferentes bases, como por exemplo, as mais indicadas para telas e tecidos.


60 comentários:

  1. Oi Márcio!

    Excelente post... como sempre! Com essas informações posso fazer minhas experiências e observar os resultados!

    Obrigada, mais uma vez!

    Abs

    Luciana

    ResponderExcluir
  2. Ótimo Luciana! Espero que se divirta com as experiências! Abraço!

    ResponderExcluir
  3. Marcio, eu achava q o gesso acrilico fosse uma opçao absorvente.... mas pelo visto nao é né? tem alguma receita mais absorvente com cola industrial? abs

    ResponderExcluir
  4. O gesso acrílico é pouco absorvente, ele isola consideravelmente, mas também não é todo isolante... se voce der uma mão de tinta óleo branca por cima do gesso, aí sim terá um suporte MUITO pouco absorvente. Se voce gosta de suportes muito absorventes, o ideal são várias demãos (3 ou 4) de uma base tradicional de gesso crê + cola animal + agente branqueador (tit/chumbo/alvaiade). É tão absorvente que as demãos de tinta ficam totalmente opacas. Abraço!

    ResponderExcluir
  5. eu sei q parece ser uma pergunta obvia, mas... qual a funçao do agente branqueador? rsrs... é só dar a cor branca mesmo ou tem alguma outra funçao especifica? daria pra eu usar só o gesso cre mais a cola animal e depois dar uma imprimatura a oleo mesmo??? e gesso cre mais cola industrial é possivel? abs

    ResponderExcluir
  6. Cola industrial, do tipo PVA não dá pra usar. Quem sabe uma emulsão acrílica... mas se for pra fazer isso, use logo o gesso acrílico pronto, pra não ter que re-inventar a roda... O agente branqueador é exatamente isso. Serve pra deixar mais branco, e mais nada. Dá pra fazer sem o agente branqueador, sem problemas, só que a base ficará com a cor do gesso crê... um bege bem claro. A imprimatura a óleo por cima dessa base, sem branqueador também funciona. Abraço!

    ResponderExcluir
  7. entao Marcio, eu nao tenho noçao nenhuma de quantidade... quantas gramas da cola ainda em pedaços eu precisaria pra uma tela de mais ou menos 80x60? e no caso do agente branqueador se eu optar pelo branco de titanio a medida tbm é de uma parte igual? abs

    ResponderExcluir
  8. O melhor é fazer a cola primeiro, como disse no post, considerar uma parte de cola PRONTA, mais uma parte de cada outro ingrediente. Uma parte igual para cada um. Acredito que para uma tela de 80 X 60, 60 gramas sejam suficientes. Isso se voce não for usá-la para isolar a tela, e somente para fazer a base. Abraço.

    ResponderExcluir
  9. Caro Márcio, parabéns pelo ótimo conteúdo do blog, principalmente por tentar adaptar procedimentos e técnicas à nossa realidade aqui no Brasil.

    tenho uma dúvida quanto a um produto chamado RHOPLEX B-60A (antigo primal) é uma resina vinilica de alto poder aderente. tive contato com este produto nas aulas de restauro e cheguei a usá-lo tanto como selante antes da base de preparação
    (no caso pintura em tela) e até mesmo como base pintando diretamente sobre ele com óleo. Muitos me disseram que eu não deveria usá-lo pois não se sabe o que vai dar, porém creio que como selante ele é perfeito e rende muito, mas muito mesmo apesar de seu preço estar em torno de 100/L.
    abraços, mike
    Você já teve contato com este produto ou conhece alguém que já o fez?
    Nota: nas telas que usei, passados 4 anos não notei nenhuma mudança.

    rende

    ResponderExcluir
  10. Olá Mike! Obrigado pelas palavras!

    O Rhoplex B-60A é uma emulsão acrílica a base de água, muito usado na indústria de papeis, para dar acabamento acetinado e também para outras superfícies não necessariamente moles.

    O problema do material é o mesmo que todos os polímeros acrílicos: Na teoria, parece ser perfeito, mas enquanto não existirem estudos que mostrem quão duradouro é o produto, tudo fica na teoria. A priori, me parece ser muito seguro, mas dar garantia total, a longo prazo, é complicado.

