quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Medium de Pintura

O que é medium e sua função
O medium para pintura é uma substância que pode ser formada por vários materiais, com diversos graus de oleosidade e com diversas funções, servindo para alterar o comportamento original da tinta: tempo de secagem, oleosidade, viscosidade, elasticidade, aderência, alterando o modo como a tinta se aloja ou desliza ao suporte, criando efeitos visuais diversos.

Como um complemento a esse artigo, produzi o video abaixo, para que os leitores pudessem ter uma idéia mais precisa do comportamento de alguns mediums apresentados aqui. É um video caseiro, curto e bem básico. A idéia era manter tudo de forma bem simples para aqueles que ainda não tiveram a experiência de manusear esses materiais. Para uma análise bem mais completa, leia o artigo na íntegra.





Solvente como "medium"
É comum encontrar praticantes que consideram a terebintina, ou solvente, como um medium. O solvente, que pode ser a terebintina, sansodor, ecosolv ou diversos outros nomes patenteados é primordialmente usado para diluir a tinta óleo, tornando-a mais "magra" e mais líquida, fazendo com que flua como se fosse uma aquarela, de modo transparente e sem deixar volume. Quando se usa somente o solvente misturado a tinta óleo, temos como consequência muitas marcas de pincéis, e é difícil controlar a tinta de maneira que possa ser obtido transições cromáticas suaves. Obtem-se um tempo menor para trabalhar com o pincel, pois as marcas e rastros feitos com a tinta diluída deixam uma "primeira impressão" que só é removida com um movimento enérgico do pincel de maneira a "esfumar" as marcas que se alojaram na parte "funda" do tecido. Sua segunda função é servir como mistura de outros mediums oleosos para torná-los mais líquidos, ou magros, principalmente aqueles que usam óleos muito espessos ou quantidades grandes de resina. Portanto, o solvente usado sozinho não é exatamente um medium, e seu uso sem adição de outras substâncias possui essa função específica.

Como última dica, não é aconselhado o uso abusivo de solventes misturados a tinta. Quando temos uma maior proporção de solvente do que tinta, o óleo que antes era responsável por envolver e "grudar" o pigmento na superfície perde completamente sua força. Isso quer dizer que as partículas de pigmento podem ficar "soltas" na tela, criando um efeito semelhante a do pastel seco: uma pintura opaca e sem brilho, que se solta e "esfarela" facilmente quando algum tipo de pressão é exercida na supefície da tela. Além de compreender um risco a integridade da pintura, adultera-se as características naturais da tinta óleo.

Pintando sem Solvente
Alguns profissionais alertam sobre os "grandes perigos" dos solventes. Mas a verdade é que usando o bom senso, seu uso é perfeitamente seguro. Sempre mantenha o frasco de solvente bem fechado quando não em uso, e nunca deixe o frasco aberto, próximo a área de trabalho, enquanto estiver pintando. Faça o mesmo com os panos que foram umedicidos com solvente para a limpeza de pincéis: deixe-os fora do ateliê. O ateliê deve estar sempre ventilado, então, abra portas e janelas. É possível adquirir godês com tampas, caso voce use um godê de metal para medium. Procurar meios de não respirar a todo o tempo o solvente é fácil e literalmente evita quaiquer dores de cabeça.

Outra consideração a ser levada a sério: é perfeitamente possível pintar sem o uso do solvente. Já vimos que ele serve para diluir a tinta a óleo ou para deixar mediums densos mais líquidos. Portanto, quando não estiver buscando pinceladas marcadas ou caso seu medium já seja bem liquido, não há necessidade de seu uso. Se voce pinta de maneira direta, isto é, alla prima (sem uso de camadas) dificilmente o solvente (puro) terá alguma finalidade em sua pintura. Para limpeza dos pincéis também não é necessário seu uso, a água morna com sabão pode desempenhar uma limpeza maior e mais segura. É curioso como as pessoas tendem a seguir cegamente, sem nenhuma indagação, o costume de outras. Muitos pintores não necessitam de solvente, mas usam-o pois algum outro pintor o faz. O solvente possui uma função, se essa função não é útil para sua pintura, elimine-o de seu ateliê.

Óleo de Linhaça como "diluente"
Outra prática comumente observadas em ateliês é o uso do óleo de linhaça como "diluente". Alguns pintores desejam que a tinta "flua" com mais facilidade, portanto, acabam usando o óleo de linhaça para adicionar maior fluidez a tinta.

O óleo de linhaça ou qualquer outro óleo não são diluentes. Diluir quer dizer tornar mais fraco, mais ralo, e no caso específico da tinta á óleo, mais "magro". Quer dizer, colocar menos óleo a mistura. Isso torna a adição de óleo de linhaça, com a "falsa função" de diluir, um engano. Diluir é papel dos solventes. A adição de mais óleo a tinta resulta no efeito contrário da diluição: torna a tinta mais "gorda", mais oleosa, e embora ela "flua" com mais facilidade, há nesse caso uma carga exagerada, desbalanceada, na proporção óleo/pigmento.

Adicionar mais óleo a tinta é uma prática comum a aqueles que desejam o efeito contrário da diluição e desejam que as camadas de cima sequem mais devagar (por serem mais oleosas) e as de baixo sequem mais rápido (por serem mais magras), evitando que a pintura rache ou craquele. Mas nesse caso, é uma modesta adição. Essa é a famosa "lei" do "gordo sobre magro" e deve ser sempre seguida quando pintamos em "estágios" ou camadas. Portanto, use somente terebintina, ecosolv ou sansodor para diluir ou "afinar" a tinta.

