Mantendo a Limpeza do Solvente (e das cores)

Esse artigo possui um teor consideravelmente básico. Foi escrito especialmente para nossos alunos iniciantes, mas será útil a qualquer pintor que pretende melhorar seu processo, revendo o modo como faz uso de solventes, melhorando a organização de seus materiais assim como a limpeza de sua paleta e cores. Esse artigo funciona como um complemento ao artigo usando solventes e outros veículos.

As problemáticas e soluções tratadas aqui não são comumente abordados em publicações sobre pintura no Brasil. Apesar de simples e extraordinariamente básico, nem sempre é óbvio ao pintor, mesmo experiente, as implicações desses hábitos e suas soluções. 

1. Uso do Solvente
Já abordamos anteriormente, de forma pormenorizada, sobre os tipos de solventes, assim como seus possíveis modos de uso (link no começo desse artigo). Recomendamos ao leitor, que leia ambos os artigos, ou pelo menos o último.

A seguir, iremos enumerar as funções e modo de uso do solvente, assim como sugerir soluções para mantê-lo mais limpo e sem contaminação.

1.2. Para diluir
A primeira função do solvente é tornar a tinta mais líquida para que ela deslize mais facilmente. Isso é especialmente útil para quando se deseja pintar linhas finas, detalhes ou simplesmente para torná-la mais transparente


Diluindo com Solvente


O uso de solvente é uma solução prática e descomplicada para quem não possui problemas de sensibilidade e é um procedimento usado pela grande maioria dos pintores em todo o mundo. Para quem possui sensiblidade a solventes, é possível considerar outras soluções, abordadas em nosso artigo pintando sem solvente

1.2. Para limpar pincéis durante a pintura
Outra funçao do solvente é a limpeza dos pinceis enquanto muda-se a cor: conforme o pintor segue sua pintira, ele é obrigado a mudar de cor. O grande problema disso, é que e as cores começam a se misturar demais e o pintor acaba por perder o controle do que faz, compremetendo a organização da paleta. 

Quando isso acontece de modo a criar cores que não queriamos em certas áreas da pintura ou quando nossas cores puras mudam de cor em nossa paleta, o pintor é obrigado a parar o processo, limpar todos os materiais, como pincéis, espátulas e paleta e começar tudo novamente. 

Dessa forma, é preciso que o pintor lembre-se de adquirir hábitos de limpar os materiais sempre que se muda de cor. Se o pintor estava fazendo uso de tinta preta mas decide começar a usar as tintas cinzas, é necessário que, antes de pegar os cinzas com seu pincel, apertar as cerdas sujas de preto do pincel numa folha de papel toalha ou num pano para retirar o excesso de tinta. 

Depois, o ideal é limpar o pincel no solvente, para que ele remova totalmente o restante de tinta preta que ainda insiste no pincel, principalmente no miolo das cerdas e dentro do ferrolho. O processo deve ser repetido sempre que se muda de cor, para que toda vez que o pintor recolhe a cor desejada, ela não seja contaminada com a anterior.

1.3. Para limpar pincéis (e outros materiais) após a pintura
Embora a limpeza mais adequada dos pincéis seja feita com água e sabão, o solvente pode ajudar a retirar o excesso de tinta, facilitando o trabalho posterior da água e sabão. Portanto, é comum o uso da terebintina e outros solventes para uma pré-lavagem final dos pincéis quando acaba-se uma sessão de pintura e os pincéis devem ser guardados por algum período de tempo.


Limpeza final com Solvente


2. Solução para Ajudar a Organização
Ao fazer uso de solvente para limpar os pincés durante e depois da sessão pintura, muitos artistas acabam por contaminar seu solvente, deixando o sujo de tinta. Nesse caso, se esse mesmo solvente for usado para diluição, ele contaminará as cores da paleta e todo o processo terá de ser abortado e todos os materiais limpos, o godê contaminado terá de ser esvaziado e limpo, para que uma nova porção de solvente, limpa, seja usada para diluir as cores. Para isso, recomendamos uma solução muito prática, fazendo uso de dois containers para solvente.

2.1. Godê com Solvente
É importante que o artista possua um godê com tampa, para poder fechá-lo em impedir que o solvente evapore quando não está sendo usado. Nesse container especialmente desenhado para conter veículos, deve estar o solvente que será misturado a tinta quando o artista quiser que ela se torne mais líquida. Note que esse solvente será usado somente com este propósito e nenhum outro. Esse solvente não deve ser usado para limpar o pincel em hipótese alguma, ficará exclusivamente a disposição do artista apenas para diluir a tinta.

2.2. Frasco com Solvente
O artista deve separar um frasco de vidro com tampa que será usado durante suas sessões de pintura com pelo menos 100 ml. de solvente com o único e exclusivo objetivo de limpar os pincéis quando o artista precisa mudar de cor. É esperado que, conforme o artista faz uso desse solvente durante a pintura, o mesmo fique sujo devido a todas as vezes que os pinceis forem lavados nele. É sempre uma boa idéia, usar um papel toalha ou um tecido para retirar o excesso de tinta dos pincéis antes de mergulhá-los nesse solvente.

Desta forma, com um godê contendo solvente exclusivamente para adição a tinta e um frasco com solvente exclusivo para limpar os pincéis quando se troca de tinta, tanto os pincéis, o godê com solvente e a paleta sempre permanecerão limpos, sem contaminação.

É importante lembrar que o solvente usado no frasco reservado para a limpeza não precisa ser descartado após a pintura. Ele pode ser usado uma última vez para a lavagem final dos pincéis e depois disso, fechando-o com sua tampa, deve ficar reservado em algum lugar do ateliê no qual não seja tocado, de preferência num lugar fresco e a sombra. 

Os solventes costumam decantar com o tempo, tornando o líquido muito mais limpo do que no dia em que foi usado para limpar os pincéis. Isso quer dizer que todas as partículos de pigmento irão decantar e empossar no fundo do frasco. O tempo para essa decantação pode variar bastante, dependendo do tipo de solvente e do tipo e quantidade de pigmento, variando entre 2 a 15 dias para decantar. Quando o solvente estiver limpo e com todas as particulas no fundo do frasco, é possível transferir o solvente para um frasco limpo e continuar a usar esse mesmo solvente. O processo pode ser repetido.

3. Conclusão
A ação de limpeza dos pincéis cada vez que o artista muda de cor é altamente desejável no processo de pintura, principalmente quando o artista está no começo de sua jornada. A desorganização e contaminação das tintas preparadas na paleta, assim como a contaminação do solvente do godê, sempre tornam o processo mais confuso e frustrante para o iniciante e pode acabar por arruinar a pintura. Torna-se mais fácil manter a organização dos materiais assim como a limpeza do solvente, com a introdução de dois diferentes containers com solvente, que serão usados em momentos distintos do processo de pintura. 

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BIBLIOGRAFIA RESUMIDA
MAYER; Ralph; Manual do Artista; Martins Fontes; 1950; 1957 e 1970.
MOTTA, Edson; SALGADO, Maria; Iniciação a Pintura; Editora Nova Fronteira; 1976.
GOTTSENGEN, Mark David; Painters Handbook; Watson-Guptill; 2006.
MITRA; Materials Information & Technical Resources for Artists; 2020.