    Acredito que seja um material tão seguro para o uso em telas quanto qualquer outro polímero acrílico sem acidez e de PH Neutro. Só não tenho certeza quanto a suas propriedades de endurecimento com o tempo. Pessoalmente, não usaria em telas, talvez em painéis... mas os níveis de paranóia quanto aos materiais sempre diferem...

    Um abraço!

    ResponderExcluir
  11. Valeu pela dica márcio,

    o que mais atraiu neste produto foi a textura final,prefiro telas muito ásperas parecendo uma lixa daquelas de madeira,além é claro de sua praticidade, mas precisava de uma opinião isenta,

    meus colegas e professores são conservadores em excesso, por vezes se apegando em procedimentos que não têm menor comprovação apenas baseados num hábito ou costume.

    de qualquer maneira vou fazer algumas telas com esse produto e deixar de lado só para teste. daqui a uns 50 anos se vc ainda tiver o blog eu escrevo ou peço para meu bisneto escrever, dizendo no que deu,ok?

    abraços e parabéns novamente pelas preciosas informações que vc compartilha com todos!

    ResponderExcluir
  12. Mike, estarei esperando pelos teste então! KKKKKKKK... pedirei para meu bisneto recebê-los! Um abração!

    ResponderExcluir
  13. Olá Marcio, procurando pelo gesso cre, o que encontrei no comércio foi o que chamam de gesso de secagem lenta, acredito que sejam o mesmo, correto ?

    ResponderExcluir
  14. Caro Marcos,

    Essa é uma boa pergunta! Conheço muito bem os materiais artísticos, mas não sou um grande conhecedor das inúmeras variantes de gessos. Tive a experiência (ainda nos tempos de faculdade) com o gesso tradicional, fazendo esculturas e moldes. Sei que o mesmo seca BEM mais rápido que o gesso crê. Além disso, o gesso crê tem as seguintes diferenças: é muito mais macio, mais "fino" e possui quase sempre uma cor mais amarelada do que o gesso tradicional que é completamente branco. Portanto, não sei lhe dizer se o gesso de "secagem lenta" é exatamente o MESMO que o gesso crê. O que posso lhe afirmar são essas diferenças entre o tradicional e o crê, como as descrevi acima. Em seu lugar, eu compraria uma quantidade pequena e faria um teste. Escreva-nos para contar o resultado. Grande abraço!

    ResponderExcluir
  15. Caro Marcio,
    Fiz exatamente o que você sugeriu, comprei uma pequena quantidade do gesso de secagem lenta para teste, a base ficou espessa demais resultando em muitas estrias sem nenhum nivelamento causadas pelas cerdas da trincha.
    Depois de umas 3 horas ou menos, a base restante que poderia ser usada para uma segunda demão já tinha se tornado uma borracha, ou seja, não é o mesmo gesso como eu pensei.Abraço!

    ResponderExcluir
  16. Caro Marcos, eu não tinha completa certeza quanto a isso, nunca tendo ouvido a denominação "gesso de secagem lenta" como nome alternativo para o gesso crê. Ainda bem que comprou somente um pouco para o teste. Peça via correio o gesso crê na Casa do Artista ou na Pintar... ambos entregam em todo o Brasil. Um forte abraço!

    ResponderExcluir
  17. Olá, Márcio! Desculpe. Eu estava equivocado. A Pintar tem gesso crê a cola de pele de coelho. A Usina Jaraguá (Belenzinho, SP) vende o alvaiade. Vou adquiri-los e tentar a receita tradicional. Estou querendo uma textura fosca para o óleo. Espero conseguir com essa indicação. Abraço! Obg.

    ResponderExcluir
  18. Excelente, mas creio que o certo é reteve, pois conjuga-se como o verbo ter. Abs, Luiz Carlos

    ResponderExcluir
  19. Luiz Carlos, agradeço se voce me apontar no texto onde está o erro, sssim poderei mudar. Procurei mas não consegui achar. Aliás, esse é um serviço que gosto muito que os leitores façam. Meu português está longe de ser perfeito e muitas vezes os artigos não são revisados antes de ir para o ar. Obrigado Luiz!!!