Mediums "Milagrosos" e Receitas dos "Velhos Mestres"
É sempre interessante ficar atento as publicações mais recentes do campo da restauração e do estudo dos materiais de pintura, pois é somente dessa forma que podemos entender como a ciência tem ajudado os pesquisadores ao fornecer dados empíricos sobre as verdades e mentiras dos materiais de pintura. Alguns professores, artistas e profissionais tendem a se apegar a "verdades" ditas na ápoca em que estudaram. Por isso estudar sempre, é muito importante. O profissional que para de estudar perde a oportunidade de entender as mudanças de opiniões de restauradores, instituições e museus. Estar afinado com pesquisas recentes pode evitar desastres e muita perda de tempo, além de evitar que professores e instrutores de pintura continuem a transmitir dados que ontem eram corretos, mas que hoje, compreendem um equívoco.

Uma rápida pesquisa na Internet resulta em alguns textos alarmantes. Encontrei textos em português que vangloriam receitas de mediums “excelentes”, atribuídos a diferentes escolas antigas da pintura, assim como a alguns artistas em particular. Mas o grande problema é a desatualização dessas informações, que acabam se passando aos olhos do leigo como algo certo e apurado científicamente.

Algumas chegam a ser nocivas para a pintura, beirando o absurdo. Receitas que sugerem a adição de 30% de secante de cobalto no medium. U
ma proporção de secante exageradamente maior do que o recomendado em absolutamente qualquer manual de pintura que li. A adição de tanto secante irá resultar num medium que gruda o pincel em qualquer lugar, e seca tão rápido que seria impossível pintar dessa maneira.

Outro exemplo de desinformação encontrado na web, é uma "receita" para um medium de "natureza morta" atribuído a Caravaggio. N
ovamente, uma quantidade exagerada de resina, resultando num medium grudento, com mobilidade limitada. Outro ponto: nenhum medium fará alguem pintar no estilo Caravaggista. Para pintar num estilo semelhante ao de Caravaggio, deve-se estar atento principalmente a luz e sombra, as cores usadas na paleta do artista e ao uso de técnica indireta, o medium nesse caso, pode não fazer diferença. De fato, pode-se simular seu estilo sem usar medium ou usando qualquer outra receita. A mesma receita sugere o uso de verniz cristal. Mais um ponto: nunca se identificou resina nas obras de Caravaggio, embora isso seja uma possibilidade. Mas, o verniz cristal é um produto moderno, geralmente feito a base de alguma resina sintética. Se Caravaggio tivesse usado resina, seria provavelmente o mastíque, damar, copal ou ambar, todas com comportamentos diferentes do verniz cristal. Essa é uma atribuição claramente infundada. 


As Formulas de Gel Medium
Existem alguns mediums que apresentam forma de gel, receitas baseadas na obra de Jacques Maroger. A pesquisa de Claude Yvel parece ser uma continuação ou extensão da pesquisa anterior, pois os mesmos elementos continuam presentes nas formulações de seu gel. Esses artistas tinham a opinião de que os pintores do renascimento usavam um medium em forma de gel, e várias concatenações dessa receita podem ser encontradas no mercado, a maioria, levando um óleo vegetal cozido (algumas receitas levam linhaça, outras levam nozes) em litargírio associado a alguma resina natural (mastíque). É possível encontrar em inúmeras referências da escola francesa uma certa preferência pelas resinas e pelo óleo negro (óleo cozido em litargírio).


No entanto, há uma outra pesquisa, mais recente, que analisa o uso de mediums da antiguidade de modo diferente. Pessoalmente, partilho dessa segunda opinião, pois  o estudo é calcado em fatos empíricos. Veremos a seguir, trecho de um fabuloso e recente estudo da instituição líder em formar opiniões, a respeitada National Gallery:
O aglutinante usado por Raphael na "Madonna de Ansidei" foi revelado usando a técnica de cromatografia auxiliada pela espectrometria de massa (GC-MS). Isso mostrou que o quadro foi executado com vários pigmentos, usando óleo de nozes.
Um segundo estudo de uma outra obra de Raffaello:
...confirmada a presença do pigmento amarelo de chumbo e identificado como seu aglutinante óleo de nozes aquecido...
Outro estudo, da mesma instituição, dessa vez da obra do artista Francesco Francia.
As análises do aglutinante da tinta (binding medium) mostrou o uso de óleo de nozes aquecido, descoberta perfeitamente condizente a uma obra pintada em 1490 de origem italiana.
Ainda outro estudo, de uma pintura do mestre Veronese, novamente pela National Gallery:
O aglutinante foi identificado como óleo de nozes.
Tanto Raffaello, Francia e Veronese, quanto provavelmente a grande maioria dos pintores italianos faziam uso de formulas muito simples, sem complicações, como o uso de somente um tipo de óleo vegetal (linhaça, nóz, papoula, cártamo). Portanto, isso vai de encontro com as teorias de Yvel e Maroger de que os artistas renascentistas usavam um medium em gel.

Essas receitas atribuídas a escolas antigas são variações de outras idéias de livros ou manuais de pintura escritos em épocas onde não haviam tantos métodos científicos, entre as décadas de 20 e 40. Os especialistas em materiais de pintura dessa época eram artistas obrigados a sustentar suas pesquisas e conclusões baseados naquilo que tinham disponível: o conhecimento adquirido apenas pela observação
in loco de certas pinturas, manuais de pintura antigos, e nunca através de testes científicos de nível químico ou molecular. De fato, alguns desses autores de manuais de pintura fez o melhor trabalho possível para sua época. Mas os restauradores, museus e instituições só começaram a fazer análises químicas precisas após a década de 70. 