    ResponderExcluir
  20. Olá Márcio! Seria bom usarmos algum fungicida na parte de trás do tecido da tela que recebeu a base?

    ResponderExcluir
  21. Caro Ricardo, sim, é sempre bom, para evitar eventuais problemas a longo prazo. Abraço!

    ResponderExcluir
  22. Desculpa-me enviar as perguntas assim picadas... Mas, uma mão de gesso acrílico na parte de trás do tecido também pode ser uma opção para resolver o problema com os fungos? Grande abraço!

    ResponderExcluir
  23. Olá, Márcio! Estou interessado na receita 2. Gostaria de saber se vc conhece alguém que a venda? Obrigado pela atenção! Ab.

    ResponderExcluir
  24. Olá Luis. A base tradicional é comumente feita no ateliê pelo artista. Não há comercio dessa base, pronta, pois o produto (cola animal) é altamente perecível depois que foi misturada a água. O procedimento normal é comprar esses produtos separadamente e fazer a base na hora, para ser usada ainda fresca. Grande abraço!

    ResponderExcluir
  25. Olá Marcio! Em primeiro lugar, parabéns pelo incrível trabalho com o Cozinha da Pintura! Gostaria de tirar uma dúvida em relação à base tradicional absorvente. Alguns autores recomendam essa base mais para têmpera do que para a pintura a óleo, pois afirmam que, por ser muito absorvente, ela impede que seja formada a película de proteção do óleo e que ainda há o risco de fazer o gesso amarelar. O Ralph Mayer aconselha a passar uma fina demão de cola de pele de coelho sobre o gesso já seco. Fiquei na dúvida, pois minhas pinturas estão bastante opacas e fiquei com receio de que isso enfraqueça a sua resistência. Particularmente, gosto do efeito, mas gostaria de saber se há realmente problema no fato de ser uma base muito absorvente, e também se você recomenda a camada de pele de coelho por cima do gesso (para deixá-lo menos absorvente). Muitíssimo obrigada pela atenção!!

    ResponderExcluir
  26. Olá Anônimo. Obrigado pelo comentário generoso. Realmente, uma base muito absorvente é mais arriscada do que uma semi-absorvente. Tudo na pintura deve ser usado com parcimônia. Uma demão de cola por cima da base, já seca, impedirá que a mesma absorva tanto e pode tranquilamente ser empregada. Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  27. Márcio, muito obrigada pela rápida e gentil resposta! Essa dúvida estava me atormentando, mesmo após várias pesquisas, e agora me sinto mais confiante para empregar a cola de pele de coelho sobre o gesso. Se for possível, gostaria de fazer mais uma pergunta: em relação às telas que já estão com a tinta muito absorvida, fico com receio de estarem muito fragilizadas. Existe algum meio de "hidratá-las"? Por exemplo, passando óleo de linhaça puro por cima da tinta já seca? Muito obrigada pela atenção e abraços!

    ResponderExcluir
  28. Anônimo, o processo de esfregar um pouco de óleo por cima é muito usado. Mas temo que a solução seja somente superficial. Ainda assim, é melhor do que não empregar nenhuma outra... Grande abraço!

    ResponderExcluir
  29. Obrigada Marcio! É muito generoso da sua parte dividir seu conhecimento e se dispor a responder perguntas. Tem minha gratidão. Abraços!

    ResponderExcluir
  30. olá Marcio parabéns pelo artigo, muito bom e esclarecedor deixa ver se eu entendi, no caso de eu preparar o suporte com gesso acrilico e o suporte ainda estiver muito absorvente posso passar uma demão de branco de titanio e depois dessa camada seca posso desenhar e pintar?

    ResponderExcluir
  31. Esses métodos também funcionam com pinturas em tinta acrílica?

    ResponderExcluir
  32. Funcionam, mas somente uma mão de gesso acrílico é suficiente como base para pintura acrílica. A problemática dos suportes para óleo é evitar que o óleo chegue ao tecido, logo, não há essa preocupação com a acrílica.

    ResponderExcluir
  33. Boa noite Márcio! Parabéns pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo e por compartilhar seu conhecimento com todos.
    Estou preparando uma tela e gostaria de perguntar se há algum erro eu meu procedimento, pois estou fazendo um pouco diferente do que propôs acima e não sei se causará algum dano futuro ao meu trabalho.
    Segue:
    Comprei o tecido de linho e o lavei em água quente até sair a goma. Depois de seco eu o estiquei em um bastidor e dei duas mãos de cola.
    Depois vou soltá-lo do bastidor e o esticarei no chassi definitivo. Feito isto darei duas mãos “ralas” de imprimação.
    Na encolagem usei a proporção de 1/11 (cola de coelho/água filtrada). Para cada 100 ml de cola pronta eu coloquei uma gota de Biocida (MBC-120 da Mahler).
    Na imprimação eu usarei óxido de zinco e carbonato de cálcio. Em vez de usar uma parte para cada ingrediente estou pensando em usar menos carga e mais cola, pois assim ficará mais rala e terá menos chance de rachar.
    O que acha?
    Desde já muito obrigado!

    Marcos

    ResponderExcluir
  34. Caro Marcos, obrigado pelas palavras. O procedimento que narrou parece racional e confiável. Só faria uma variante diferente. Trocaria o óxido de zinco por óxido de titânio. De alguns anos para cá, cada vez mais especialistas parecem concordar com a teoria de que o óxido de zinco é um pigmento instável, formando um filme duro e quebradiço demais para qualquer suporte. Coloque no lugar, o branco de titânio, mais confiável. Uma outra resolução seria usar SOMENTE o carbonato, a única diferença, nesse caso, seria que a base será muito mais transparente. Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  35. Boa tarde Márcio! Muito obrigado pela resposta!
    Eu consegui o óxido de Zinco e Carbonato de Cálcio em uma renomada casa de materiais químicos do Rio de Janeiro. Onde você acha melhor eu conseguir o branco de titânio? Você tem alguma marca de preferência?
    Pensei em comprar daqueles potinhos da Sennelier, só que são caros e vem muito pouco...
    De qualquer forma, estou disposto a investir em um material de qualidade.
    Grande abraço

    Marcos

    ResponderExcluir
  36. Marcos, eu não faço idéia de onde encontre no Rio. Aqui em SP já comprei por kilo em vários lugares, o endereço mais confiável que posso te passar é na Casa Americana (www.casaamericana.com.br), sai bem mais barato do que comprar pigmentos artísticos. Veja se eles enviam para voce via correio, pois não se trata de um produto químico tóxico, corrosivo ou inflamável. De qualquer forma, se voce encontrar aí no Rio, que não seja de marcas de produtos artísticos importados, veja se é chinês ou se é feito pela Dupont, o segundo costuma ser melhor e um pouco mais caro. Se eles "não souberem informar", é bem possível que seja chinês, mas pode comprar, pois a diferença não é grande. Grande abraço!

    ResponderExcluir
  37. Marcos, também é possível que encontre o titânio na mesma loja que comprou o zinco, dê uma olhada antes de pedir daqui de SP. Abraço!

    ResponderExcluir
  38. Obrigado!
    Só mais uma pergunta: Nos rótulos do pigmento e do carbonato de cálcio vem sempre uma data de validade e eu acho isso estranho, pois como um pigmento pode "envelhecer"? Daí penso que a indústria deve fazer isso para seguir alguma norma técnica. Estou certo?
    abraços

    Marcos

    ResponderExcluir
  39. Caro Marcos, exatamente. Não há validade para a maioria dos inertes, enquanto estiverem "soltos" e cumprindo sua função química "normal", isto é, acidez, adesão, espessante, liga ou volume.

    ResponderExcluir
  40. Valeu Márcio! Muito obrigado pela paciência e disponibilidade!
    Grande abraço

    Marcos

    ResponderExcluir
  41. Não há por que, Marcos! Boa sorte na empreitada! Grande abraço!

    ResponderExcluir
  42. Demais esse teu trabalho!!!! não vivo sem consultar.

    ResponderExcluir
  43. Obrigado Jesse! Voce nos acompanha a tempos e somos gratos por isso. Forte abraço!