Hoje, há a opinião de que mediums muito excêntricos feitos com receitas complexas podem não somente apresentarem riscos a conservação de obras como também podem constituir uma perda de tempo em seu preparo. Isso parte da premissa que quanto mais variantes temos numa equação, maiores são nossas chances de erro, e o mesmo acontece quando tratamos sobre mediums. Com os estudos modernos, cada vez mais chegamos a conclusão que os grandes artistas usavam materiais muito simples. Nada substitui esses procedimentos sem complicações, assim como a habilidade e o talento. Não é necessário muita coisa para se obter um medium eficaz para diversas técnicas de pintura. 

É claro que ainda há a questão do gosto pessoal. Alguns artistas simplesmente gostam de pintar com esses mediums complexos, atribuidos as escolas antigas, mesmo que hoje possamos encontrar fatos empíricos que nos provam o contrário. O uso abusivo desses mediums podem escurecer, craquelar ou descolar do suporte com o tempo, se usamos resina em abundância.

Muitas dessas receitas podem se passar, para aqueles que não tiveram acesso a estudos mais recentes, por miraculosos segredos perdidos, quando de fato, são restos arqueológicos "decifrados" numa época em que a ciência não poderia ajudar muito. Por isso é importante, quando deseja-se descobrir mais sobre o assunto, tentar ler os artigos mais recentes possíveis. Os arquivos da
Molart são excelentes, assim como os boletins da National Gallery, os artigos da Jaic e da AIC Restauration Institute, entre outros. E não para por aí. Artistas do mundo todo possuem páginas espetaculares relacionadas ao estudo dos materiais e seu uso.

Nos textos que encontrei na web percebi que algumas receitas são variações traduzidas de alguns livros populares entre os artistas da década de 50, um deles, escrito por Jacques Maroger, chefe do departamento de restauração do Louvre. Pessoalmente, tenho a opinião de que a França apresenta muito estudos que se embrenharam em caminhos tortuosos e excêntricos na procura dos "segredos perdidos". A publicação de Maroger, grande responsável pelos caminhos tortuosos, possui receitas de mediums amplamente usadas por seus contemporâneos, na esperança de simular os efeitos e a qualidade dos Velhos Mestres. No entanto, sabemos que algumas das pinturas efetuadas a partir dessas receitas não perduraram ao tempo (faça uma pesquisa sobre o estado das pinturas de Sir Joshua Reynolds). Também sabemos que muitas das conclusões feitas por Maroger estavam equivocadas. Essas receitas levam ingredientes que podem amarelar e craquelar a pintura em pouco tempo. Michael Skalka, chefe do Departamento de Restauração da National Gallery of Art de Washington, entre outros estudiosos, comenta:

A pintura a óleo já é suscetivel a tornar-se quebradiça, amarelar, rachar e descascar até mesmo sob as melhores condições. Com a introdução de resinas naturais ela se tornará ainda mais quebradiça, amarela do que tinta óleo pura, promovendo o aumento de rachaduras e descascagem. Secantes metálicos só tornarão pior todas as aflições mencionadas.
Isso pode ser notável quando há o uso em abundância dos mediums gelatinosos como as variações do Megilp, Maroger, e outras concatenações em forma de gel, onde a combinação de uma resina natural (mastique) e secantes metálicos (chumbo) interagem. Pouca adição de somente uma resina natural não é tão alarmante.


Insisto em dizer que não tiro o mérito dos pesquisadores franceses ou de outros como Eastlake, Doerner, Thompson ou Stout, mas quero chamar a atenção para um fato irrefutável: apesar de toda a experiência em pintura desses distintos profissionais, não haviam métodos científicos que pudessem corroborar com suas pesquisas e guiá-los por caminhos que serviriam como um método válido. O único respaldo que tinham, era a aplicação de diversos materiais diferentes, na tentativa de chegar a um efeito visual similar a de certos pintores, e constatar visualmente, se conseguiram chegar perto ou não. A "prova" que apresentavam era baseada em novas pinturas feitas com o intuito de se assemelhar ao estilo dos mesmos. Hoje, através da ciência, com inúmeros testes como a spectrometria, é possível diagnosticar num pedaço de tinta seca quais são os elementos químicos que compõem aquela matéria, e chegar a resultados consideravelmente precisos, e ainda assim, não livre de erros. O que diríamos então de uma época onde até mesmo os microscópios não eram tão evoluídos assim?

Os antigos manuais de pintura são verdadeiros tesouros, leituras extremamente importantes, interessantes e necessárias, mas é sempre pertinente se voltar a ciência moderna em busca de pesquisas no campo químico, físico e molecular, pois somente com a ajuda dessa tecnologia podemos ter uma margem de precisão que possibilita descartar uma série de tentativas inúteis e nos apontar para caminhos verdadeiros.

Portanto, deparando-se com uma receita, faça as seguintes perguntas: Existem estudos científicos sobre esse material? O que eles dizem? Quando foram feitos estes estudos?



Quando um medium se faz necessário
Tendo o artista/pesquisador entendido sobre as opiniões mais recentes da ciência sobre o material em questão, temos novas perguntas: Qual a função desse medium? Ele supre as funções necessárias para alcançar o efeito que procuro?

É importante lembrar que nenhum medium faz milagre ou fará com que alguém pinte melhor. As receitas geralmente possuem (ou pelo menos, deveriam) algum tipo de função específica, portanto, não escolha um medium por sua excentricidade, por parecer interessante ou por que alguém diz que é o medium usado por um grande mestre: primeiramente tente entender qual tipo de solução você precisa para sua pintura, e então procure qual medium é o mais adequado para cumprir essa função. Talvez você descubra que na verdade não precisa de medium nenhum, o que é uma possibilidade, sendo que uma quantidade imensa de artistas pintam somente com tinta e pincel, sem adição de quaisquer outros lubrificantes ou materiais, alcançando resultados excelentes. Na pintura, tudo tem uma função, você só precisa entender quais tipos de efeitos deseja em sua pintura, e quais são as ferramentas necessárias para efetuar esse trabalho.

A Lei dos "20%"
É importante ficar atento a quantidade de medium a ser usado num trabalho. A maioria dos mediuns amarela com o tempo, portanto, é necessário usá-los em pouca quantidade para que isso não aconteça. Além do amarelamento, o seu uso em abundância pode gerar laminamentos, rachaduras, craquelês ou até mesmo pouca aderência. Ao trabalhar com qualquer medium, a regra é de nunca adicionar mais do que 20% a sua porção de tinta. Siga esse procedimento: reserve na paleta a quantidade de tinta que julgar suficiente para sua seção de pintura, em seguida, baseado na quantidade de tinta reservada, adicione o que seria o correspondente a 20% de medium relativo a essa porção. Mantendo essa proporção medium/tinta você estará sempre dentro da margem de segurança.

Primeiramente, vamos analisar alguns mediums que são bem difundidos, e entender quais são suas funções, vantagens e desvantagens. Em posts futuros, vamos analisar outras receitas. Por hora, essas são as mais usadas, comprovadas pelo tempo de uso, com funções suficientes para os principais estilos de pintura .

Nº 1 Medium Universal
2 partes de Óleo de Linhaça
1 parte de Terebintina (ou outro tipo de solvente)

Esse clássico é geralmente o primeiro tipo de mistura com a qual todo pintor tem seu primeiro contato. A mistura de óleo de linhaça e terebintina (ou outro tipo de solvente) é provavelmente o que chamaríamos de medium universal, o mais conhecido. Receitas para essa combinação são encontradas nas mais variadas proporções, a única regra, nesse caso, que não pode ser quebrada é a adição de mais partes de solvente do que de óleo. Muito solvente pode deixar sua tinta com pouco veículo, isto é, menor quantidade da substância que deveria “segurar” e manter o pigmento suspenso, ou “colado” ao suporte (tela). O principal fundamento da mistura é que quanto maior as partes de terebintina, mais “magro” e “líquido” será o medium, e quanto menos solvente, mais “gordo” e “denso” ele será. Imagino que seja muito popular pela sua simplicidade, e por que lubrifica a pincelada fazendo o pincel deslizar mais facilmente quando em contato com a superfície. É interessante notar que alguns pintores que trabalham numa superfície mais lisa (linho coberto por gesso acrílico, ou painel coberto por gesso acrílico) geralmente não sentem necessidade do uso de um medium, enquanto aqueles que pintam com contato direto com o tecido de algodão costumam precisar de algo que “suavize” essa ação, geralmente o caso da grande maioria, sobretudo os novatos. 


Portanto, quando tentamos alcançar um efeito ou um tipo de pintura, devemos lembrar que isso não é somente função de um medium, mas outras variantes podem entrar em jogo. Sempre questionei o motivo da adição da terebintina e por que não somente o uso do óleo. No caso dessa receita, acredito ser uma questão de mobilidade, pois o solvente funciona como um elemento que deixa a mistura mais “líquida”, menos oleosa, conferindo maior facilidade no “arrastar” da mistura. Portanto, é possível eliminar a terebintina da receita caso prefira um medium mais grosso. Também acredito que muitos pintores adicionam a terebintina, em alguns casos, para fazer a mistura “render” mais. Para aqueles que pintam obras de grande porte é necessário adicionar periodicamente um pouco mais de terebintina ao medium pois quando o jarro permanece aberto por muito tempo o solvente evapora rápido, alterando a consistência da receita original.

Nº 2 Medium Suavizante 
1 parte de Óleo de Linhaça
1 parte de Terebintina (ou outro solvente)
1 parte de Óleo de Linhaça Polimerizado ou Espessado ao Sol.

Certamente imaginamos que a maioria dos pintores prefere que o medium promova sempre grande mobilidade ao arrastar o pincel, dando maior fluidez. No entanto, isso nem sempre é verdade. Alguns artistas gostam de uma situação inversa, e sabem tirar proveito da característica “grudenta” de certos mediums. Essa “dificuldade de mobilidade” pode ser desejada a alguns pintores simplesmente pela “sensação” que ela dá enquanto se pinta. O óleo de linhaça espessado ao sol, assim como o óleo de linhaça polimerizado promovem essa maior dificuldade de mobilidade. Quanto maior as partes de quaisquer desses dois óleos no seu medium, maior dificuldade de movimento você terá ao manipular o pincel e ao arrastar a tinta. Mas não é somente esse “grudar” que ambos óleos promovem num medium. Igualmente importante é sua característica de nivelar as pinceladas, fazendo com que os sulcos deixados pelos pêlos do pincel na tinta desapareçam. Esse efeito de “dispersão” também promove uma maior profusão das cores, tornando mais fácil a tarefa de obter degradês e gradações de tons mais suaves e sutis.

Esses dois óleos são altamente úteis para pintores que desejam uma pintura lisa, acadêmica, e aqueles que não desejam efeitos de empaste. Dividir as partes de óleo entre óleo de linhaça e óleo de linhaça polimerizado (ou espessado ao sol) pode aumentar a mobilidade deixando o medium menos grudento, e ainda assim conservar sua funcionalidade niveladora. É importante ter em mente que ambos, quando usados em demasia, costumam secar enrugando totalmente a película que se forma, portanto é aconselhável usá-los em proporções ideais com os pigmentos ou tintas. Entre os óleos que amarelam menos, depois de secos, o óleo polimerizado é o primeiro da lista. O óleo espessado ao sol costuma ser um dos óleos mais claros que se pode encontrar quando ele acaba de ser processado, mas recupera em pouco tempo sua cor amarela, principalmente se for conservado longe da luz. O fenômeno também ocorre quando o óleo ainda não foi usado, dentro de jarros, ou depois que está seco, já misturado com a tinta.