    ResponderExcluir
  44. Márcio, vi na internet uns pintores gringos aplicando uma base composta por óleo de linhaça + calcita + tinta oleo amarelo ocre (para tonalizar). No manual do artista do (RM) não encontrei essa receita. Vc conhece?!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim. É uma receita muito comum desde o período barroco, principalmente nas escolas do norte europeu, como a Holanda e Alemanha. A frança, espanha e Itália usavam receitas com o uso de gesso ao invés da calcita. O manual do artista não tem a pretensão de revelar toda receita histórica, mas sim as receitas mais populares das décadas de 40 - 50. Como as receitas com gesso tornaram-se mais populares, Mayer apresenta bases fazendo uso do gesso, um material amplamente usado nos EUA. Outros livros que procuram receitas mais tradicionais apresentam as receitas com uso de calcita, como o caso de Massey e outros.

      Excluir
    2. Márcio meu amigo! Gostaria de saber se a massa acrílica, a utilizada na construção cívil também seria uma opção para preparar uma base para pintura.... Li no rótulo que a composição é resina acrílica, cargas minerais inertes, bactericida e fungicida (achei isso vantajoso) glicóis e tensoativos... Esses dois últimos não faço idéia do que seja... Mas por ser uma massa de aplicação externa ou em áreas molhadas, penso que sua composição traga benefícios ao suporte... O que vc acha?

      Excluir
    3. Leo, tudo ok? Eu nunca fiz testes com massa acrílica de construção civil. Por exeperiência própria, as tintas feitas para esse mercado nã são duradouras justamente para forçar o material a deteriorar e assim vender mais produtos em curto espaço de tempo. Portanto, eu sempre desconfio dos produtos de construção civil. Mas, é uma questão de testar, nunca se sabe... nos últimos anos, vi um grande avanço por exemplo, das tintas epoxi e alquídicas, entre outros produtos. No caso da massa acrílica, é uma questão da proporção entre inertes e da resina, assim como a qualidade da resina, que muda conforme o produto.

      Excluir
  45. Sim... Outra dúvida... Para a segunda receita, seria possível substituir a cola de pele de coelho pela cola coqueiro?
    Desde já obrigado!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leo, sim é perfeitamente possível, sendo que a maior parte das colas que se dizem feitas com coelho são na verdade colas feitas com proteína animal da industria de gelatina, portanto, é na verdade tutano e cartilagem bovina e suína. A cola coqueiro pode não ser tão elástica quanto a cola de coelho mas é tão forte quanto e extremamente resistente, consistindo num produto realmente muito parecido. Usei a cola de coelho somente uma vez e todas as outras centenas de vezes que preparei cola de proteína foi com a cola coqueiro, sinceramente, não vi muita diferença entre os produtos.

      Excluir
  46. E por fim, (prometo que é a última pergunta rs) existe a cola para papel de parede,cmc (carboxmetilcelulose)
    polímero aniônico derivado da celulose
    produto biodegradável (atóxico, incolor e inodoro ) será que também pode ser um substituto a cola animal?....

    ResponderExcluir
  47. Caro Leo, não é substituto nesse caso. Meus testes com CMC e com colas de polímero aniômico revelam um produto menos viscoso e bem diferente da cola de proteína. Nesse caso, a similaridade está mais para a cola PVC (polivinílica) do que para a cola de proteína. Produto menos durável e elástico do que a cola de proteína e também acredito que menos permanente do que a cola PVA. Não recomendo.

    ResponderExcluir
  48. Muito obrigado pelas respostas meu amigão! Me ajudou MUITO! Como sempre, generoso em compartilhar! :-)
    Forte abraço e cada vez mais sucesso!

    ResponderExcluir
  49. Olá Márcio, tudo bem?

    Recentemente fiz um experimento onde misturei uma porção de gesso cré ao gesso acrílico (30-70). O resultando me pareceu bem agradável para a pintura, deixando a base mais aveludada. Teria algum risco nessa mistura?

    Outra dúvida é sobre a base que usávamos antes de o gesso acrílico se tornar popular, que era feita com Tinta PVA + Cola PVA (ou Cola CMC). Essa base sempre me pareceu frágil, pois no meu entendimento não há um carbonato ou gesso que dê estrutura para a base, mesmo a tinta tendo alguma carga.