É comum encontrar textos antigos onde o artista aconselha que a tela seja exposta ao sol por alguns minutos caso tenha ficado muito tempo longe da luz, justamente por esse fenômeno. De acordo com minhas experiências, nunca notei um nível preocupante de amarelamento, a não ser em tintas muito claras submetidas a testes de condições extremas, que foram conservados em receptáculos fechados durante muito tempo, com ausência total de luz. Esses mesmos testes retornaram a ter a cor original do pigmento depois de submetidos a claridade abundante, após poucas horas. Para evitar quaisquer problemas futuros, é aconselhável usar o óleo polimerizado para mediuns que serão misturados em tintas claras, e reservar o uso do óleo de sol somente para tintas escuras. A combinação do óleo de linhaça comum e do óleo polimerizado deixam a receita equilibrada, retirando parcialmente as marcas de pincel, suavizando a expressividade das marcas.


Nº 3 Medium para Veladuras 
1 parte de Terebintina (ou outro solvente)
2 partes de Óleo de Linhaça Polimerizado ou Espessado ao Sol.
½ parte de Verniz Damar (ou Verniz Mastíque)

Alguns pintores trabalham em camadas, muitas vezes usando inúmeras veladuras, que constituem-se por finas camadas de tinta sobrepostas. É uma técnica delicada, onde há o risco de uma camada não aderir a anterior, fenômeno que os restauradores americanos denominam “bead up” ou “beading up”: uma situação semelhante é quando um carro é lavado e a água escorre formando gotículas que não se espalham a superfície da pintura, o mesmo ocorre em alguns pisos quando a chuva se acumula em gotículas. Isso acontece pois a superfície se encontra extremamente lisa, como não há poros suficientes para o líquido se alojar nessa superfície. É um fenômeno que não ocorre na pintura alla prima, pois a mesma é feita com quantidades muito maiores de tinta. Uma das funções da resina é a de conferir maior poder de adesão ao medium, contornando esse problema. Existem dezenas de diferentes resinas usadas na pintura. Entre as mais populares, temos a resina Damar e a resina de Mastíque. O verniz Damar é um verniz antigo, amplamente usado em todo o mundo, devido a sua boa transparência e poder de adesão. É feito com a resina natural das árvores da família Dipterocarpaceae, encontrada em várias partes do oeste da Ásia e da índia. 
Resina Damar
De cor levemente amarelada e levemente turvo, não é um produto muito caro, e costuma ser comercializado no Brasil pela marca Acrilex. O verniz de Mastíque, hoje, raramente é encontrado devido a seu alto preço. Só é possível encontrá-lo (no Brasil) em lojas especializadas, e ainda assim, muitas vezes é necessário encomendá-lo. É feito a partir da resina extraída dos caules dos arbustos pistácia ientiscus, exportada principalmente da ilha de Chios, na Grécia, e está na lista das resinas moles (também existem resinas duras) mais nobres usadas na pintura. É praticamente incolor, e é consideravelmente mais elástico do que o verniz Damar, no entanto, todas as resinas ficam quebradiças e amarelam consideravelmente a longo prazo. Portanto, seja lá qual for a resina, recomenda-se usá-las em pequena quantidade, sempre aliadas a substâncias elásticas e flexíveis, como os óleos secantes, e nunca sozinhas. 


Resina Mastíque


Embora a maioria das fontes de informações (a maior parte muito antiga) indiquem que o Mastíque seja superior ao Damar, meus experimentos indicam que, a curto prazo, a diferença de cor entre ambas resinas, depois de secas, é quase imperceptível, principalmente quando usadas em cores escuras. Considero o Mastíque uma resina que só deveria ser usada quando necessário adesão e resistência de mobilidade em abundância, principalmente quando desejamos isso em tintas feitas de pigmentos muito claros, como o Branco de Titâneo, Amarelo Nápoles e o Azul Real. Para promover nessa receita a função adesiva, considero o verniz Damar um ingrediente bem mais econômico e mais do que adequado. A adição da resina acelera levemente o tempo de secagem da tinta. Esse medium é adequado para pinturas em camadas e para efeitos de veladuras.

Nº 4 Medium para Empastes 
1 ½ parte de Cera de Abelha Pura
1 parte de Terebintina (ou outro solvente)
¼ (ou menos) parte de Verniz Damar (ou Verniz Mastíque)

Também conhecido entre os pintores como “pasta de cera”, essa receita pode ser usada pura (misturada a tinta) ou ser adicionada a outras substâncias (veja receita Nº 5). Sua função principal é adicionar volume a tinta, criando uma “massa” que dá maior propriedade “moldável” a ela. É ideal para aqueles que desejam pintar de forma mais solta com empaste, e principalmente para trabalhos que fazem uso das espátulas de pintura ao invés do pincel, sendo possível criar efeitos expressivos muito interessantes. A cera endurece rapidamente, encurtando um pouco o tempo de secagem da pintura. É necessário aquecer levemente em fogo baixo a terebintina, e ir adicionando os pedaços de cera cortados em pequenos pedaços, até dissolvê-los. Com a mistura ainda morna, despeje num recipiente com tampa e deixe esfriar. A resina (verniz) pode ser misturada ao medium depois de frio.

Esse medium cria um brilho fosco quando comparado ao alto brilho resultante dos outros mediums que levam somente óleo ou resina. Esse é um dos poucos mediums que pode fugir a regra dos 20%, sendo possível adicionar até um pouco mais de medium do que tinta, obtendo uma massa extremamente transparente e levemente tonalizada pelo pigmento da tinta óleo. No entanto, é importante ter em mente que o “filme” ou superfície plástica formada pelos óleos vegetais é muito mais elástico do que aquela formada pela pasta de cera, portanto, lembre-se que uma mistura contendo mais óleo (ou tinta) do que cera pode sobreviver melhor ás intempéries. 
Pasta de Cera
A pintura com adição de cera, mesmo após alguns anos, pode ser mais sucestível a temperaturas elevadas do que as pinturas que usam somente tinta a óleo, portanto, é recomendável maior cuidado e atenção com as pinturas que foram feitas com essa técnica. 

Encontrei artistas que chamam a operação do uso dessa pasta com tinta a óleo como “encáustica fria”, embora ache totalmente indevido o emprego desse termo. Apesar da encáustica fazer uso de cera, e de ser possível sua mistura com tinta a óleo, o termo encáustica se refere ao ato de queimar ou derreter com calor o material que será usado para pintar, tornando o termo “encáustica fria” uma contradição ou paradoxo. A adição de pasta de cera é simplesmente o emprego de uma carga inerte a pintura feita com tinta óleo, sendo que nesse caso, tanto o tempo de secagem quanto a natureza das cores provêem principalmente da tinta, e não da carga inerte. Essa mesma pasta também pode ser usada como verniz para acabamento de pinturas, no entanto, desconheço estudos científicos modernos que dêem um parecer mais detalhado sobre como as pinturas á óleo que usaram esse verniz envelheceram, sendo mais comum seu emprego em pinturas de têmpera a ovo. Para usá-la como verniz, basta aplicá-la com um pincel largo em várias camadas, e lustrá-la com um pano limpo e macio depois que estiver perfeitamente seca, esse verniz dá acabamento fosco a pintura.

Nº 5 
Medium “Veneziano” 

½ parte de Óleo de Linhaça
½ parte de Óleo de Linhaça Polimerizado ou Espessado ao Sol.
1 parte de Pasta de Cera
1 ou 1/2 parte de Terebintina (ou outro solvente)

Em muitas célebres fontes de informações sobre pintura, é comum encontrar citações sobre o recorrente uso da cera de abelha como agente inerte no medium da escola veneziana de pintura. Nem todo pintor veneziano fazia uso da cera de abelha, mas parece justo afirmar que essa escola promoveu abundante uso desse material. Esse medium leva uma pequena parte da pasta de cera (receita Nº 4), portanto o efeito de empaste e opacidade da cera é diminuído quando comparado ou uso exclusivo da pasta. Essa pequena quantidade permite alterar sutilmente o resultado expressivo da obra, mas ainda assim, sua principal característica é o modo como sentimos a tinta no pincel, difícil de se explicar, mas ele confere uma sensação mais "aveludada" a pintura, alterando principalmente o modo como “sentimos” o deslizar de tinta no pincel e como a mistura acontece na tela. Esse medium obviamente não fará ninguem pintar como os pintores de Veneza, e pode ser usado em qualquer estilo ou tipo de pintura.

Essa receita figura em algumas fontes confiáveis como o “legítimo medium do séc. 15”, no entanto, não há nenhum registro sobre a veracidade da afirmação, embora seja notório o uso da cera entre os venezianos. Acredito ser possível que uma mistura similar ou próxima fosse perfeitamente possível de ter sido usada por essa escola, desde que as substâncias incluídas aqui eram de fato conhecidas, usadas e muito comuns. O uso desse medium deixa a pintura final levemente mais opaca e é indicado para a pintura plen air, gerando efeitos interessantes para paisagens assim como para a natureza morta, surtindo efeitos soltos e levemente empastados.

BIBLIOGRAFIA
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.
DOERNER; Max; The Materials of the Artist and Their Use in Painting; 1921.
BILLINGE, Rachel. 'Recent Study of Raphael’s Early Paintings in the National Gallery, London, with Infrared Reflectography'. Raphael’s Painting Technique: Working Practices Before Rome. Nardini Editore, 2007.
EASTLAKE; Sir Charles Lock; Methods and Materials of Painting of the Great Schools and Masters; Dover; 1847.

39 comentários:

Paulo Frade disse...

Parabéns! Excelente matéria!
Creio que nós, pintores, deveríamos nos aprofundar muito mais no estudo de técnicas e materiais. Com certeza produziríamos obras mais compensadas quimicamente.
Abraço

Anônimo disse...

Parabéns, matérias como estas deveriam estampar o dia a dia de artistas, pintores e até restauradores de hoje.Aprofundar em pesquisas como estas é no mínimo inspirador. obridada por dividir uma matéria de tal monta.
Abraço

Cozinha da Pintura disse...

Obrigado anônimo. Agradeço os elogios e seu comentário! Abraço!

Tulio Dias disse...

aprendi muito aqui,obrigado, vou adicionar este link a minha pagina de dicas

Cozinha da Pintura disse...

Obrigado Túlio! Fico feliz em ver que as informações são úteis a voce. Estamos a disposição! Um abraço!

Cozinha da Pintura disse...

Gostei muito de suas paisagens Túlio. Parecem ser feitas pelo método indireto, procede? Abraço!

Tulio Dias disse...

procede amigo,mas algumas vezes tambem uso o modo direto,grande abraço

Cozinha da Pintura disse...

Gostaria de colocar uma breve observação a esse artigo. Muitos estudos provam que mediums exóticos e laboriosos são comumente o que deveríamos chamar de "ouro dos tolos".

A idéia basica desse artigo é apresentar mediums básicos, práticos e econômicos que sejam perfeitamente adequados para diversos efeitos e técnicas de pintura para qualquer pintor iniciante ou experiente. Existem inúmeras outras receitas e variações, mas todas as receitas apresentadas aqui podem promover funções muito próximas as de suas variantes mais exóticas. O intuito do artigo é descomplicar e não confundir a cabeça do leitor, assim como desmistificar informações encontradas em fontes duvidosas.