    Há algum sentido ainda em usar esta mistura já que temos o gesso acrílico que é produzido especificamente para servir de base?

    Muito obrigado pela atenção e Saúde para todos nós!

    Abraços
    Michel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Michel! Eu não acredito que sua base com 30% de gesso crê e 70% de gesso acrílico possa dar algum problema, sendo que a quantidade de veículo elástico é superior a quantidade de inerte. Mas, é sempre bom examinar a tela de tempos em tempos, observe.

      O gesso acrílico é uma excelente base elástica e no meu entendimento, superior a elasticidade e plasticidade da cola polivinilica, portanto, acho desnecessário fazer uso do PVA quando se tem o gesso crê. A não ser pelo único e exclusivo motivo do artista preferir a PVA por algum motivo processual, como preço.

      Um grande abraço!

      Excluir
    2. Certo! Fiz este experimento pois gosto mais da textura do gesso cré que a do gesso acrílico e desta forma não necessitaria de trabalhar com a cola orgânica.

      Infelizmente, os materiais para arte de um modo geral são caros na mesma proporção que os artistas são pobres rsrsrsr então acho que o pessoal tende a achar soluções mais baratas (e estranhas) para conseguir produzir, aí a qualidade sempre é deixada de lado. Principalmente que hoje temos materiais da construção civil com ótima qualidade que prometem milagres até para os artistas.

      Desta maneira a resina acrílica, seria então um material melhor também para a encolagem que a PVA? Pois há uma receita que aprendi que sugere duas demãos de Cola PVA diluída e duas demãos de gesso acrílico puro (como na embalagem).

      Outra sugere apenas o gesso acrílico, duas demãos diluídas e duas puro. Apenas o gesso acrílico é suficiente (e eficiente) como base de preparação, inclusive para o óleo?

      Abraços e obrigado pela atenção!


      Excluir
    3. A encolagem feita com PVA funciona melhor pois forma uma película lisa e pouco absorvente, diferente do gesso acrílico que é mais absorvente. Por isso o gesso vem depois, por ser um material com inertes ele cobre os poros do tecido, complementando o processo. Há um artigo inteiro aqui sobre como fazer bases, versão tradicional com cola de proteína e versão moderna com PVA e gesso acrílico. Abraço!

      Excluir
  50. Olá Márcio, acompanho o blog a alguns anos, me chamo Filipe Calheira.
    Venho lidando com problemas ligados a mudança de valores escuros após a secagem na tinta óleo (sinking-in). Testei a base semi-absrovente porêm sem grandes resultados.
    O que acho estranho (para não dizer bizarro) é que a perda de valor e brilho (sinking-in) ocorre meio que aleatóriamente, algumas zonas sofrem sinkin-in enquanto outras mantem o brilho e o valor original
    Entretanto consigo observar algum padrão, me parece que a primeira camada de tinta (logo após a imprimatura ou ground) sofre pouco ou nenhum sink, e ao aplicar uma segumda camada o sink acontece, Estou pensando em finalizar toda a zona escura na primeira etapa ou utiliza-lá como trasparencia sobre a imprimatura (o que é muito comum). Ressaltando que esse efeito indesejado só ocorre nos valores escuros.
    Enfim, essa perda de valor e brilho é muito incômoda, ter que fazer ouling-out em cada nova camada e ficar refêm de vernizes, passar telas para clientes com aquele aspecto opaco e etc... Você tem alguma ideia sobre como lidar com isso?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Filipe. Com certeza o suporte não está absorvendo de maneira uniforme, em certas partes absorve mais e em outras menos. É preciso descobrir o que no seu processo de fatura de base precisa ser melhorado. Você tem feito uma encolagem antes de aplicar o gesso? Geralmente a encolagem ajuda muito nesse sentido, pois o gesso é muito absorvente. Tente usar uma encolagem DUPLA. Dê uma boa demão de cola, espere secar totalmente e depois de mais uma demão. Aplique o gesso depois. Faça a base assim e teste essa tela. Espero que dê certo! Grande abraço!

      Excluir

ATENÇÃO: Devido a grande número diário de mensagens, limitamos o número de publicação de perguntas e respostas: sua pergunta poderá não ser publicada. Contamos com sua compreensão, obrigado!