Portanto, sim, o número de outras receitas é praticamente infindável, mas as receitas apresentadas aqui são o bastante para ir longe, sem complicar, gastar uma fortuna e ter basicamente... o mesmo!

Luciana disse...

Esse artigo esclareceu muitos aspectos do uso do medium. Obrigada!

Sou iniciante e estou na fase de teste do material (em outras palavras, estragando telas! rsrsrsr). Usei a mistura de 2 partes de oleo de linhaça para uma de terebintina e notei que a pintura se tornou mais luminosa, em comparação às telas em que usei a terebintina (sim, eu era uma daquelas que usavam exclusivamente a terebintina para diluir a tinta!). Adquiri a resina de damar para preparar o medium para veladuras. Estou aguardando a chegada do material pelos correios, mas gostaria de saber se a resina se dissolve facilmente, se há necessidade de algum procedimento especial para o preparo. Aproveitando a oportunidade, existe aqui no site algum artigo a respeito d preparo de telas com gesso acrílico?

Dese já agradeço e mais uma vez te parabenizo pelo excelente blog!

Abraços,

Luciana

Cozinha da Pintura disse...

Olá novamente Luciana! Os mediums não possuem mistérios. Não é necessário nenhum Doutorado em química para produzir um medium! Existem muitas receitas mirabulantes por aí, mas acredite, os mais simples também funcionam, e até possuem menos contra indicações! Sem sombra de dúvida, usar somente terebentina não é lá nada saudável pra sua pintura! Fico contente que tenha mudado seu hábito!

As resinas moles, como o Mastique e o Damar desmancham facilmente na terebentina. Não use o Ecosolv ou qualquer outro solvente inodoro. Se voce comprou o Damar em pedras, e não líquido, terá que fazer uma "boneca" de pano, com as pedras dentro e deixá-la pendurada sobre a terebentina com somente o fundo da boneca tocando o solvente. Preciso fazer um post sobre como fazer verniz!

O post sobre bases para painéis é esse:
http://www.cozinhadapintura.com/2010/12/diferencas-entre-bases-para-pintura.html

Um abraço!

Luciana disse...

Olá Márcio!

Somente agora vi a tua resposta às minhas questões, desculpe por não ter agradecido antes!!!

Muitíssimo obrigada pelas orientações! Comprei a resina em pedras, portanto vou reparar a tal boneca. rsrsrs

Quanto ao post sobre preparação de paineis muito obrigada pela indicação, vou lê-lo agora!

Abs

Luciana

Cozinha da Pintura disse...

Imagine Luciana! Fazer verniz damar não é nada complicado, voce verá. Abraço!

Cozinha da Pintura disse...

Luciana, voce disse que é iniciante e que está testando materiais. Sugiro que ao invés de usar telas, use papéis cartões bem grossos. Voce pode prepará-los da mesma maneira que disse no post sobre painéis, mas sem o uso da encolagem de tecido. Pegue o papel cartão e faça uma encolagem com cola animal ou PVA, em seguida, use algumas mãos de gesso acrílico. São ÓTIMOS para estudos, e voce não precisará gastar muito. O único problema desse suporte é que ele costuma envergar depois de um tempo. Mas se usá-los somente para estudos, pode ser uma opção prática e econômica. Abraço!

Luciana disse...

Oi Márcio! Excelente dica!!! Uma professora tinha me indicado algo similar, o eucatex. Mas com certeza o uso do papel cartão será muito mais econômico!!! Cola PVA? (desculpe as perguntas tão elementares, mas esse é o meu nível mesmo... elementar!) não tenho cola animal e acho que não encontraria facilmente aqui em João Pessoa... Mais uma vez muito obrigada pela ideia!

Abraços!

Luciana disse...

Márcio, aproveitando a oportunidade, recebi a informação de que seria desaconselhável o uso de um medium com óleo de linhaça na primeira veladura da tela, pq o óleo poderia apodrecer o tecido, especialmente nas telas vendidas em lojas de arte/artesanato que não recebem o tratamento prévio adequado. A pessoa me orientou a fazer a primeira veladura unicamente com terebintina (o que eu já não faço mais, viu? rsrsrsrs) e, a partir da segunda, usar a mistura da terebintina, oleo de linhaça e verniz damar. A informação está correta? Realmente uso telas de qualidade inferior, por conta mesmo do preço e considerando que estou em fase de teste de material...

Um grande abraço!

Cozinha da Pintura disse...

Oi Luciana! O eucatex também é bom para estudos! A cola PVA também serve, preferivelmente com PH neutro. No entanto, a Cola PVA com PH neutro é difícil de encontrar e consideravelmente cara. Para o caso de estudos, use a cola PVA (Cola Branca, Cascorez) comum, mas saiba que a longo prazo não é o melhor dos materiais. Mas deve servir para conservar seus estudos pelo menos por 20 ou 30 anos em boas condições... Abraço.

Cozinha da Pintura disse...

Luciana, na verdade, a encolagem (o ato de passar cola animal ou industrial no tecido), é uma maneira de impedir que o óleo chegue até o tecido. Por cima da encolagem, ainda temos as camadas de gesso acrílico, portanto, se usar a encolagem + o gesso, não terá problemas com a durabilidade do tecido.

É fato que o óleo de linhaça, como todos os óleos vegetais, com o tempo, acaba "atacando" o tecido por causa da acidez do óleo. No entanto, todos os outros óleos possuem essa acidez. A encolagem e o gesso são suficientes para deixar a camada da pintur isolada do tecido.

Luciana disse...

Oi Márcio! Muuito obrigada pela informação! Vou começar ainda hoje minhas aventuras no papel cartão!

Abraços e um ótimo domingo!

tereza disse...

Oi Márcio, gostei muito do seu artigo, mas fiquei com uma dúvida: eu preparei um medium com 1 parte de secante de cobalto e 9 de óleo de linhaça. Essa proporção poderá me trazer algum problema?

Cozinha da Pintura disse...

Tereza, se voce adiciona mais óleo de linhaça a sua tinta, ela demorará mais a secar. Se seu intuito era deixar a tinta mais líquida, use uma combinação de uma parte de óleo de linhaça, duas partes de terebintina e algumas gotas de secante.

Dessa maneira, voce não terá tanto óleo nem secante em seu medium e deixará sua tinta mais líquida e com secagem mais rápida. Um abraço!

tereza disse...

Oi Márcio, a sugestão que voce me deu de fazer médium com linhaça(1) e terebentina(2), infelizmente náo serve para mim porque passo mal com terebentina. Se eu aumentar a quantidade de secante de cobalto, 20% ou 30% e o restante linhaça, haveria algum problema para a minha pintura?Abraços.

Cozinha da Pintura disse...

Recomendo que leia o artigo "Pintando sem Solvente". Não recomendo que use mais do que 5% de secante em seu medium. Abraço.

tereza disse...

Márcio, seu artigo é excelente e me ajudou bastante.Aproveitando a oportunidade, gostaria de saber se tenho que esperar 1 ano após a secagem para aplicar o verniz na tela.O verniz cristal é o aconselhado?Obrigada e abraços.

Cozinha da Pintura disse...

Um ano é o mais indicado. Quanto mais impasto, mais tempo. Obras com grande quantidade de tinta devem esperar até mais do que isso. Obras com finíssimas quantidades de tinta, como pintura em camadas com poucos layers podem ser envernizados após seis meses.

Anônimo disse...

posso cria um medium com a mestura de ole de linhaça e secante cobalto????

Cozinha da Pintura disse...

A resposta está nesse artigo: http://www.cozinhadapintura.com/2011/04/secantes-para-pintura.html

Marcello Uema disse...

Os textos são muito esclarecedores, vou começar a usar o site cozinha da pintura e o blog como referências em meus trabalhos, sou amador ainda e gostaria de saber se têm cursos disponíveis como pintura em tela, moro no bairro de santana, ficaria bem viável para mim, sou aluno do Antonio Maués. Marcello Uema

Cozinha da Pintura disse...

Olá Marcello! Favor entrar em contato no email: cozinhadapintura@gmail.com

Sobre maiores informações do curso de pintura a óleo acesse nosso site: http://www.pinturaitaliana.blogspot.com.br

Grande abraço!

tereza disse...

Marcio, por problema de tempo deixei secar a tinta na tela .Li numa publicação sobre pintura, que a camada de tinta colocada sobre outra camada já seca não consegue aderência.Há algum truque para conseguir essa aderência?

Cozinha da Pintura disse...

Diria que a afirmação correta é que "pode apresentar problemas de aderência", pois nem sempre o fenômeno ocorre. Nessas circunstâncias, use algumas gotas de resina para promover maior adesão.

Anônimo disse...

Boa noite.
Como inicianta me surgiu uma boa duvida quanto ao medio. Existe uma "receita" com oleo de linhaça e secante de cobalto meio a meio, Vejo que tens mencionado um maximo (Ou ideal) de apenas 5% de secante, seria o caso tambem para esta mistura:
95% oleo de linhaça e 5% de secante de cobalto, para fazer a mistura do medio ou seria 5% da mistura na tinta? (Utilizando a receita de medio a 50%) Agradeço sua resposta e parabeniso por esta exelente iniciativa com este blog.

Cozinha da Pintura disse...

Olá Anônimo! Na verdade, em nenhum momento digo que a quantidade de secante deve ser 5%. Em diversos posts digo que a quantidade de medium colocado a uma porção de tinta deve ser de no máximo 20%, e adição de secante a esse medium deve ser apenas algumas gotas. No seu exemplo, o ideal seria 5% de secante NO MEDIUM, e não na porção de tinta, sendo o segundo, muito secante. Um abraço!

Anônimo disse...

Mediums

Sou iniciante. Estou no processo de pesquisa há 3 anos. Já estraguei várias telas. Mas, a pesquisa de hoje valeu a pena. Aprendi muito.

Parabéns pela didática.
Bento

Cozinha da Pintura disse...

Estragar telas e outros materiais é normal Bento. Todos passamos por isso. É errando que se aprende! Grande abraço! Marcio

Leandro M disse...

Por que esperar um ano para envernizar a pintura?

Cozinha da Pintura disse...

Leandro, basicamente, o filme ou película de linóleo formado pela pintura demora muitos meses para oxidar ("secar"). Enquanto a película oxida, ela muda de forma, expande e contrai. O verniz é uma resina vítrea que seca de forma dura e muito rápida. Se a sua camada de linóleo continuar se movendo abaixo da camada dura e seca de verniz, a camada dde cima se rompe, formando rachaduras. A película de linóleo só oxida em contato abundante com o ar, portanto, recomenda-se que se espere de 6 meses a um ano para envernizar. Quanto mais empastado é o trabalho, maior é o tempo de espera para se envernizar. Grande abraço!

Leandro M disse...

É necessário esperar de seis meses a um ano mesmo se a película estiver fina? Grande abraço. Obrigado.

Cozinha da Pintura disse...

Três meses é suficiente, mas somente se a pintura for muito fina (pouca quantidade de tinta).

Yara Mattos disse...

AMEI A MATÉRIA....VOU CORRER PROS LIVROS....ISSO É ESTUDAR MUITO +++

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